Era um lixeiro que apresentava uma série de unhas encravadas
no currículo. A mãe, sábia cozinheira, reprovava sistematicamente o lado
descuidado do guerreiro. Tão hábil com as mãos e tão burro com os
pés. Sentada em sua velha cadeira de balanço, navegava por memórias tingidas
dos mais variados tipos de frieiras que o filho colecionara na época do ingresso
no castelão. Mas rapidamente a velha lembrou que o filho era sim um cara
bacana, principalmente porque não se metia nos assuntos dos outros.
Mas será que unha encravada é sinônimo de sapato mal
escolhido? O certo é que mãe e filho dividiam um barraco no Jair Oscar, com a cadelinha de nome
Marciana pilotando a bronca numa caixa de papelão. A ferinha róia sempre os novíssimos
sapatos que o gari suava pra pagar, ferinha no mocó da madruga. O lixeiro preveniu a mãe que faria
estrago com o dog caso aquilo se repetisse again. A mãe, sem se alterar,
levantou-lhe a saia (adorava caçoar assim), enxugou os braços no avental e
disse friamente:
- Meu filho, vai tomar no cu...



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