Sexta-feira, Janeiro 20, 2012

53.



Pedro Salsicha subia lentamente a escada. Sentia-se defeituoso em tudo, e a escada também não aprovava sua presença. Sentia-se ridículo, como se uma versão masculina (?) da cantora(?) Ana Carolina, à beira da morte, tivesse subitamente seu momento mínimo de lucidez e percebesse então toda a verdade. Riu desse fato sem sorrir, subia mais depressa. Seu desejo era subir sem parar. A vantagem de tudo isso é que eu não consigo ficar ainda mais constrangido, mas não. Exagerava as imperfeições. Sofria à idéia de estar grotesco. Disse a meia voz para si mesmo: é só eu não me reconhecer a cada segundo. E pisou firme, grave. Explodiu o degrau seguinte com o pé canhoto: foi parar no colo de Antonieta, imensa porpeta dona de duzentos quilos.

A vagina abriu-se quase em seguida, e ele tragado, se achou na presença duma fita vhs. Conferiu de perto pra ver se era lançamento: “Jurassic Park”. Não conseguia compreender de onde lhe vinha esta vaga emoção que agora o fazia andar com as intenções do olhar cada vez mais improvisadas, até que estacou. Avistou uma enorme estufa, contendo algumas brilhantes empadinhas, servidas, bem bacanas. Parecia que entrava numa vida nova e encantadora. As empadinhas, deliciosas, garantiam que agora ele tomava posse de novas empadinhas. A carne da garganta cintilante, a carne que faz o pescoço parar em pé. Somente uma empada e o andar calmo, apertou a campainha, serviço SKY.

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