quinta-feira, julho 30, 2009

CAPRIOLI - PARTE 1


Caprioli gostava mesmo era de zombar das emoções humanas. Seu pós-niilismo-maionese agradava Joelma. Tiveram um coito, contudo. Após o gozo, coitado, sobreveio a dor de barriga no Caprioli. "Nunca comemorei meu aniversário, sempre tive dor de barriga". Joelma deitada com o lençol cobrindo-lhe as mamas, meio lânguida, meio resignada: "ahhh..." Ele nem ouviu: "Pronto.Passou.Vou embora."

Duas semanas depois, Caprioli se enforcava com o esguicho no quintal da casa do cunhado, o Clércio. Joelma varava madrugadas lembrando da noite da dor de barriga. "Dor de barriga lazarenta", repetia, fitando o teto azul do céu do quarto. PErdia-se num elo de nuvem de rivotril com melancólica nostalgia. Era uma solteirona xerox. Começava a ter nojo de miojo agora. Caprioli só rangava miojo.

Na verdade, chegaram a ter um namoro de msn. Nada sério, afinal Caprioli era nada sério. Ela sentia o cheiro do pai no suspensório dele. Jamais viu o office boy sorrir, e por isso nada de gifs descontraídos. Até que um dia, arrumando talheres desengonçada e de lero com o armário, pensou em Otávio. Sim!

Otávio era bem mais gente fina. Sabia jogar basquete. Então Caprioli foi embora junto com a sopa: papel higiênico-descarga-sabonete. E agora, hora de escrever aquele email? TALVEZ.

Foi escutando Men at Work que discretamente ela pedia notícias. Três siriricas depois e já dormia, toda torta, o cabelo ruivo babava esfacelado, em pandarecos extremos,sebosos.


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