sexta-feira, maio 22, 2009

BEBÊ SEM ROUPA

Na infância, ele escapou da mordida de uma jumenta. Na juventude, pegava a ceroula emprestada de um líder estudantil para ir com ela amarrada no pescoço até o baile da nona série. Todos estavam nus na festa, que durou dois anos. Foi salvo de permanecer mais tempo graças ao ex-cunhado.


Bebê sem roupa vai até o baile; com massagem ou sem massagem, intima a recepcionista, simpática. Meu Deus, como ele é bonito. Bebê sem roupa ganha gominhas de mascar. Ganha autoconfiança. Esse ministério não funciona porque ninguém quer se confessar com o sacristão, disse o padre. Querem resolver direto comigo. No outro da sala: o que importa num dicionário, além da qualidade gráfica, é a preocupação com a atualização, diz o professor, gramático e dicionarista, um dos mais conceituados do país. Bebê sem roupa vai até o quintal. Atrás dele, um arquétipo de dona-de-casa de cortiço demonstra suas proezas sexuais sendo triturada em pé, por trás, por um rapaz albino, todo tatuado, todo verde limão. No balanço, uma criança ilustrada, apalpando o seio esquerdo com leveza, nua – Bebê sem roupa a derruba do balanço. No chão, a criança ilustrada come grama. Calça para que? O Bebê sem roupa sai às ruas sem camisa e pernas de fora.


Na infância, ele não liberou nenhum hormônio associado ao stress. Quanto mais as pessoas morrerem, maior será a energia economizada.


2 comentários:

  1. Desde os dois anos, ingere drogas?

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  2. ow, mario, eu quero ignorar mas nao consigo: que porra mais doente foi essa?

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