
Depois, de repente, remexendo no bolso da velha calça jeans, tirou uma frota amiga de moedas de 25 cents, apanhou o isqueiro, colocou-os na frente de Valuska e em tom sacana soltou:
-
Pode ficar.
E
seguiu. É que não hesitava, botava o peru pra fora e mandava Valuska trabalhar
duro. Pela tarde, bebia Corotinho em baixo de árvores. Era época das tardes de praça e sorvete no palito.
Bruno Lóque tinha um amigo farmacêutico,
o Gabrielzinho. Comentava com o quebrada que jamais quis ser jornalista, e sequer
teve um radinho de pilha na vida. Não ficava estupefato por pouca merda nem bajulava
ninguém não. Gabrielzinho mandava ele calar a boca, porque essa história que ele
ganhava a vida roubando umas tiazonas em noites trêbadas de travesseiros
ensebados era tudo papinho de merda. Lóque sorria, na pele os poros ardiam como vulcões marotos; acendia seu Eight com classe e dizia que
seu palco nobre era a maldade.
O
que acontece é que da noite pro dia Valuska virou Vagner. O negócio mudou de
figura, e o Lóque não entendeu mais nada, disse que não era com ele e sumiu do
mapa. Vagner o convidava prum choppinho, pra bater uma bolinha, via sms.
Negativo. Nenhum retorno, créditos aparentemente desperdiçados. Agora era difícil encontrar o Lóque. Deu perdido até
no Gabrielzinho, que vira e mexe lhe emprestava uns trocados. Vagnão foi ficando enfezado, mas desistiu de matar o lover quando trombou na praça Dimas, toda
jogada e esparramada, ali no solo perdida, sem berço nem pátria, uma página vital de sua vida. Profundamente perseguido por grossas lágrimas, agachado abraçou o Corotinho, coberto em soluços.



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