quinta-feira, setembro 07, 2017

ROCK NA ROÇA

O que me empolga numa cidade ananias são as pessoas.

A trutagem é o céu da roça, que resiste ao peso dos dias.

Caminhar, caminhar no ramones-sossego.

Tirar aquele rasante e ficar chegado das praças, saber qual é que é dos butecão from hell, e sempre trombar guias turísticos aqui e ali, sempre informais em sua simplicidade, beldos no entusiasmado de sua rotina.

Afinal, a roça só estrala quando fica toda chapadaça com a gana, o tesão de seus moradores.

Nem requer grandes estreias no Teatro Calcinho Costeleta de Lins, exposições experimentalóides de Chico Jeca, mas o rolê insano e supimpa a mil por hora rolando na poética dos bairros, na luz dos olhos da humildade do calor da convivência, cambaleante driblando qualquer ressaca.

O que me seduz é a farra no mercado, a piada-tirada-sacada rápida de portão, a barra forte toda lentonia, a senhorinha de sombrinha que desenrola o sol, abraça a alegria com as comadres, a energia pulsante nas calçadas velhas de guerra, asfalto guerreiro em seu discreto lirismo, pura maciota sambarilóvi do dia a dia emanando alegria.


Roça viva é bença, roça morta é lorota.



quarta-feira, setembro 06, 2017

Você pode pisar na merda fresca, que tá tudo certo - você vai chegar em casa vivo, e vai pra década de 70, ouvir Stones, discão Exile on Main Street pegando fogo nas paredes.

Você pode torcer o tornozelo pela décima vez, que ainda assim dirá foda-se, e poderá sob o thc-olê-olê-olá curtir Cramps, cantando junto.

Você pode ser assaltado por uma arma de brinquedo (contendo groselha) e experimentar o Taquicardia’s Park, que continuará respirando Ramones momentos depois – e, já refeito do choque do refresco, ouvindo Road to Ruin, vai rir de tudo bebendo água gelada invisível.

Você pode ter um amigo que odeia o carnaval, que continuará tranquilo quanto à essa afirmação, deixando ele reclamar à vonts, até o fera suar trégua.

Você pode vir com uma puta piada sem graça que continuará sorrindo feito besta, sonhando ter sido truta do Seu Madruga.

Você pode recorrer à possível desculpa da recorrente bipolaridade presente em seu cotidiano, que continuará tagarelão punk rocker enquanto a euforia dispara seu amplificador valvuladão também conhecido como voz.

Você pode reclamar que não é fã de azeitona, que
continuará irrelevante e sem propósito pincelando este comentário aparentemente inútil, portanto, foda-se a azeitona, campeão.

Você pode apagar uma frase secreta escrita a lápis num daqueles seus caderninhos preto, que continuará redigindo e apagando outros tantos garranchos rabiscados – rasgando no verbo a silenciosa madruga de Hell Claro.

Você pode achar que a pracinha do DAAE no período noturno é uma grande praia da amizade, que continuará correto em seu pensamento, pode apostar.


Você pode perder todo o ânimo, falir a reserva de otimismo momentaneamente, e com todo o empenho, assumir uma suposta velhice, mas isso é balela, não tem como recusar a bagunça fí, o rock paulera dançante, o barulho, o som, a vida.


quarta-feira, agosto 30, 2017

ANSIOSO

Quando moleque, com a sola do chinelo eu chutava o céu, eu tava curtindo as férias da quarta-série, zero preocupação na cuca.

No fundo de casa tinha um balanço. Tinha tranquilidade naquele oxigênio, naquelas cercanias do sossego. Entã era o balanço. Madeira, o assento. As mãos segurando firme a corrente, pernas pro ar turbinando sonhos de pirralho ansioso. Ansioso. Desde sempre, ansioso.

quinta-feira, agosto 24, 2017

Uma formiguinha de calça jeans, descamisada.  De voz molenga, solicita uma Kaiser quente, juntinho ao balcão da bravata.

Uma andorinha de raybanzão verde entra em cena.

Vai fumando aquele baseadão 40% já estralado, hell yeah - é fumaça é céu em cócegas - suspensa pelas arturas ela, a alegria, em estado folia-rasante, são três da tarde, você está no Aero Crube de Hell Claro.


E vem o Tortugas, quarta-feira - o exército from Jamaica reunido, anos e anos de brodagem, todo mundo de cabeça feita, pra chinesinhos red eyes caírem no esquemão piada gargalhada, tão sossegada a levada, e ela, gargalhóvisky gargalhante - a gargalhada que ecoa lesada, que ecoa rocambolesca pela belda madruga de Hell Claro.


