sexta-feira, outubro 02, 2009

COZINHA


Janjão aproximou-se da porta. As chaves tilintando no bolso da Levi's. No braço esquerdo, a mão esquerda. Segurava firme o litrão de Velho Barreiro. "O JANJÃO DOIDO!" gritou o vizinho. "ONDE QUE VAI COM ESSA" - Janjão fechou a porta.

Toda vizinhança sabia. Todo santo dia, ali pelo meio dia - ou um pouquinho antes de escurecer, o relógio paquerando às seis - Janjão saía: com a criança respirando dentro da sacola do supermercado Frolini, Janjão saía. E o sorrisão grudado no rosto não havia.

Assim que chegou na cozinha, "DANIELA!" - Janjão recua, confuso. Daniela estava de top preto - baixinha, bunduda, loirona e peituda - encostada, relaxada na pia... Acendeu um cigarro. Jogou o fósforo no chão. Janjão acendeu a boca do fogão. Havia água de salsicha, ali. Então Janjão abriu o litrão, sem pressa. Serviu duas doses. Houve o brinde. Houve o acasalamento. Depois, Janjão esfregou com força a cara de Daniela na panela. Havia mais água de salsicha?

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