Quinta-feira, Janeiro 19, 2012

VALUSKA MALUCA













Depois, de repente, remexendo no bolso da velha calça jeans, tirou uma frota amiga de moedas de 25 cents, apanhou o isqueiro, colocou-os na frente de Valuska e em tom sacana soltou:

- Pode ficar.

E seguiu. É que não hesitava, botava o peru pra fora e mandava Valuska trabalhar duro. Pela tarde, bebia Corotinho em baixo de árvores. Era época das tardes de praça e sorvete no palito. 

Bruno Lóque tinha um amigo farmacêutico, o Gabrielzinho. Comentava com o quebrada que jamais quis ser jornalista, e sequer teve um radinho de pilha na vida. Não ficava estupefato por pouca merda nem bajulava ninguém não. Gabrielzinho mandava ele calar a boca, porque essa história que ele ganhava a vida roubando umas tiazonas em noites trêbadas de travesseiros ensebados era tudo papinho de merda. Lóque sorria, na pele os poros ardiam como vulcões marotos; acendia seu Eight com classe e dizia que seu palco nobre era a maldade.

O que acontece é que da noite pro dia Valuska virou Vagner. O negócio mudou de figura, e o Lóque não entendeu mais nada, disse que não era com ele e sumiu do mapa. Vagner o convidava prum choppinho, pra bater uma bolinha, via sms. Negativo. Nenhum retorno, créditos aparentemente desperdiçados. Agora era difícil encontrar o Lóque. Deu perdido até no Gabrielzinho, que vira e mexe lhe emprestava uns trocados. Vagnão foi ficando enfezado, mas desistiu de matar o lover quando trombou na praça Dimas, toda jogada e esparramada, ali no solo perdida, sem berço nem pátria, uma página vital de sua vida. Profundamente perseguido por grossas lágrimas, agachado abraçou o Corotinho, coberto em soluços.

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