Saudade estralante no peito, aqui. Forte.

Ontem, eram palhetadas pra baixo, fúria, que me deixam vivo visceral i'm the BASS, o sangue empolgado da caveira aos pés, o pé gelado vez ou outra, a perna suando frio debaixo da coberta, as boas melodias do Face to Face que o pessoal fala “melódico demais”. 

Enfim, punk rock é viver e tomar sete litros de café num gole só!

sexta-feira, agosto 11, 2017

Eu espero acordes que não desistam de cocainar meu dia, mesmo quando já nasceu morto.



Espero notas que não apliquem a tortura do tédio. Espero antes aquelas com promessas de vibrarem na positividade total, espirradas pelo recinto numa levada sambarilóvi.

Espero notas reais, que esbocem verdadeiros sorrisos alma adentro, alma afora, porque não existem semáforos, fronteiras, linhas divisórias, só o desejo, invencível.

Espero alguma nota corajosa, que se levante diante do óbvio, que me faça ser mais animadão, otimista num mundo de lama e lorota.


Espero acordes que não tenham medo da repetição, que empolguem meu cabelo, minhas orelhas, espero aqueles acordes que te levam aos lampejos pra bradar de peito aberto, “porra, vamos fazer isso agora?”.


Espero aquele refrão incendiário, talvez escondido dentro daqueles livros que pretendo escrever antes do paletó de madeira triunfar.



quarta-feira, agosto 09, 2017



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É a manutenção.

Tem que seguir, avante - sem medinho, porra. 

Arapuca nasceu? Vão nascer sempre piores.

Saber olhar em perspectiva mais sambarilóvi?

Não. Tem que enfrentar, sofrer - o ringue do risco e da loucura nos espera.


quarta-feira, agosto 02, 2017

voadores



Por favor, gentileza: mais uma dose dessa languidez. Mais uma dose lânguida e precisa, em camadas de vento tão leves, breves. Esparramado aqui dentro da mente, esparramado e mais uma dose dessa languidez que vizinha da volúpia ataca, passado presente futuro, céu vermelho, céu de sangue, mas não há resquícios de salvação, redenção e essa sintaxe toda.

Os lânguidos estão trêmulos, uma coisa inútil, tão verdadeira e dilacerada. Crescem, tomando entre as esquinas dos esquecidos seus porres melancólicos. Então, o quarto escuro, o corpo deitado.  A mente exige o holofote em off,  o botão mute, mas não haveria porra nenhuma.  Como cegos e inconsequentes gestos malcriados, languidez e perturbação começaram a disputar o bingo da desgraça, instantes desnecessários erguiam-se trágicos. Pensar era difícil.  Dentro de alguma cozinha alguém provocaria uma desastrosa cena de ovo e pele queimada na altura da barriga, mas o fogão é apenas alguém que vai ficar parado quando você morrer.  Estouros entre neurônios, pouco antes da despedida.


O calor é forte agora, rebato o frio sem explicação, não existe apartamento da frase pronta nesse bairro simpático, esculpido cegamente em lama e escondido lirismo, que logo você vai atender a campainha e não há ninguém. Mas o vento uivando nas cortinas que nunca vão aparecer, a mente como metralhadora agora focando o fogo, olhando o confuso horizonte pelas ruas de Riverside. Como um pogo, como uma roda punk devastadora em Americana, o ano era 2000 e barra forte, poça monstra de sangue no chão de um concerto espetacular dos ingleses voadores do GBH.

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terça-feira, agosto 01, 2017



Cidade calma. Calçada morna, pés avante - pisando na maciota,slow down, cimento, calma aí na hora de atravessar a rua, Celsinho. Olhar pros dois lados, mas o olhar sempre é o da esquerda, não tem jeito. Pode pá. Agora sim. Não vá ser atropelado novamente.

Quando você precisa de café, pra combustão. Pro enfrentamento. A Cássia fala para a sala sobre o novo misturador de concreto. É, acabou de chegar. Novidade no mercado. Alguns puxam conversinha paralela, são três alunos que tão pouco se fodendo. A teacher sente desleixo escorrer do teto. Então, a Cássia olha torto. Um deles já se ajeita, liga o desconfiômetro e fecha o bico. Mas a duplinha continua tagarela. A Cássia vai zoiando torto, ergue o braço. Estica, indicando rua com o indicador, dedo presença.

Cabisbaixos, os alunos pagam de loucos. Ela grita. A dupla vaza. A aula continua. No recreio vão todos pra lanchonete Balzac.



quinta-feira, julho 27, 2017


Fabrício Lúcifer tem nojo da vida. Seu pai não venceu o diabetes. 

