quinta-feira, junho 21, 2012

CHOVE FORTE NO CORAÇÃO DE RIVERS


É bacana esta épica faxina. Tranquilo, reverencio a chuva que traz de camarote todas as vozes do estádio Azteca na final da Copa de 70. Aopa, é claro, todas as gotas são molhadas e sinceras: porque o Papa gosta de jogar Nintendo DS quando a chuva simplesmente abastece o Vaticano.

E lá se vão embora bolores, zicas, enfermidades junto ao meio fio, recebe o esgoto novo fôlego e automóveis baleados ganham refresco. Chove forte no coração de Rivers. O telhado da casa da Dona Adália exala hidrofolia, numa espécie de alegre rain therapy  entre a avenida cinquenta e quatro e a rua dois. Enquanto isso barquinhos de JC  partem em direção à novas e craqueiras peripécias respaldadas pelas noiabas lembranças da Vila Bisteca.

Esse clima é ótimo para fornicar, diz Helinho aos amigos de trabalho (Engefórceps). Essa faxina épica promove paz aos ladrões, agora amistosos e desanimados, e uma sinfonia de cafunés para os amantes. