segunda-feira, agosto 03, 2015

CARLINHOS BAD BRAINS

Quando o Bad Brains emergiu dos falantes pogava-se uma barbaridade. 


O peito levava chamas para onde estava a vontade de viver. 

Quem já o esperava com ansiedade, era o Carlinhos. E com razão. Pela razão, dizia ele, escolho algumas bandas pra gostar. Com razão, concordo, chefe.

E ali no Bairro Bisteca era um dos poucos rapazes que ainda preservava o gosto pelo rock veloz. 


Dá-lhe, dá-lhe Carlinhos!

sábado, agosto 01, 2015

CONTROS DO CAMARGO

Era um som essencialmente adolescente, diziam alguns.

"É som de nenas"


"Você gosta disso? Vai se foder mermão, isso aí é o puro pop punk pirulito!"

Era essa mania de parecer libertino, mania que parecia responsável por cercear, garantir o gosto alheio. 


Sim, o som parecia casto por princípio e de temperamento acentuadamente melódico e um tantão infantilóide. 

Mas era um som Master System, um entretenimento alex kid, bem mais legal que a porra de um patins.

Fazia o seu fliperama elevar o astral da moçadinha, o Millencolin. 

PROBLEMS

Cegonha empalideceu. 

- Gente, ajuda aqui! 

As mocinhas do bar entraram em pânico.

O gerente procurou tranquilizar a galera, dizendo que era apenas um desmaio. "Acontece".

Insensível às suas palavras, Gustavo partiu com a esquerda pra cima dele, e o gerente foi parar no sofá, bóim.  O gerente era do sofá, e permaneceu alguns segundos fora do ar. O Gu deu um murro e tanto, enquanto o Cegonha apagado ouviu como náufrago a melodia de Problems dos Pistols...

Gu deu alguns passos tensos no bar, acendeu um baseado, e foi sentar-se ao lado do Cegonha. Depois, como se os lábios tivessem medo de deixarem a boca seca, pediu uma Kaiser e esperou Cegonha ressuscitar.

CURTINDO UM MONTE


Subiu lentamente as escadas do cérebro. 

A porta do fundo estava aberta. 

Resolveu arriscar: rolava um show do The Damned, lá pelos idos de 1978. Firmeza total.

Foi chegando de fininho. Entrou meio com calma, meio no mocó... 

Avistou o palco pequeno e intenso, barulhento. Aí sim. Luzes vermelhas, luzes baixas. Uma galera agitando sem fim. Entre pulos e pogos, "Neat Neat Neat" ecoando, era esse o espírito, porra. 

Entrou no meio, que se foda, punks derrubaram-lhe cerva na fuça, um cigarro bem aceso deu uma bitoca na bochecha, assim aceso ele continuou curtindo, ruído fissura, e foi até à euforia, pessoalmente - neat neat neat - sem que sentisse apatia, sem que sentisse preguiça, apenas pulsava no peito três acordes, era PAIXÃO. Jejéco estava pertinho da diversão compreta, com o rosto completamente chapado de folia.

sexta-feira, julho 24, 2015

FROLINI IS DEAD


Ando aborrecido.

O Frolini, tão valoroso supermercado da imortal Rua 8, cerrou as portas.

É, o Frofrô foi pro brejo.

Beijou a morte, estará ausente naquela bela manhã de terça, para que Lurdinha alcançasse seus iogurtes de pêra.

A fila do pão? Virou um grande nada. Filão fantasma.

O pão de queijo quedou-se. Bolinho de arroz idem.

A pizza e os pedidos, tão concorridos. Os refrescos. Tudo virou fumaça, e não é de crack.

Os corredores vão sendo apagados aos poucos, assim como as compras, caixa rápido...
Empacotadores parceiros em suas ágeis magrelas, devidamente uniformizados - agora desempregados, jogando PS e vivendo de favor na casa do Glauco.

Até modestos cadernos no Frolini eu comprei, para o meu deleite.

Biscoitos, desodorantes, perdidos agora na memória. Café, legumes, todos tristes em algum limbo dos produtos preteridos.

E detalhe: Frolini não se despediu adequadamente.

Primeiro sumiram os funcionários. Depois as prateleiras praticaram redução do estômago.

Enfim, é o fim: Frolini is dead

domingo, julho 12, 2015

ÉPICA TERÇA-FEIRA NA ROÇA


Tem a terça-feira.

Cidade de Rio Claro, terça-feira noite da zuera mental em tranquilas peregrinações, de mãos nos bolsos vamos curtindo as calçadas, curtindo as piadas, ruas vazias entre as sugestões sagradas em cada esquina derretida onde os postes pernoitam sem maiores problemas.

Tem a terça-feira na roça, chefia: nas ruas de Rivers vamos de gratuita sinfonia, grandiosa, dedéu-divertida.

sexta-feira, julho 10, 2015

ELA CHEGOU



Quando ela vem, é massa.

Ela aparece e cresce, e na galera acontece: a grande e forte zoeira.


Será coceira na beira do abismo?

Será o cochilo do bispo, a maionese arisco vencida e infectando o pulôver do xerife?

O certo é que ela chegou, Roberto: zoeira tagarela, olha ela.

JANDIRA, OLHA O SERENO, JANDIRA



A Jandira é o buço vigoroso, é a banha banhando pelanca é o braçola bíceps molenga, é o buço tingido de leite.


Leite de caixa. Natas? Detesta, despreza. Leite tem que ser quentinho, ela divide com o gatinho.

Sereno é uma companhia e tanto.

Pretinho e fofinho, ele é gordinho: gatinho pulinho groselha que não conhece o espanto.

Percebe os dias em passos pisos puros, límpidos, descansadinhas as pegadas, pegadinhas e depois deitará ronrom - ronrona na coberta verde - olha aí ela: é a Jandira satisfeita, refeita, deitada cobre de carinhos a carinha do gatinho, e ele ronroninho, depois boceça largo e eterno,  um quentinho coração de calmaria, minha nossa.

ESQUEÇA O OMBLIGO


meu amigo, meu amiguinho: esqueça o umbigo, esqueça o ombligo.

entregue-se ao herege exercício dela, da folia, danada.

gambiarras de folias, florestas abertas de folia gerando serestas, domingão é rio claro, Coreto armoço corotinho, fofoca fumegando é a roça em festança, festa cadeirinha de ferro mesinha-família garimpando loucura, abre a boca Beth: espetinho frango assado Vicente Celestino, dedilhados, violão não é corda de aço, é náilon, olha o gogó dele, Nair. 

E as senhorinhas lentonias balançam as cabeçolas, cantarolando na paz. Peace e palminhas, ritmadinhas. E mais cervejinha. O bucho e a linguiça, a folia ali derramada na praça, é de graça, maltrapilhos não disfarçam, com seus pares fantasmas, desprovidos de asmas, o passinho é apaixonado, é ritmo, é folia no ar, percebe?

quinta-feira, julho 09, 2015

AQUELA VELHA ESQUINA

É.

É.

É uma vida só, Soares.

Alguém ligou a porra da ampulheta no meio do mergulho.

Uma vida só. E você brinca. Você brinca com o tempo, se quiser.

A discussão vai girar em torno de Rio Claro.

Nesse momento Muddy Waters está dormindo.

E a Avenida Sete e Rua 8 estão conversando.

Tome essas linhas. 

Imagine dois amigos, amigos de anos e bons momentos de diversão e terna camaradagem, chapas trocando uma ideia bacana no degrau de uma loja que fechara às seis da tarde. 

Agora a rua é calma, a rua abre um relógio que aponta sete e meia, sete e meia.

A esquina conseguiu buscar vida e vagarosamente trouxe bastante.


Aquela velha esquina noturna, muitas vezes silenciosa e taciturna, sabe?


Aquela velha esquina, onde apressados carros abrigam motoristas que estacionam mal pra caralho e saem bufando "estou acima do peso",  onde gírias mulecotes larápias e lisas deslizam como "e aí cachorrão - eu já fui preso quatro vezes esse ano", onde madames ou múmias que não conhecem garis pelo nome passam com medo do convívio mínimo, casais pouco se lixando com o mínimo humanismo de merda, apressados com seus pobres cachorrinhos de pelúcia, aquela velha esquina onde conversamos sobre Dead Kennedys, aquela velha esquina, a boa e velha esquina.

Aquela esquina do fortuito, onde você cumprimentou velhos camaradas de diferentes gerações, revisitou velhas chapações em piadas-lembrança, aquela velha esquina onde pobres farrapos quase imploram por moedas e saíram em sorrisos de orelha a orelha, dançando com moedas siricotico nas imundas palmas das guerreiras mãos - sonhos de Corote - aquela velha esquina onde instalaram um piano maionese executando uma triste peça minimalista, aquela esquina onde bitucas serão esquinas do abandono, aquela esquina onde pobres adolescentes de chinelo vão morrer dali pouco anos, aquela esquina cheirando hamburguer e bacon pronta entrega, esquemão quentinho pro vovô Tirso, aquela velha esquina que em 1957 pariu um dos mais sagrados bares dessa cidade chamada Rio Claro.

segunda-feira, julho 06, 2015

DE DOMINGÃO O BIG BAR DEITA UM COCHILÃO


Aos domingos o Big Bar descansa.

Afinal, o templo precisa de mini-férias.

Pobre Rio Claro: então o Centro morre - a Rua 8 para, a Avenida 7 estanca.

Descanso merecido.

Porque Big Bar é foda.

Abriga existência crua, faísca e fogo em cada pedaço do piso, da parede.

O climão é de vida solta.


E o detalhe importante é que os atendentes são profissas: nem xaropes, nem amigões de mais (invasivos?) - os caras são fodas, sintonia total.

Ao adentrar o cliente chapa com o american bar, cardápio generoso parindo lanchão nervoso, chapa quente derretendo napas, é o mundo de biritas aliado ao conglomerados de  várias telas estratégicas pra ver aquela futeba na responsa.

Eu vou bastante lá com o meu primão, o Casão.

Mas o Big Bar não era bem o assunto.


Mas quem precisa de assunto?

Quem precisa de fluxo?


Precisamos é de vigor.

Persistência e vigor, sempre.

E foda-se.