sexta-feira, agosto 11, 2017

Eu espero acordes que não desistam de cocainar meu dia, mesmo quando já nasceu morto.



Espero notas que não apliquem a tortura do tédio. Espero antes aquelas com promessas de vibrarem na positividade total, espirradas pelo recinto numa levada sambarilóvi.

Espero notas reais, que esbocem verdadeiros sorrisos alma adentro, alma afora, porque não existem semáforos, fronteiras, linhas divisórias, só o desejo, invencível.

Espero alguma nota corajosa, que se levante diante do óbvio, que me faça ser mais animadão, otimista num mundo de lama e lorota.


Espero acordes que não tenham medo da repetição, que empolguem meu cabelo, minhas orelhas, espero aqueles acordes que te levam aos lampejos pra bradar de peito aberto, “porra, vamos fazer isso agora?”.


Espero aquele refrão incendiário, talvez escondido dentro daqueles livros que pretendo escrever antes do paletó de madeira triunfar.



quarta-feira, agosto 09, 2017



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É a manutenção.

Tem que seguir, avante - sem medinho, porra. 

Arapuca nasceu? Vão nascer sempre piores.

Saber olhar em perspectiva mais sambarilóvi?

Não. Tem que enfrentar, sofrer - o ringue do risco e da loucura nos espera.


quarta-feira, agosto 02, 2017

voadores



Por favor, gentileza: mais uma dose dessa languidez. Mais uma dose lânguida e precisa, em camadas de vento tão leves, breves. Esparramado aqui dentro da mente, esparramado e mais uma dose dessa languidez que vizinha da volúpia ataca, passado presente futuro, céu vermelho, céu de sangue, mas não há resquícios de salvação, redenção e essa sintaxe toda.

Os lânguidos estão trêmulos, uma coisa inútil, tão verdadeira e dilacerada. Crescem, tomando entre as esquinas dos esquecidos seus porres melancólicos. Então, o quarto escuro, o corpo deitado.  A mente exige o holofote em off,  o botão mute, mas não haveria porra nenhuma.  Como cegos e inconsequentes gestos malcriados, languidez e perturbação começaram a disputar o bingo da desgraça, instantes desnecessários erguiam-se trágicos. Pensar era difícil.  Dentro de alguma cozinha alguém provocaria uma desastrosa cena de ovo e pele queimada na altura da barriga, mas o fogão é apenas alguém que vai ficar parado quando você morrer.  Estouros entre neurônios, pouco antes da despedida.


O calor é forte agora, rebato o frio sem explicação, não existe apartamento da frase pronta nesse bairro simpático, esculpido cegamente em lama e escondido lirismo, que logo você vai atender a campainha e não há ninguém. Mas o vento uivando nas cortinas que nunca vão aparecer, a mente como metralhadora agora focando o fogo, olhando o confuso horizonte pelas ruas de Riverside. Como um pogo, como uma roda punk devastadora em Americana, o ano era 2000 e barra forte, poça monstra de sangue no chão de um concerto espetacular dos ingleses voadores do GBH.

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terça-feira, agosto 01, 2017



Cidade calma. Calçada morna, pés avante - pisando na maciota,slow down, cimento, calma aí na hora de atravessar a rua, Celsinho. Olhar pros dois lados, mas o olhar sempre é o da esquerda, não tem jeito. Pode pá. Agora sim. Não vá ser atropelado novamente.

Quando você precisa de café, pra combustão. Pro enfrentamento. A Cássia fala para a sala sobre o novo misturador de concreto. É, acabou de chegar. Novidade no mercado. Alguns puxam conversinha paralela, são três alunos que tão pouco se fodendo. A teacher sente desleixo escorrer do teto. Então, a Cássia olha torto. Um deles já se ajeita, liga o desconfiômetro e fecha o bico. Mas a duplinha continua tagarela. A Cássia vai zoiando torto, ergue o braço. Estica, indicando rua com o indicador, dedo presença.

Cabisbaixos, os alunos pagam de loucos. Ela grita. A dupla vaza. A aula continua. No recreio vão todos pra lanchonete Balzac.



quinta-feira, julho 27, 2017


Fabrício Lúcifer tem nojo da vida. Seu pai não venceu o diabetes. 

