sábado, março 10, 2012

NEUSINHA INFELIZ


O horizonte ali era passar na Outras Histórias Sebo & Livraria. O sábado, pela manhã. O Jhonny por lá. Conversas sobre escritores, pessoas conhecidas, trâmites sutis em ideias agradáveis. Como sempre me sinto bem naquele espaço. Redescubro aparentemente que preciso trabalhar, meio dia esteja pronto, soldado.

Espírito de plantão. Não há folga por hoje. Cumpro dois no mês. Este é o segundo. Maquiavel sorri. Volto pra casa. De bicicleta. Então a chuva começa a estilhaçar o varal da Neusinha, em algum canto do Nosso Teto. Crise, porque ela anda com a irritabilidade avançada. Crise, porque ela não sabe o que é sexo há mais de trinta rodadas anais. Era como se engolisse três fardos de areia, cada um pesando sete arrobas. Que desastre, a chuva corta, a cicatriz na bermuda comprada há decadas na loja Pelicano, na velha rua três. A boca de Neusinha espalha areia pelo sofá, a face do rei Bob Carlos precisa de mar.


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