segunda-feira, fevereiro 27, 2012

RIVERS, 25 DE FEVEREIRO DE 2012


Não tem jeito: preciso dessa pausa heróica. Trata-se de estacionar a alma para apreciação do tradicional enrolado de presunto e queijo do bar da estação. Dei sorte: a parada acabou de sair, crocante e explosiva, pedindo maionese.

No passado, aqui a maionese era servida em mágicos tubos. Agora tudo mudou: os tempos pedem pequenos sachês.

- Pra comer ou pra levar?
- Pra comer, porra.

O Braquiara, que é a cara do Dave Grohl - só que pinguço e com anemia - já não trampa mais aqui. Em seu lugar, uma atarracada moça, corpulenta-bolonhesa e flertando com todas as borracharias do mundo no compasso da cintura. Veste na fartura do boi um avental branco simprão, com arrobas e arrobas de mau humor. Abre nem um pouco dengosa uns pacotões de cigarro chinfrim - e agora a fera se concentra numa caixa de papelão da famosa Balalaika. Pronto: uma puta sem botox dá o ar da graça, com as maçãs do rosto bem peludas. Só que a mulher é um homem, que na verdade é um cara-tiazona. Ultrapassando o balcão, procura o banheiro, pra tentar rolar um cocozinho. Ao fundo, o sucesso  "o ar é paixão", que fez a alegria de muitos cabeleireiros e manicures nos anos 90.

Termino meu refresco e os dois salgados, pago a conta, pego a bicicleta e me despeço da rua 1 com a avenida 1. Velha rua 1, humilde terreno da pequena Rivers.


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