terça-feira, julho 27, 2010

EDUARDO GALEANO


Comprei ontem "O livro dos abraços", do Eduardo Galeano. Já de cara topo com esse trecho matador (não preciso nem dizer de qual escritor me lembrei ao ler essas linhas!)


Celebração da subjetividade

Eu já estava há um bom tempo escrevendo Memórias do Fogo, e quanto mais escrevia mais fundo ia nas histórias que contava. Começava a ser cada vez mais difícil distinguir o passado do presente: o que tinha sido estava sendo à minha volta, e escrever era minha maneira de bater e abraçar. Supõe-se, porém que os livros de história não são subjetivos.

Comentei isso tudo com José Coronel Urtecho: neste livro que estou escrevendo, pelo avesso e pelo direito, na luz ou na contra-luz, olhando do jeito que for, surgem à primeira vista minhas raivas e meus amores.

E nas margens do rio San Juan, o velho poeta me disse que não se deve dar a menor importância aos fanáticos da objetividade.

- Não se preocupe - me disse. - É assim que deve ser. Os que fazem da objetividade uma religião, mentem. Eles não querem ser objetivos, mentira: querem ser objetos, para salvar-se da dor humana.

Um comentário:

  1. belo trecho, totalmente fascinante a colocação, bela postagem MARIONES ...o blog vai virar meu point agora, reduto da literatura alternativa e verdadeira.

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