sexta-feira, maio 12, 2017

pode apostar, Lindomar

confuso, vagabundo, folgado.

louco por futebol e rock and roll, aquele flamejante, conhece? incendiário, de libertação.

louco por literatura, dos craques nacionais aos gringos, sem academicismo mas sem bosta seller. 

falta-lhe 1 parafuso, disse Denílson. falta-lhe aplicar o modo gregário para alguns usos da chamada responsa social, mas, na grande maioria das vezes, ele é deselemento antissocial mesmo: com gosto, sem banho sem se importar pra nada, respeito por nada, foda-se, vagabundo e folgado, madrugada longa, trancado e respirando as paredes, todo angustiado.

algumas madrugadas são bem alimentadas nos filmes dublados com o Adam Sandler e o Jim Carrey. E o Eddie Murphy, porra.

Ele bebe gostaria que ficasse registrado: café sem açúcar. Lê Lima Barreto, gosta do estilão dele, do mestre Graça, do lado dedéu do Stanislaw - e ele sonha em gorfar fogo escrevendo, planeja de um jeitão demente e errático seu livro de contos há mais de 12 anos!

12 anos!

qual temática? 
vida adulta? 
desdobramentos insanos nos passos da violência urbana ou violência rural? 

incomunicabilidade bergmaniana nos porões russos da visceralidade ?

narrativa com trilha sonora focando objetos de espírito desanimado?

sorver a memória para grandes partidas num passado não distante de um futebol hoje tontão, robotizado? 

paginar a triste vida cotidiana de um SOLIOTÁRIO? quarto imundo de um adolescente véio sob nuvens de thc, ventilador gigante girando preso na parede enquanto o quarto abafado acompanha o leitor de Lima Barreto, aquele mesmo que joga trocentos ganchos nas injustiças sociais,  em brutal denúncia ante os abusos contra as mulheres em Clara dos Anjos?

E pra ouvir?

Ella, no vinil.

E?

Se ele ouve o que realmente procura, ele muda o ânimo pró pennywise, fica ligadão.

Mais café, mais café. 500 ml, no mínimo. Café, é até morrer.

E pra ouvir?

Hardcore. Blues. Blues. Punk Rock. Rock junkie, rock sujo. E um pouco de Cartola, às vezes. Sexta-feira mofando em casa, esteja acordado cedo pra trabalhar. Trabalho manual.

Mas voltemos à madrugada: mas é assim mesmo, com o violão procurando a canção coração café e lero com os amigos mortos, ele Lou Reed conversa bastante com eles, todos eles Lima Barreto, está escrito na alma - pode apostar, Lindomar.

quinta-feira, abril 27, 2017

VELHAS PALAVRAS


É, são as velhas palavras. Bailão, birutage, microfonia, tupá tupá, backing vocal cuspindo el fuego, pogo, mosh, folia fuzz frita sinapse - e aquele refrão, aquele refrão que leva você pra longe, mas bem longe mesmo.

São as bandas que todos os dias você ouve. Tem que ouvir, porra. Os discos que te deixam assim, Josias. Você fica animadão assim com o café recém passado, com Verbal Abuse na orelha, lendo aquelas linhas do Fante dentro da noite sem fim, lembrando de como os anos estão cada vez com suas bicicletas mais velozes, pedalantes, errantes, mas o sentimento que sobe no pódio do sossego é ela, a alegria. Alegria, taí. São as velhas palavras: rock porrada alegria loucura alegria loucura movimentação constante e o grande foda-se ao ato de gorar a brisa alheia: seja bem vindo o tanto faz, quem se importa? Alegria monstro, chapa chapéuzão. Cachaça dançando derretendo dentro da alma, Josias. Bailão, birutage, brodagem, três irmãos tocando punk rock até morrer.

terça-feira, abril 11, 2017

debilitando Podrão do Santos



ô tonto, você me pergunta que horas?
eu embarquei às 02:10 da manhã.
dizem que leva vinte minutos.
aí eu dou aquele rasante.
o tempo de espera?
Curto:  achei que era mais, mas são só vinte minutinhos.
eu não sei o que vai acontecer, talvez eu morra.
eu não. vai ser uma misturança de efeitos.
como um case psicodelicuzin com o phaser mandraque soltando faísca, aquele curto circuito diferente que nem é nada, só você que olhou errado.
passaram só cinco minutos.
esse trem é sedativo?
seda sobe o preço, vi gente chorando, que merda.
os tripulantes afirmam que os yankees afirmam é hipnótico, o trem.
hipnótico?
sequestro . sequestrada, ansiedade.
Brigando com o teclado aqui. Treta feia: maiúscula, minúscula.
Passa o tempo e vejo na bula: tem hipnose na jogada?
ouvi falar que você sempre riu de hipnose.
Riu do Charcot, ele tava lá tomando uma Canelinha no Big Bar. Lembra?
Charlatão da hipnose, tenho pena desses caras que aparecem no rolê, meio loser geeks, e induzem uma hipnose. Constragedor. A “vítima” segura o riso. Que truque tonto né? Mas porque tô falando isso?
Ah, era hipnótico.
Você viu na bula? Você acredita na bula?
Que bula?
Tamo no trem, maluco.
Meu coração tá parecendo um micro-ondas turbinadão.

Você pesquisa os sites sobre o assunto, os argumentos são bons né? os comentários,
você quer dizer. Você diz que vai misturar, essa viagem (agora são 02:17) vai toda
acumulativa no corpo né? Tomara que não dê mais sensação que você acabou de sair
do Rocky 3, mas se ajeita ae, o trem tá rodando. é só o brain.
é só a cabeça que escolhe os labirintos, os sentimentos são meio bêbados e orgulhosos,
sentimentos tem ego.
uns escolhem o outro trem que é mais leve e tem trechos de euforia.
vamos ver esse.
ainda restam doze minutos.


i wanna be sedated. pausa pra água, pausa pro mijão. nem fui mas já são 02:38. continuo pensando que escrevo, pensando que vivo. vivo pensando nisso, aí alguém me lembra que já tá no pente, é só acender, a madrugada não termina, mamute sedativo, é, proporção maior da viagem, relax, olha aí, mais confuso que o crente que viu a picaretagem pesada no culto, ou vai falar que você esqueceu? 02:39, lembra?

terça-feira, fevereiro 28, 2017

RESENHA: CARNAROCK HELL CLARO ROCK 2017







RESENHA: CARNA ROCK


O JFK mostrou energia, força, CLASSE, o JFK foi pancadaria. Teve aquele momento nostalgia, teve Dezakato, porra, foi demais. Foi foda! Muito louco o Jazz ali curtindo, Hell Claro é rock! E o final com American Jesus, fora os clássicos do Dead Kennedys marretados na contenção, representando ali na máfia do crime pelo Jota/Murilo/Goedi, que moeram tudo, fí.


E, porra, Dig Up Her Bones em homenagem ao Noet também foi sensacional.. O vocal do Édão tem uma puta extensão, e o chefia é simpatia pura on the stage.


Na sequência entrou o Focalada. Suas músicas são curtas e sambarilóvis, cantadas em português, entre um punk rock sincerão e aqueles velhos ecos do rock 80 brazuca elegante, como o final apoteótico com Até Quando Esperar comprovou.


O Focalada é um power trio que tem estrado. Trio guerreiro, e desse bailão cheio de energia deles, Vitão pegada animal nas seis cordas, curti demais as já crássicas deles, mas as que incendiaram tudo foram Jimmi Joe e Tudo Explode!


E virxi, teve até um Johnny Cash, Vitão foi pra batera, Galassi assumiu a guitar, Afonso tava beldão no baixo, e eu tive a honra de mandar um Ring f Fire com os trutas.


Na minha humildade opinião, o Focalada representa o rock garageiro feito com alma - é a nova geração autêntica do rock feito com gana e o coração, os caras são incansáveis e sempre estão compondo, é impressionante.


Depois o Funeral Sex, e a noite tomou um trago de absinto 666%. Veio o trio responsa do mal com suas camadas espaciais doom derrete hipnose que como sempre me levaram para outras galáxias cheias de fumaça e com aquele stoner de primeira. Momento emblemático da da noite. Funeral Sex é genial, original e deixa você entre uma tempestade from hell sonora viciante, esferas dopadas de sonzera porrada e viajante. Ouça o hino Before the devil knows you are dead.


Era a hora e a vez do On Crash, o hardcore de índole kafkaniana em seus versos. Entre climas benzina mezzo youth viagens, a voz da Mars e a cozinha reunindo dois monstros da velha e nova geração, Eder Cruz e o grande Gabriel, vixi, o bicho pegou, Júlião do riff tava assombrando, mandando a guitarra de timbre único, caótica porrada com sangue dissonante doentio e o bailão ali chapado.


O On Crash deixou a turma também em transe, e porra e os sons? Ruminante, Os Outros. São sons vão sendo gravados no inconsciente coletivo, tem hora que você tá viajando forte e depois começa a bater cabeça como aquele vulcão visceral. O On Crash realmente é uma banda que cada vez mais gera mais expectativa para ouvirmos seu álbum de estréia.


Então, veio o Aborn.


Quando o Aborn entrou em cena, o Carna Rock estava completo, a casa cheia, público diversificado e entrosado, antigas e novas gerações, som de primeiro, tudo perfeito.


E abro aqui um parênteses: foi demais a sintonia entre público e bandas, todo mundo amigo e curtindo, galera frequentadora do bar, outras bandas, escritores, galera dazantiga, climão ziriguidum das microfonias! Mas, eu vou te falar: uma sonzera old school, um metal sangue no zóio de lavar a alma, o Aborn todo mundo trincou o pescoço, chapou, incrusive tive até o prazer de mandar um backing em Territory à convite da Tamy, valeu Tamy, sem palavras, valeu meninas pela sonzera e porra, Coward! Que som é esse? Fudido pra caralho. que banda, coesão metronômica, vocal destruidor da Taty, coesão e atitude, postura de palco animal.


Taí, mais um ano e a Thaís foi lá e representou, proporcionando uma noite histórica de sonzera e irmandade, uma aula de organização estrutura e comprometimento, atitude.


Que bailão, vieram várias caravanas vizinhas pra prestigiar, muito especial mesmo! ;)


Viva o Carna Rock do Hell Claro Rock (e sem bairrismos, só alegria e barulho, sempre!




quarta-feira, janeiro 25, 2017

Peste Bubônica

Os navios chegavam  do Oriente, em 1346.

As cidades europeias desconheciam higiene, e aí que ratos vândalos, cheios de killer pulgas, começaram a diversão. Até
1352, milhares  de roedores  vieram trazer imundiça ao já podre velho mundo.

Esgotão funfando à céu anerto e open bar de lixo, era essa a hora: a gangue dos roedores tomou fermento e omou conta da bagaça.

Jean Robespierre teve  sorte logo de cara: picado no pescoço durante um cochilo, teve febrão. alta e em rápidas horas caiu duro. Os miseráveis nem eram, enterrados . Eram mozad8s com o papel toalha da época.

Outros  sintomas bacanas  surgiam sussa no corpo da galerinha: bolhas de pus no suvacão, virilha sabor carniça e sangue no orvido como cartão  de visita.

E porra, quem tomo providência?

A Igreja Católica . Proibiu qualquer tentativa de cura. Era pecado.

Vômitos. Epipdemias. Quem descolava remédio virava churrasco, era o bruxo penetra na festa.

O nojo rolou geral, as famílias com o cu na mão renegavam familiares, servos eram  tratados como bosta na França e na Inglaterra, até que os camponeses deeam um basta na tiraçãom na tirania. Assassinando os merdas dos senhores feudais, driblaram a má fase e acendedam aquele merecido baseadão.

segunda-feira, janeiro 09, 2017

Dança da folia

O Sujinhos nasceu em 1978, bar-espaço-sagrado-palco-babilônia-esquina Amsterdã, ponto de encontro pra eliminar neurose e levantar amizade. Rio Claro precisa do Sujos. A Unesp anda casada com ele, vizinha-frequentadora, de cachaça carteirinha, viva a Bela Vista, viva o Sujos, brou, broua, tô beleza.

Os anos andam, os anos aspiram a poeira dos dias, e muitas noites, por anos e anos, são municiadas pelo  Sujos. Buxixo? Som ao vivo? Lero-brodagem-lentos minutos, painel vivo urbana thc paisagem calçada farejando amizade. Sujos. Sujinhos, taí, é o interior surfando na brisa do Horto, florestal friends, bicicleta bagana mata rato ratatá fitinha, farinha farofa seda casco fumacê  litrão com cara conhaque copo plástico americano cana cerva, Sujinhos que reúne as almas: astronautas  narcóticos ou não, ele é o clube na rua, esquinas da nossa doidera sobrevivência, coletiva dança da folia, amém. Amém.

quarta-feira, janeiro 04, 2017

No ônibus da quarta-feira, A.R. observa o cãozinho na sala. Deitado de prancha,as patinhas dianteiras servindo de suporte para o descanso dele, o focinho da fox paulistinha é puro planeta sossego. 

Na ESPN BRASIL, futebol no mundo e a Premier League. Os ingleses tem o melhor campeonato do mundo. O jogo é intenso, inteligente. É cocaína da boa pra quem gosta de rede balançando, comemorações efusivas, chutaços da entrada da área, arrancadas furiosas. Na Espanha o jogo também é interessante, mas talvez o estilo cadenciado não deixe tão vidrado o torcedor e sua cocaína. Aqui no Brasil, as condições climáticas entre chuva e calorzão dão o visu dos dias. O calor é daquele que deixa os braços em patê de suor, os braços num grude, os braços num creme, trinta e tantos graus mas na real são sessente e seis, quase duzentos. Uma lua detestável para os humanos que só reconhecem na água gelada seu justo pedágio.


