domingo, dezembro 14, 2014

Quando violão e voz tornam-se o início de tudo.

A mesma coisa. O mesmo fim.

Entre Gil e Cash, entre um lá maior Strummer disfarçado em Billy Bragg, o instrumento imortal: seis cordas no coração alma de quem canta.

quinta-feira, dezembro 04, 2014

punk 77


Eu escutava o espírito do Punk 77 todos os dias.

Por todos os cantos, a caminho do trabalho. 


Antes de atravessar a Praça Central, ao meio dia, trânsito morno, atravessando a rua desligadão do concreto, apenas dentro de um dia de semana comum.

E lá reverberava o som: ele era o trajeto.

Distraído, o som no estéreo da memória revolvia naquelas bandas inglesas, puro rock and roll, bandas crássicas munidas na simplicidade, honestidade e crueza - que terreno fértil.

O tempo disparando rumo ao silêncio final enquanto riffs pra lá de empolgantes e tão primitivos, a esfera visceral da arte, tão viciante, natural e transparente como o blues, entre bares e hospitais repousa a estrutura básica dos três acordes que impulsioram o mundo.

O cotidiano sem o Punk 77 pode ser uma verdadeira lástima.
Eu vivo o Punk 77. É claro que às vezes dou um tempo no processo da audição, vou pra outras e muitas outras paisagens. Embora, é inevitável - como se fosse infalível o regresso, para escutar a alma daquelas batidas comoventes, uma cozinha eficiente,, guitarrona cuspindo punch  - e ah, os refrões! Coros, refrões mágicos, estribilhos doentios, fundamentais.

Sem o Punk 77 o mundo seria babaca como a Revista Veja.

quinta-feira, novembro 13, 2014

SIM, EU SEI QUE EXISTEM EXCEÇÕES...

Seres humanos e as redes sociais de merda.

Estão muito preocupados.

Separam 100% do tempo pra interagir.

No Facebook, os membros cadastrados se importam com a imagem projetada. Mas ninguém se importa com eles. Foda-se.

E as letras e números? Informação zero. Tudo isso aí é um lixo.

Os tópicos são sempre os mesmos, as discussões envolvem sempre meia dúzia de fascistinhas, dois bolinhos blasé, um cara durão e uma mensagem sarada de auto-mutilação mental.  

Nesse sentido, era mais legal a época do Viva Noite.

sexta-feira, novembro 07, 2014

O horário de verão resolveu dar o ar da graça.

Seis horas da tarde e o comércio evaporou em plena Rua 3.

Mas resta o sol ouvindo Thin Lizzy. Também vigoram na paisagem o céu azul e o bom humor humano.

E com esta última dupla veio uma primavera invocada de bonitona, que espalha motivos pra ser feliz sem crise. As esquinas estão curtindo muito.

Todo mundo é fã do céu, o céu azul é gás e um pulão sem fim pro alto, todo mundo fica doidão dançando por dentro, que coisa mágica são essas árvores rompendo em cores quentes, flores psicodélicas sem forçação, chapadas cores da alegria no ritual do cotidiano omelete, e o pessoal toma sorvete, espera a chuva, pede breja, pede piadas aos bancos de praça, é sério.

O horário de verão está vivendo em Rio Claro, novamente.

segunda-feira, outubro 27, 2014


O sinal havia sido cortado. A velha e boa chuva, no comecinho da noite de domingo.

Eu esperava o resultado das eleições presidenciais. Então, enquanto a tevê recuperava-se do desmaio, puxei alguns discos de bandas parceiras e comecei a curti-los, sem crise.



Saudade de alguns álbuns, mas a alternância era constante. Ao final de alguns, outros novos rolaram de buenas.

Após alguns minutos, voltei a procurar por sinal. Sim, a tevê acordou e estava toda elétrica, realmente.

E então veio o resultado.

E que resultado!

A Tv Cultura luziu no domingão, que noite!


A vitória do projeto da democracia popular estralou pelas urnas do Brasil.

Estamos juntos.


terça-feira, outubro 07, 2014

CHICAGO

Dentro do nariz o ar está quentinho, trinta e nove graus. 

O tema? Eleições 2014.

Todos tem opiniões no Brasil. Apelos. Sede. Pum. Posicionamentos. Que piada.

Quem vai pilotar?


Quem vai cozinhar?



Quem vai se foder?


E certas lideranças brincam né?  Surgem como 'piques' em pega-pegas de uma infância sem futebol de botão. Juquinha agora está escorado, já pode encarar o mundo.

E o cenário?

É merthiolate.


As ruas em dia de eleição recebem confetes numerados. Enfeitadas, estão cheias de convites. São coloridos flyers, afirma Ranir.


E você? E você? E se você tivesse aqueles bonés sem aba e com hélice?



Boné bobóide.


Algum ventinho besta bate do nada e você é erguido para os céus.


Olha lá, é você mesmo. Você engoliu raios solares, cego e sem moral, mas aqui em baixo, no parquinho Celsinho, nós torcemos por você. Espere, ouço uma música vinda de um Uno Mille vermelho, invisível. Que melodia é essa?



Uma cenoura caiu do céu: You're The Inspiration.






quinta-feira, setembro 25, 2014

Uma quinta-feira assim meio engraçada, saiu sulfite amassada meio desenhada, era de manhã, tempo fresquinho, eu me lembro, pedaladas em cima das nuvens, estamos vivos disse a bicicleta - inclusive podemos escutar vários discos clássicos das décadas de 60 e 70.

Quando o céu azul desponta no nosso estado de humor a coisa é chique.

E a bicicleta não tem marchas sabe? E então você não é Fábio Júnior mas não tem não limites pra sonhar. E por cada valeta há dezenas de possibilidades de atritos mentais, colisões benignas, o caos sarjeta é pra você pode parir um plano omelete pra curtir em pedacinhos todas as emoções embrulhadas no pacotão das duas da tarde, picotar sem ou com tesoura infantil minutos preciosos. 

É simples: uma tarde é feita para você se lembrar da sua avó, uma tarde serena é uma pista crua e rock and roll pra alma, onde você vai respirar sem crise, observando o semblante da cidade, interiorzão de SP, lá onde no antigo centro os postes carcomidos pelo tempo chuva idade guardam os velhos cartazes de eventos, missas negras e o sovaco do pobre Manequim levou uma espetada, upa upa, canetada bic em plena vitrine.