segunda-feira, outubro 19, 2009

é bom que se diga


Era uma noite de verão simples. Humilde, como o brinde entre a saudade e o adeus. Era uma noite boa para a cidade. Estava eu encostado no bar da estação, empunhava meu copo americano. Rua 1. Estação Ferroviária. Memórias reluzindo em ziguezagues não-assustados. A raiva havia saído para um demorado piquenique no Horto Florestal.

O Braquiara, atrás do balcão, ouvia cansado as mesmas histórias. Era um bom ouvinte. Braquiara: puta sujeito gente fina, Dave Grohl de Rio Claro, caboclo verdadeiramente parceiro, armado em coração sambarilóvi. Lembro-me de altos porres que - bom, vamos mudar de sinuca.

Eu bebia meio ogro, meio angustiado. Sabia que ela ainda me amava. Mas eu precisava mudar algo no meu jeito, meu impulsos - não sei. Mas será que precisaria mudar mesmo? Porque eu mudei. Eu mudo muito. Faz tempo que não podemos viver um sem o outro.Priscyla, eu te amo.


Minhas orelhas, reluzentes de pinga, então, pararam. Houve tiros. Confusão generalizada pelos arredores, o caos vestiu o paletó do rubor. Interminável gritaria que castiga qualquer céu. Vozes agudas do medo, aqui, aqui, ali. Policiais achando-se valentes e estúpidos. Traficantes, tais quais nefandas sombras armadas - guilhotinas incansáveis, disparando a própria fragilidade. Levantei-me. Bem devagar. Matei o conhaque. Paguei a conta. Sequer lembraria-me do desfecho daquela alvorada.

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