quinta-feira, outubro 22, 2009

PERIPÉCIAS NA RUA MALAQUIAS FÊNIX


Tava rolando aquele namoro tranquilo, na maciota pride. Júnior era mais velho. Tinha mania de enfiar as mãos nos bolsos. Será que procurava Deus? Respostas otimistas em espanhol? Melodias do Exodus? Não se sabe. Já a Claudinha era mais novinha. Cinturinha fina, chiquetosa. Classe.Ele não. Gordo e careca e com vinte e dois na barrigona. Ela com vintão, não usava óculos. Tá certo.

"Por que você não quer me beijar?" pergunta ela, sábadão, quatro da tarde, tédio e calor grindcore na roça. Júnior dá de ombros. Com garra, fúria, energia, coloca as duas mãos nos bolsos. Ela quer gozar. Precisa. Ela quer sonhar e superar cada sonho com outro mais legal. É. Quer pirar com bilau e grana. Júnior não retira as mãos dos bolsos. Bermudão tecktel gringo, rapá. Preto sisudão. "Me beija, Júnior". "Não, Cecília". Ela coloca as pequeninas mãos em volta da cinturinha e vira o Max de sutiã: "Cecília?????". "CE-CÍ-LIA?" Ele pensou na caloi Ceci azul da irmã, old school pra caralho - e sorriu levinho, cínico pra caralho. "Tô brincando, baby". Deram as mãos. Destino: sorveteria Pagos. O beijo rolou na xaninha dela, minutos depois. Ela não gozou. Terminaram a transa. O namoro virou fumaça.

No dia seguinte, ela precisava prestar contas. Puxou a mãe e listou idéias, riffs, velhos sentimentos, gestos e atos. Acabaram se beijando na cozinha. Na boca? Sim. A mãe era uma espécie de Cláudia Raia com cérebro de cajú. Súbito, Júnior aparece. Aproveitou a porta aberta pra pegar a ceroula da noite passada,e vendo a cena... acabou que brincou com o cacete e enrabou as duas. Ele gozou fera e eufórico roubou um disco do Gentle Giant da mãe da pequena. Ex-sogra também é negócio.

O ódio da Claudinha aumentou nervosão. Soube depois que Júnior trocou o vinil por um fardinho de Bavaria com o Biluca, banger desdentado da rua Malaquias Fênix. Claudinha entrou na sala dando voadora. Com contagiante serenidade, Júnior desviava dos golpes. "Eu saio com sua mãe sim e apesar dela ter mais bafo que você, tem um suíngão fodido". Claudinha torcia as mãos, torcia as mãos. Começou a chorar, de um jeito miojinho, petitico. Júnior não teve dúvida: enfiou as duas mãos no bolso da calça de moletom cinza claro.

Um comentário:

Eu espero acordes que não desistam de cocainar meu dia, mesmo quando já nasceu morto. Espero notas que não apliquem a tortura do t...