Sábado, Janeiro 28, 2012

UM ROLÊ SINCERO : RIVERS, 27 DE JANEIRO DE 2012


Merda. A chuva castigou a náite de sexta. Estamos na lanchonete do Rato. 

Nas palavras do Velho Marinheiro, aqui hoje presente, "O Rato é um lugar fera". Point bacana pra rangar, curtir um little agito e mapear ideias, estamos numa turma pra lá de agradável: ao todo somos sete, e ninguém bebe, tá todo mundo saudável e bonito na fita.

De cara, uma coisa que vale a pena checar aqui é o cardápio. Na lista de bebidas podemos beber e curtir uma "Sagatinba" por módicos cinco paus. Temos também a "Cairpirinha de Maracujá", por R$8,50. Tá massa.

Velho Marinheiro puxa o tom da roda, gesticulando pra caralho num carisma fodido - e Jennifer ficará em casa, diz uma mensagem fresquinha, chuva que lhe deixa um bocado caseira.

Chuva e frio, o pessoal de touca respirando fedido por toda Rio Claro. Agora tô numa nice, abocanhando com muita maionese meu pastel, que é de calabresa + queijo. O pastel é show. Curti. Cadê a moça do pedido? A música ambiente é terceira idade gls.

Levanto e faço o pedido. A moça parece zombar de mim, como se eu fosse um retardado mental. "Porque você se atrapalha", me diz a pessoa mais importante da minha vida, que está sentada a minha direita. Tudo isso ao som de um cover acústico do Supertramp. Opa: Jennifer na linha. Questiona se a chuva proporcionara uma pequena trégua. "Ela vai vir". "Você pediu outro pastel?" Barquinhos saiu pra fumar. A namorada de Mr. Rainbow também, enquanto nós divertidamente conversamos sobre assuntos pequenos porém ilustres.

De jaqueta jeans, desprovido de seu habitual óculos (que lhe dá notável ar de supremacia poliglota-maiden), o Velho Marinheiro distribuiu risos fáceis, risos feras e distintos. Chega então sua cairpirnha grama vermelha de sapêculê com saquê. "Meu Deus", Mr. Rainbow fica entusiasmado em níveis demoníacos: é que uma reluzente e parça porção de bacon fritas mais cheddar abrilhanta as nossas três mesinhas de madeira, dispostas lado a lado, numa proposta amiga, ao mesmo tempo que mágica. Aopa. 

O novo pastel chega e pouco depois é Jennifer que dá o ar da graça. A primeira cerveja rola seguida dum brinde magnífico: os copos americanos elevados agora parecem despistar a chuva. O headbanger tricolor mais gente fina de que se tem notícia está na área, barbudo e cabeludo é claro que falo do Cabelo.

Foram chegando várias galera; foram juntando-se ao nosso grupo velhos amigos, eternos comparsas de tempos antigos. As mesas agora piravam enquanto quarteto, Tim vestia preita preta do Motorhead e antevia a chuva estorvando o churrasco de amanhã; deu um longo gole e concluiu que o melhor a fazer era esperar, beber e esperar. O Velho Marinheiro discorria sobre memoráveis fitas, quase sempre tendo no enredo astros do passado da teledramaturgia nacional. Barquinhos também é mestre em falar de novelas sem parecer bicha ou viado. "Ano passado eu fui na formatura da galera de Ipeúna", prosseguia o Velho Marinheiro, todos falavam empolgados no sincero rolê, o assunto agora paira sobre a decepção brasileira frente a Holanda na última Copa. Onde você estava nesse dia? Estava sóbrio? Eu e o Cabelo relembrávamos o golaço de Luís Fabiano, enfim; quatro mesas desalinhadas, perto da garoa morfética lá fora, invencível.

"Bagulho é eterno né velho, o Chaves". Concordo positivamente com a cabeça, Cabelo mais uma vez está certo. "Fudido", conclui o Velho Marinheiro. E a festa contava agora com treze pessoas, sem hora pra acabar.



               membros do rolê: a seleção do Elevador Branco em ação 

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