A.R. ignora o calor até - está com o pulso esquerdo fodido de tanta porrada que desferiu pra aplacar a tensão. Que merda, diz silencioso, tratando o desconforto com aparente severidade.

terça-feira, janeiro 03, 2017

33 47 alongamento 13:50

No momento, ele não está; falou que já volta. Ele está, na verdade. Está alheio. A.R. encara a parede branca e suja do quarto imundo, encara a parede em porções temporais que incluem no pacote duas horas ou talvez quatro segundos, preciso alongar as pernas, tô travadão. Travado e envelhecendo na merda, claro. A.R. não é o tipo de pessoa que acelera a bicicleta do OTIMISMO. Otimismo não rola, e a perna direita tem mais flexibilidade, é fato. Agora está pronto para o exercício: com a lombar apoiada na parede, procura uma posição fixa, ereta. As pernas, bem abertas, tentam proporcionar o famoso horário dez pras duas.


A.R. vez ou outra usa as duas mãos para escrever no computador. Com a direita agiliza o mouse, e com a esquerda viaja com o cursor, em busca de parágrafos tranquilos e relaxantes. Depois que Luciana o expulsou de casa, precisa relaxar a todo custo. Provavelmente de tanto andar relaxado, pelo viver umbiguista é que tomou o pontapé no traseiro.  Mas o cuidado agora é com o alongamento das pernas. Enquanto repuxa e repuxa uma tentativa de distensão, morre de medo com a variação da química cerebral das últimas horas. Evoca algum pensamento que drible a dor. Vixi, arquivo morto. Puxa, repuxa, perna direita, conto com você: amanhã vou acordar com uma dor dos diabos. Acordar com as pernas travadas, que processo lazarento, sanguíneo-doloroso, engolindo catarro e desengolindo - vai cuspir,  cuspindo na palma da mão.

quinta-feira, novembro 24, 2016

LUZES NA MANGUAÇA



Estar numa banda. Estar num grupo.

Fazer parte. Fazer parte. Fazer, construir. Construção, mão na massa. Cooperação é cooperação, bora atacar.

Correria, pileque da alma, minimalismo que avança, solo bêbado de guitarra, batuque deixando a turma dançante, festa mil grau, celebração da vida, porque daqui a pouco todo mundo vira presunto, presumo eu.

Estrada. Fazer existir. Rodar, rodar. Vingar. Construir. Mais estrada. 

As cordas do baixo carregam sangue. Sangue. Ficar surdo. Baquetas estralando obstinação. Surdez como razão.

Pogar de zóio fechado, pogar até morrer.

Viver imensamente vendo ouvindo sentir, viver viver , viver até estragar, viver com tudo, viver explosivo, o sorriso da turma, amizade, amizade, sangue na cabeça, ebulição, ouvir os discos juntos, smoke tapes, observar o riacho de risadas invadindo a madrugada de sonho, luzes na manguaça.

sexta-feira, outubro 14, 2016

Quando é muita pregação,  o Josias desiste do rock. Ele remove os pé da goma é pra curtir, não pra ser assaltado por microfone demagogo  repeteco de panfleto.

quinta-feira, outubro 13, 2016

Novo single do Eletro Doméstico com Philip Long: Reine sobre mim






Leveza. Leveza como atributo dos dias, leveza que conduz.



Assim tranquila, a cadência. Leve. Porque tênue avança, e se desfaz, mas não por completo. Permanece.


As palavras pulsam no gramado dos sentidos, espalhadas aos poucos, tão breves, tão lentas.


Devagar, vão entrando dispersas por aquela tarde, pelo cômodo vazio. Deslocadas do óbvio, perseguindo dúvidas, entre ecos paredes de histórias, o semblante, o espelho, dor lamentos elegias drenando o tempo, o piso arrastado, espalhadas aos poucos, tão breves, tão lentas.



O amor revela vozes expande recolhe marcas, como se insistisse o céu, pés descalços, acordes em devaneio - Reine sobre mim é uma bela canção sucessiva, intensidade contínua, ou talvez a triste lucidez perdida.

pode apostar, Lindomar

confuso, vagabundo, folgado. louco por futebol e rock and roll, aquele flamejante, conhece? incendiário, de libertação. louco por liter...