Quinta-feira, Fevereiro 02, 2012

ERRO 591



Tony Douglas chegou logo ao campo. No relógio de pulso: dez pras oito. Respira Tony. De novo? Calma. Relaxa. Sentia-se uma bosta, para a insegurança irromper em confetes axé bahia no seu ânimo. Deram ao seu aspecto racional tudo que é trauma, e tão picolé de granito, uma adolescência sem fliperama. 


Calma. 


Checou o lugar, a fauna, num 360 bem paloso de covarde. Não conseguia nem olhar por campo, de tão ansioso. Os torcedores, vestidos de sanidade, desconheciam o que era o sabor de suar frio sem necessidade ali naquela noite bacana; o batuque onipresente o estádio feliz aos outros, os velhos amigos empolgados, a torcida em polvorosa mongolice inocente que Tony tanto respeitava picava o cartão ponto do plausível. Ali Tony era gringo, e trabalhava náuseas espertas, o estômago cansadão pedia pause, fica NORMAL, não, não vou pra Santa Casa nem fodendo, me dá um remédio forte...respira...

Levanta a cabeça que melhora: é o céu negão ou um blazer da labirintite? O som oco do momento grito de guerra antes do ínicio era o que rangia como uma enxaqueca congelante inspirando todos seu próximos movimentos. Aí ele nem pedia licença, precisava se mexer, desvia das mãos das crianças que é rolo, encrenca, será que tô com pinta de esquisitão, Tony Douglas procurava estar só, nada de oi e tapinha nas costas, fora de cogitação até um jóia de relance pro seu Everaldo, ex-chefe memorável da Brás Cabos .



Calma.


Qualquer pensamento dava lugar a calafrios que ele sabia, no fundo, eram mentirosos; Tony Douglas começou a tossir, velho sintoma da fraqueza, sempre que tossia tossia umas duas quatro vezes. Frações de memórias inúteis em campo, dentro do seu nariz apita o juiz, lembrou-se do enorme espirro que lhe premiara: porçãozinha servida de ranho na mão direita, logo na hora do almoço no Restaurante Excelsior.

Oito e quinze. Virou-se pra vasculhar as arquibancadas superiores. Encontrou mais insensatos girocópteros da noia compulsiva, tossiu alto, cóóffe risca brilha enxerga suas libélulas rasgando o rolê em teletransportes vagos, sumiu  e as bandeirolas magrinhas num bambolê boqueta. Uma senhora de gorrinho, cinqüentona e gorda, o estranha: “tá tudo bem?”. Ele se autocomanda: “tudo”. A velha se sacode, friozinho né, tudo pra acender um cigarro fedido pra cacete. Foi o que bastou, não gostava de fumar nada perto da mãe. As orelhas descobertas de um, as da velha aquecidas, os polícia de penico na moringa de bunda pro campo, não pisa em nenhuma mãozinha, agradece os portão de saída, agradece, esquisitão o caralho, os gritos que se escondem no céu serão roucos, se apagam, oito e vinte. Acendeu tão rápido o mesclado que ali mesmo voltou pra casa. 

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