Segunda-feira, Janeiro 16, 2012

FITAS


Essa conversinha de “eu vivia duro, sem grana”, de autoindulgência bolinho de sarjeta dá pra estourar num filmão de sessão da tarde; eu também não tenho nenhum amigo formado em Turismo.

E eu vi de perto a cena: James preparou a corrida, os dedos curtindo os orifícios, o polegar concentrado, um dois três e pronto, o pé torcido, o amigo gemendo de dor em pleno Shopping Center, andar inferior. O rapaz que bebia seu Campari, a poucos metros dali, estava sossegado no balcão. Sequer riu daquela típica cena esdrúxula de um esporte imbecil. Plá: strike. Ó...parabéns....Morrendo de dor, mancando como Moisés mancaria antes de pentear ao meio o cabelinho aquático da terra, player James buscou logo o toalete. Enquanto uma criança defecava, paredes brancas e tristes, o desastroso James enchia a napa de cocaína. Volta zeradaço pra pista, com peito de pombo. Não gosta de camisa gola pólo, reforça a tese ao passo que dispensa o uso de carteira. Guardava a grana toda mal dobrada  no borso. Notas de cinco no flanco esquerdo, as acima de dez pila eram no esquema destro. Ele era bão da nota, por isso vivia como vivem os otários: acordando pra morrer.

Enquanto isso, Julinho curtia na maciota seu fliperama do Frankenstein.Ali mesmo. Eu arrumei briga com alguém por algum motivo besta; James interviu, cuspiu na namorada do sujeito. Voaram copos de plástico, a polícia chegou mas já estávamos bem longe dali. Ninguém correu da confusão. Fomos expulsos. Julinho largou o jogo no meio e o recorde do game sob a batuta de MarcondesFG.

Dali uns dias, James teve de se contentar é com a perda do seu pé direito. Um gigantesco caminhão das Lojas Marabraz trucidaria tudo que é osso, nervo, pele tornou-se pasta e hoje ele manca até pra pedir uns biscoitos na padoca. 

Helena, sua atual esposa, adora dizer: “perna biônica de pernambuco, azul, produção industrial”. Ninguém liga para o James, ególatra mimado, que se jogou do décimo terceiro andar na terça-feira. No dia do enterro, lembrei que devia oitenta reais e três livros do Camus que eu vendi no sebo do Félix . Julinho preferiu se entregar ao bilhar com Francieli, ali mesmo na rua 3, ela menor de idade e viciada em crack. Eu vomitei todo o café logo na saída do velório.


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