Quando a alma sucumbe, Fabrício quer o ódio.

Fabrício Lúcifer tem nojo das pessoas.

Fabrício Lúcifer execra o sol, as nuvens. Se visse alguém sorrir agora, esboçar alegriazinha, cuspindo fora esta visão estaria.


Tudo é superficial.


Efêmero.


O calendário é um lixo numerado com nomes imbecis, um lixão pendurado aí na porra da sua parede.


Você quer ficar perto de pessoas inteligentes?


Ó, vem cá, vamos iniciar um debate? Chame aquele porra daquele Otário de Carvalho que eu acerto um tiro no meio daquela testa de velho brocha dele.


Não adianta negar o terror.


Tudo está ameaçado. Mais uns graus e o planeta vira paçoca.


Enquanto você lê isso, acidentes espalham sangue na pista da indiferença, envolta ou não em calafrios.


O triunfo da fraqueza viceja, radiante nessa grande interrogação banhada de retardada inquietude, deserções e os mesmos improváveis atrativos de uma vidinha feliz.



Cuidado, a frivolidade vem com juros e frases feitas


Acordo sem saber em que porra de planeta estou. Abro os zóio sem abrir, meio escuro, meio dia: constato meio lesado – é, o dia nasceu meio merda.
Merda à vontade, self-service pra todos, fila indiana, otário.


Enquanto o céu GOSPE laife, suas invisíveis bravatas de araque, alguém está esquartejando dúzias de inocentes bem longe do seu narizito.



Enquanto o céu GOSPE laife, uma velhinha bem ceguinha está numa iluminada sessão de refrescos, ela está levando uma Pepsi pra casa, com ajuda de Ivan, crachá torto na gola pólo, dezoito anos firmados em abril, seu primeiro emprego é aqui no Super Mercado Show De Bola.



Preciso de café.

Preciso de palheta sangrando o dedo, distorção.
Distorção esquenta as veias.
Distorção explodindo palhetadas toscas nas cordas mi lá ré e sol GOSPE laife. 


Destruição é apenas um palito de fórfi, destruição que deu uma ombrada no pessimismo, que não serve pra nada. 



Pessimismo, mais uma invenção estúpida, que recostado come aquele pastel de ricota com belos fungos na Avenida 1, Cynar pra acompanhar, copo americano com pus lavado em detergente vencido, mas o copo ali espera sem culpa, estacionadão no balcão.



Ando surdo de cego por uma rua na minha casa, cadáver, corredor lento passos, braço esquartejado pinduradão no lugar do boi,  o formol dizem que é cortesia do boticário, os passos são com os pés congelados, a próxima melodia que você escuta não é da irritação,  é apenas a indiferença arrancando blocos de lava por todos os poros paredes e perigos de merda.
Não, amigo. Deixa comigo.

Não, não paro de escrever.

E obrigado pela frase.

Eu não vou parar de escrever. 

Vou me autodestruir, craro. Das primaveras papai noel, a bicicleta sem freio em ritmo de devastação verbal das mais simpáticas, café forte munindo o sangue na tua boca, a alma dispara rápido o canhão de chutes na costela, cabeça, dos dias que poderiam ter sido, bem Bandeira mesmo, como era bandeira sua brasa ser vista zanzando na praça, era o verdinho, medo de polícia, racismo,  “tá na mente doutor”, e tinha toda essa encanação.

Como seria bom o autocontrole? Autocontrole utopia kids ou versão grindcore com love supreme, uau, mais erro que acerto, contingências e oxigênio, quanta coisa existe né? Tenho o poder de decisão divertido, torto e compulsivo e com um cruzado na negligência humanizadinha, essa merda de reações das pessoas, sotaques, sempre com seus egos em dia, ó, devo fazer isso, assim será melhor. Ah, ele pensa assim, tenho quase certeza. Ah, vá se foder, viver, VIVER antes de escolher hipotéticas inseguranças da vida, socorro, puxa logo o gatilho, titio.


Viver o presente, viver o inferno, viver o comprimido cócegas na hora de escolher vogal. Depende. Tem hora que é melhor viver só de literatura, outra hora de punk rock, mas temos bons escritores pô, vamos voltar lá pros cronistas, até o Hélio Pellegrino faz o vovô sorrir.
montanhas de papel surfite.
montanhas de paper surfite.

esboço agora amassado dentro da minha, eu estou assim mesmo; cuca tomada de amnésia ansiedade e polaridades esquisitóides, o cotidiano é pesadelão meio sessão da tarde.

Des. Desperdício, montanha surfite amassado, olha lá, o desperdício. Madrugada enxergo embaçado, é xanax em campo e a exagerada entrada lexotão no meio da briga, carrinho voraz, é uns mg aí de fortalecimento dementia né, depois vem o desejo de morte do fígado e aí o Dorflex recebe instrução à beira do gramado, alonga-se e entra com duas pastilhas pro jogo, o céu torto apocalíptico, mórbida boca seca cinza.




"Você fez escolhas erradas na vida. "

Um monte de cara que nos anos 80 e 90 era bem de vida, tomava scotch hoje sonha com um moletom de mendigo e uma moeda pra inteira da Vila Velha do Carvalho num triste copo americano.

Você seguiu lendo os caras, leu depois Clarice e curtiu


Riu dos franceses, do existencialismo sartreano em alguns momentos, assim como Kant é meio zanão pra vida do corpo. 


Abro a cabeça e não tem merda nenhuma aqui dentro, talvez um acorde A5 desafinado, se tanto.

muita surdez "ãn", abaixo a cabeça, não comprrendo, a orelha vive distorção e uma sensação toma o céu do meu próximo pensamento besta, que os bancos de praça estão soterrados, o último recanto epifania punkblues banquinho árvores e vida vão virar vagas, são muitos fofos esses novos estacionamentos.

sexta-feira, maio 12, 2017

pode apostar, Lindomar

confuso, vagabundo, folgado.

louco por futebol e rock and roll, aquele flamejante, conhece? incendiário, de libertação.

louco por literatura, dos craques nacionais aos gringos, sem academicismo mas sem bosta seller. 

falta-lhe 1 parafuso, disse Denílson. falta-lhe aplicar o modo gregário para alguns usos da chamada responsa social, mas, na grande maioria das vezes, ele é deselemento antissocial mesmo: com gosto, sem banho sem se importar pra nada, respeito por nada, foda-se, vagabundo e folgado, madrugada longa, trancado e respirando as paredes, todo angustiado.

algumas madrugadas são bem alimentadas nos filmes dublados com o Adam Sandler e o Jim Carrey. E o Eddie Murphy, porra.

Ele bebe gostaria que ficasse registrado: café sem açúcar. Lê Lima Barreto, gosta do estilão dele, do mestre Graça, do lado dedéu do Stanislaw - e ele sonha em gorfar fogo escrevendo, planeja de um jeitão demente e errático seu livro de contos há mais de 12 anos!

12 anos!

qual temática? 
vida adulta? 
desdobramentos insanos nos passos da violência urbana ou violência rural? 

incomunicabilidade bergmaniana nos porões russos da visceralidade ?

narrativa com trilha sonora focando objetos de espírito desanimado?

sorver a memória para grandes partidas num passado não distante de um futebol hoje tontão, robotizado? 

paginar a triste vida cotidiana de um SOLIOTÁRIO? quarto imundo de um adolescente véio sob nuvens de thc, ventilador gigante girando preso na parede enquanto o quarto abafado acompanha o leitor de Lima Barreto, aquele mesmo que joga trocentos ganchos nas injustiças sociais,  em brutal denúncia ante os abusos contra as mulheres em Clara dos Anjos?

E pra ouvir?

Ella, no vinil.

E?

Se ele ouve o que realmente procura, ele muda o ânimo pró pennywise, fica ligadão.

Mais café, mais café. 500 ml, no mínimo. Café, é até morrer.

E pra ouvir?

Hardcore. Blues. Blues. Punk Rock. Rock junkie, rock sujo. E um pouco de Cartola, às vezes. Sexta-feira mofando em casa, esteja acordado cedo pra trabalhar. Trabalho manual.

