Segunda-feira, Janeiro 30, 2012

PRA SEMPRE PALÉDSON


Adílson e Carlos Gérson conversam em frente à residência do último. A prosa flui marota, calma, leve, com pausas agradáveis e audição mútua. Os sujeitos são trintões e apenas zombam do bigode da mulher do Valdemar. Tudo está bacana, numa boa, até que um trapo humano resolve dar as caras: o oportunista aborda a dupla sem cerimônia; deve ter uns vinte anos e cacetada, mas aparenta o triplo.  Está bem trajado de sujeira e, completamente descalço e arrombado, cheira a carniça no ponto.


- Dá licença nas ideia ae, posso olha o carro?
Gerson interrompe a prosa, visivelmente menos irritado com a solicitação do que com a súbita intromissão. Adílson respira pela boca.
- Cara, poder você até pode, mas eu não quero.
- Ô tio, eu olho pro senhor, na moral memo...
- Bicho, desencana.
- Então, deixo dar uma lavada no vidro vai.
- Não.
- Ô loko, tá tirando...
- Meu, não pedi pra você me fazer nenhum favor e muito menos me encher o saco.
- Tá certo, tá certo... Deus é justo. Deixa com ele.
- Deus é justo e você é surdo.
- Ae, é um assalto.
- Hahaha, que?
- Aqui ó

E o sangue pintou as pedrinhas, e as rodas do velho Fusca agora são Flamengo.




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