terça-feira, agosto 04, 2009

BOA NOITE

Desde os onze, Saulo se habituara a cheirar cola no Horto. Depois da session, com o bafo e as mãos grudentas, narrava ao pai, esclerosado, o montante de suas idéias, projetos com a sacolinha em mãos. O velho, palmeirense fanático, afundado na poltrona, de roupão, ouvia e borrava as calças. Anástica limpava-o. Era uma gentil empregada palitinho de uns setenta anos que dava os conselhos para o Saulinho. "E ae pai, Ademir da Guia?" gritava Saulo, não dando trela para a matusquela. Depois apanhava um cigarro, acendia-o ao contrário e beijava a testa do velho.

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