quarta-feira, novembro 24, 2010

BURN MY EYES, MARIDO DA CLOTILDE


A queimar os olhos. Tão forte a dor, gritava a plenos pulmões, o ódio, GRINDCORE, perto do meio fio. A brasa - a brasa lhe consumiu tão rápido, a mulher, o filho aleijado. A queimar os olhos, o corpo esmorecendo, tombava de lado, como cocô. A voz não: o pulmão de gelo, o grito espelha-outono-trevas, ardia a tarde. A queimar os olhos: queimava junto, túmulo, os ouvidos do céu desbotados; desaparecidas as almas austríacas de 1920, o vento não se acalma, o grito, a angústia acelera, o mundo retoma a dor, arrefecimento não basta. O grito brota, carrega a órbita, a queimar os olhos.

O corpo descia, queda perpétua. Não pára. Queda livre. Ele não pára de cair. Ainda ouve a voz que tinge a calçada. Percebe a redoma das almas, dissolvendo-se em pranto: numa mesa ricamente servida, o velho homem sem pressa engole os olhos queimados, desperdiça o arroto.

Um comentário:

Eu espero acordes que não desistam de cocainar meu dia, mesmo quando já nasceu morto. Espero notas que não apliquem a tortura do t...