terça-feira, maio 19, 2009

Assistia tevê sozinho, fumando um fininho. Batia, devagar, o desenho animado, na mente elétrica. Se se pode por os cinco dedos no rabo dum pintcher? Besteira. Fechou os olhos. Nada de dor. A tevê soltava duas vozes. Havia a voz do desenho animado: legal, bacana, interessante. Não tinha tanta certeza se a segunda voz era real. DEVAGAR. DEVAGAR. Era o Cid - numa textura anasalada, nada sexy. DEVAGAR. É melhor experimentar - disse a Baleia, no desenho animado. Dona Baleia e Vaca Gorda tiraram a tarde pra comprar umas botas. Festa. Festa. Adoro. Odeio festa, essa porra cheia de insetos pedantes segurando copos, preocupados com melogios, elogios, mugidos. Com medo das reações alheias. Com as roupas que escolheram com carinho e olhos. Para John Ruskin a escolha de uma cor representava uma posição moral. Acho que ele precisava de pequenos flashes. Proust mantinha na cabeceira o Ruskin. Precisava ler o Ruskin, repete, bolando outro fino, agora na BALI HAI. A Vaca Gorda escolhe um colar apertadinho, de bolinhas de mendorato. Nexo lógico, congratulations. Sem a presença das vírgulas no vasto branco da minha desreal sinceridade não há maionese, a organização musical nos contos de Faulkner, outra digressão inoportuna. É o último fino, prensar até a morte.

3 comentários:

  1. um gordo fumando é um rinoceronte segurando um caralhinho de neve.

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  2. eu nunca vi um racalhinho de neve.

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