Quinta-feira, Janeiro 26, 2012

ERRO 234.


Murilinho adorava contar pros amiguinhos sobre os preparativos. O eterno aniversário "vai ser numa chácara", até hoje infesta a memória daqueles provincianos enferrujados, sempre presenteados com palavras tão merdamente insustentáveis. 

Na véspera da grande festa, esbaforido e sem lavar o cu há duas horas, Murilinho levava na alma o sassarico ai que vontade de fazer xixi o banheiro é logo ali três quadras, porque indagava-se quem realmente viria daqueles badalados novos amiguinhos de internet. 

De olhos fechados no puff pensava que a grande noite traria tudo que a porra de vida que levava jamais lhe oferecera. E pensava no esquéletico Mick Cinturinha. O amigão de erva, que tanto o irritava por seu cinismo e consumismo yogurty. Fumavam altas perninhas de grilo nas noites de quarta-feira, e entre uma bola e outra, Murilinho se achando lindo - bufando de alegria, surgia na folia sonora em queda livre: "é sua vez amiguinho!!".

Examinando seus joelhos com ineditismo,  as unhas completas em sujeira verde musgo, socava o rosto dentro da geladeira - então abria gavetas do armário por abrir, pirava se perdendo em pares de meia desconexos, mas sempre apressado, mas sempre Murilinho, então tornava a sair, decidido, o cu assado. O molho de chaves, onde? Um, dois, e enroscava a chave no portão, dava meia volta, ria alto rô-rô-rá, e peidava sem querer, daí então se melava ao mesmo tempo que se arrependia de algo sem volta, isso é patético pra minha idade, cambalhotas eternas do ressentimento, peida e inventa que não trancou a porta e os ladrões vão levar tudo, meu lápis, ou era visto blasé em suas lembranças dos últimos dois meses , com Mick Cinturinha falsamente lhe pedindo em namoro. Murilinho precisava de limpeza de ânus agora. 


Procurando ph em algum canto da casa, no segundo plano da cena podemos ver sua irmã de dezessete anos, que de perna aberta no sofá, pórvis-largadona peludona a fuça da Dilma, arrisca tudo numa siririca braba . De repente, a campainha póim e o Mario Bros entra currando o Pokemon, Murilinho abre o guarda-chuva, dando ordens, exigindo atividade, por uma oncinha pos uma negrona pra viver de cansaço, faltou água na rua, o pessoal mais íntimo foi tirando a roupa - mas só no começo da festa, depois os nus tornaram-se cult, porque meia noite umas trinta e poucas pessoas no espaço de uma sala de tevê pra 4 almofadas um sofá e uma família global, fora o pitbull, se espremiam e se entupiam de narcótico lá do Maranhão - meia noite e um! bem na hora que os empacotadores do Pantoja foram entregar as compras (excepcionalmente num horário diferenciado) a negrona já com os braços moídos, que saiu pra cumprir o serviço e atender os moços caiu dura na varanda. Houve corre-corre sob a luz omelete do velho e traquejado poste de iluminação daquele bairro desgraçado, arrobas de preocupação grudadas no piso frio, litros de trupicos, alguém perguntou o número do disk denúncia pra peludona, calafrio em todo o corpo do Murilinho, que agora estava careta de tudo. Mick Cinturinha, que afivelava as malas pra fazer seu book em Milão, deu linha pra sempre; Valdir acendia sua charuleta de responsa no banheiro dos fundos, pra afugentar o episódio da criança estrábica de quatro aninhos lágrimas de pus, anda! anda! ela tá falando alguma coisa!! SAI DA FRENTE!!, uma menina-moça de lencinho no pote formada em Sociais gritou e ninguém deu a mínima. 

Nenhum dos amigos de internet apareceu na hora da festa, só a porra daquele gótico caipira, sem carteira, que novidade. Cerrando cigarro do Cinturinha, precisava urgente de um Halls ou um sabonete, ao passo que o Valdir,  espertão, mapeou todas as garrafas que davam pra serem tungadas na caruda. O velho truque do farol na surdina e a polícia chegou, cortesia do vizinho maçom; o pm mais travadão de pó chutou todo o mata-rato do gótico, e por fim os atletas do bem levaram preso um grafiteiro sem imaginação e uma puta gorda de cabelo ruivo cacheado. A irmã fugiu com tesão na Cláudia Raia enquanto a crianciña soluçava na onda errada do Valdir, liga pra Jão de Campis, Valdir procurava o careta pós beck, e ainda que a água não voltava nem o bom senso do inédito discurso bicho grilo, Murilinho queria MOR-RER,  pensou que até numa Fiorino daria pra fugir dali sim. Olhando de cima pra baixo, dentro dum dirigível da Pepsi,  você aprecia larvas tão sensuais perdidas naquela rua da pequena Rivers, pessoinhas que imóveis não rejeitam o seu cantinho, até mesmo na hora h,  quando um vidaloka que fazia a casa ao lado arrancou uma 765 e mudo o elemento meditou, a polícia perdeu seu veterano capitão, pá-pum, agora enterrado sem cabeça, o nosso funkeiro do crime vazou, inalterável, pulando muros sem luvas, por alguma estrada fodendo com o paraíso do vermes, onde brota a vida no jardim das delícias, ou vocês pensam que ele foi se esconder em algum porão  Analândia? Inalterável ele permaneceu os vinte km subsequentes, antes de perder toda pulsação a máquina de agitação escancarou sua boca.




erro 234: minha atenção seguiu um bando de palavras desgovernadas e imbecis numa noite em que o tricolor paulista venceu o Oeste, na casa do adversário, por 3X2. 03:40 da madruga, e é uma merda o fato de que vou dormir poucão tonáite.

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