Pedro
Salsicha subia lentamente a escada. Sentia-se defeituoso em tudo, e a escada
também não aprovava sua presença. Sentia-se ridículo, como se uma versão
masculina (?) da cantora(?) Ana Carolina, à beira da morte, tivesse subitamente seu momento
mínimo de lucidez e percebesse então toda a verdade. Riu desse fato sem sorrir, subia mais
depressa. Seu desejo era subir sem parar. A vantagem de tudo isso é que eu não
consigo ficar ainda mais constrangido, mas não. Exagerava as imperfeições.
Sofria à idéia de estar grotesco. Disse a meia voz para si mesmo: é só eu não
me reconhecer a cada segundo. E pisou firme, grave. Explodiu o degrau seguinte com o pé canhoto: foi parar no colo de Antonieta, imensa porpeta dona de
duzentos quilos.
A
vagina abriu-se quase em seguida, e ele tragado, se achou na presença duma fita
vhs. Conferiu de perto pra ver se era lançamento: “Jurassic Park”. Não conseguia compreender de onde lhe
vinha esta vaga emoção que agora o fazia andar com as intenções do olhar cada
vez mais improvisadas, até que estacou. Avistou uma enorme estufa, contendo
algumas brilhantes empadinhas, servidas, bem bacanas. Parecia que entrava numa
vida nova e encantadora. As empadinhas, deliciosas, garantiam que agora ele
tomava posse de novas empadinhas. A carne da garganta cintilante, a carne que faz o
pescoço parar em pé. Somente uma empada e o andar calmo, apertou a campainha,
serviço SKY.



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