Mas voltemos à madrugada: mas é assim mesmo, com o violão procurando a canção coração café e lero com os amigos mortos, ele Lou Reed conversa bastante com eles, todos eles Lima Barreto, está escrito na alma - pode apostar, Lindomar.

quinta-feira, abril 27, 2017

VELHAS PALAVRAS


É, são as velhas palavras. Bailão, birutage, microfonia, tupá tupá, backing vocal cuspindo el fuego, pogo, mosh, folia fuzz frita sinapse - e aquele refrão, aquele refrão que leva você pra longe, mas bem longe mesmo.

São as bandas que todos os dias você ouve. Tem que ouvir, porra. Os discos que te deixam assim, Josias. Você fica animadão assim com o café recém passado, com Verbal Abuse na orelha, lendo aquelas linhas do Fante dentro da noite sem fim, lembrando de como os anos estão cada vez com suas bicicletas mais velozes, pedalantes, errantes, mas o sentimento que sobe no pódio do sossego é ela, a alegria. Alegria, taí. São as velhas palavras: rock porrada alegria loucura alegria loucura movimentação constante e o grande foda-se ao ato de gorar a brisa alheia: seja bem vindo o tanto faz, quem se importa? Alegria monstro, chapa chapéuzão. Cachaça dançando derretendo dentro da alma, Josias. Bailão, birutage, brodagem, três irmãos tocando punk rock até morrer.

terça-feira, abril 11, 2017

debilitando Podrão do Santos



ô tonto, você me pergunta que horas?
eu embarquei às 02:10 da manhã.
dizem que leva vinte minutos.
aí eu dou aquele rasante.
o tempo de espera?
Curto:  achei que era mais, mas são só vinte minutinhos.
eu não sei o que vai acontecer, talvez eu morra.
eu não. vai ser uma misturança de efeitos.
como um case psicodelicuzin com o phaser mandraque soltando faísca, aquele curto circuito diferente que nem é nada, só você que olhou errado.
passaram só cinco minutos.
esse trem é sedativo?
seda sobe o preço, vi gente chorando, que merda.
os tripulantes afirmam que os yankees afirmam é hipnótico, o trem.
hipnótico?
sequestro . sequestrada, ansiedade.
Brigando com o teclado aqui. Treta feia: maiúscula, minúscula.
Passa o tempo e vejo na bula: tem hipnose na jogada?
ouvi falar que você sempre riu de hipnose.
Riu do Charcot, ele tava lá tomando uma Canelinha no Big Bar. Lembra?
Charlatão da hipnose, tenho pena desses caras que aparecem no rolê, meio loser geeks, e induzem uma hipnose. Constragedor. A “vítima” segura o riso. Que truque tonto né? Mas porque tô falando isso?
Ah, era hipnótico.
Você viu na bula? Você acredita na bula?
Que bula?
Tamo no trem, maluco.
Meu coração tá parecendo um micro-ondas turbinadão.

Você pesquisa os sites sobre o assunto, os argumentos são bons né? os comentários,
você quer dizer. Você diz que vai misturar, essa viagem (agora são 02:17) vai toda
acumulativa no corpo né? Tomara que não dê mais sensação que você acabou de sair
do Rocky 3, mas se ajeita ae, o trem tá rodando. é só o brain.
é só a cabeça que escolhe os labirintos, os sentimentos são meio bêbados e orgulhosos,
sentimentos tem ego.
uns escolhem o outro trem que é mais leve e tem trechos de euforia.
vamos ver esse.
ainda restam doze minutos.


i wanna be sedated. pausa pra água, pausa pro mijão. nem fui mas já são 02:38. continuo pensando que escrevo, pensando que vivo. vivo pensando nisso, aí alguém me lembra que já tá no pente, é só acender, a madrugada não termina, mamute sedativo, é, proporção maior da viagem, relax, olha aí, mais confuso que o crente que viu a picaretagem pesada no culto, ou vai falar que você esqueceu? 02:39, lembra?

Eu espero acordes que não desistam de cocainar meu dia, mesmo quando já nasceu morto. Espero notas que não apliquem a tortura do t...