Quando a alma sucumbe, Fabrício quer o ódio.

Fabrício Lúcifer tem nojo das pessoas.

Fabrício Lúcifer execra o sol, as nuvens. Se visse alguém sorrir agora, esboçar alegriazinha, cuspindo fora esta visão estaria.


Tudo é superficial.


Efêmero.


O calendário é um lixo numerado com nomes imbecis, um lixão pendurado aí na porra da sua parede.


Você quer ficar perto de pessoas inteligentes?


Ó, vem cá, vamos iniciar um debate? Chame aquele porra daquele Otário de Carvalho que eu acerto um tiro no meio daquela testa de velho brocha dele.


Não adianta negar o terror.


Tudo está ameaçado. Mais uns graus e o planeta vira paçoca.


Enquanto você lê isso, acidentes espalham sangue na pista da indiferença, envolta ou não em calafrios.


O triunfo da fraqueza viceja, radiante nessa grande interrogação banhada de retardada inquietude, deserções e os mesmos improváveis atrativos de uma vidinha feliz.



Cuidado, a frivolidade vem com juros e frases feitas


Acordo sem saber em que porra de planeta estou. Abro os zóio sem abrir, meio escuro, meio dia: constato meio lesado – é, o dia nasceu meio merda.
Merda à vontade, self-service pra todos, fila indiana, otário.


Enquanto o céu GOSPE laife, suas invisíveis bravatas de araque, alguém está esquartejando dúzias de inocentes bem longe do seu narizito.



Enquanto o céu GOSPE laife, uma velhinha bem ceguinha está numa iluminada sessão de refrescos, ela está levando uma Pepsi pra casa, com ajuda de Ivan, crachá torto na gola pólo, dezoito anos firmados em abril, seu primeiro emprego é aqui no Super Mercado Show De Bola.



Preciso de café.

Preciso de palheta sangrando o dedo, distorção.
Distorção esquenta as veias.
Distorção explodindo palhetadas toscas nas cordas mi lá ré e sol GOSPE laife. 


Destruição é apenas um palito de fórfi, destruição que deu uma ombrada no pessimismo, que não serve pra nada. 



Pessimismo, mais uma invenção estúpida, que recostado come aquele pastel de ricota com belos fungos na Avenida 1, Cynar pra acompanhar, copo americano com pus lavado em detergente vencido, mas o copo ali espera sem culpa, estacionadão no balcão.



Ando surdo de cego por uma rua na minha casa, cadáver, corredor lento passos, braço esquartejado pinduradão no lugar do boi,  o formol dizem que é cortesia do boticário, os passos são com os pés congelados, a próxima melodia que você escuta não é da irritação,  é apenas a indiferença arrancando blocos de lava por todos os poros paredes e perigos de merda.
Não, amigo. Deixa comigo.

Não, não paro de escrever.

E obrigado pela frase.

Eu não vou parar de escrever. 

Vou me autodestruir, craro. Das primaveras papai noel, a bicicleta sem freio em ritmo de devastação verbal das mais simpáticas, café forte munindo o sangue na tua boca, a alma dispara rápido o canhão de chutes na costela, cabeça, dos dias que poderiam ter sido, bem Bandeira mesmo, como era bandeira sua brasa ser vista zanzando na praça, era o verdinho, medo de polícia, racismo,  “tá na mente doutor”, e tinha toda essa encanação.

Como seria bom o autocontrole? Autocontrole utopia kids ou versão grindcore com love supreme, uau, mais erro que acerto, contingências e oxigênio, quanta coisa existe né? Tenho o poder de decisão divertido, torto e compulsivo e com um cruzado na negligência humanizadinha, essa merda de reações das pessoas, sotaques, sempre com seus egos em dia, ó, devo fazer isso, assim será melhor. Ah, ele pensa assim, tenho quase certeza. Ah, vá se foder, viver, VIVER antes de escolher hipotéticas inseguranças da vida, socorro, puxa logo o gatilho, titio.


Viver o presente, viver o inferno, viver o comprimido cócegas na hora de escolher vogal. Depende. Tem hora que é melhor viver só de literatura, outra hora de punk rock, mas temos bons escritores pô, vamos voltar lá pros cronistas, até o Hélio Pellegrino faz o vovô sorrir.

ROCK NA ROÇA

O que me empolga numa cidade ananias são as pessoas. A trutagem é o céu da roça, que resiste ao peso dos dias. Caminhar, caminhar n...