Segunda-feira, Janeiro 23, 2012

O CABAÇO DA BALEIA

Enquanto pensava nisso e me surpreendia com a evidente astúcia da Mafalda, as mulheres tinham-se posto a masturbar o velho na cama. Saltitavam ao seu redor, apenas de biquíni, eletricamente absorvidas nesse exercício. Cada uma delas introduzia-lhe no ouvido algum gemido, pequenos sussurros ou mesmo um rápido comentário picante.

O velho não estava em desacordo, mas sentia um bocado de cócegas, e era visível um pedacinho de feijão pendendo-lhe do beiço. Mafalda, tão balofa, cheia de si, chegava ao máximo de excitação. O espetáculo irritava cada vez mais era o senhor Paulo Maluf, ainda que não conseguisse deixar de contemplá-lo. O nobre político levou os braços aos céus, e riu da própria pizza; parecia imerso numa sudorese em transe, num terno caríssimo.

Mas por que o velho não se defendia das cócegas? Doutor Paulo se aproximou da cama.

- Deixe as mulheres trabalharem! O vovô é paralítico - gritou Mário Covas.

Maluf recou em silêncio até o meu lugar. Eu fiquei quieto. Eu era apenas um repórter a serviço do SBT. E as mulheres não paravam com suas atividades. Irritadas porque o velho não queria manter ereto o pênis, mexiam-lhe também nos olhos, e as narinas eram cutucadas. O período das cócegas aparentemente parecia ter caído fora. Agora imperava outra espécie de molecagem das pequenas. O velho encarava o gesto com ar carinhoso, não era paralítico porra nenhuma.

- Meninas, limpem direitinho o nariz! Mafalda ordenava e bolinava os bagos de Mário Covas que, de pé, vestia casaca. A úmida leitoa era a proprietária do pico e comandava a folia noite adentro. 

De repente, o velho soergueu o tronco e cuspiu no rosto de uma das garotas; levantou-se uma segunda vez e cuspiu na outra, porém sem sucesso.

- Não cospe, velho arrombado!! - Mafalda gritou, e começou a manter relações pré-matrimoniais com o tucano, ali mesmo, num dos aposentos mais respeitados, na verdade o único disponível no recinto.

Sem abrir a boca, voltei a sentar-me junto à porta de entrada, e não fiquei entrevistando o doutor Paulo Maluf.

Instalei-me num táxi. Comecei a pensar o migué: "desonesto, Maluf prometeu a entrevista, mas quando notou que tratava-se da filial de Maremópolis, recuou". Não consigo mais acessar o blógue do político.

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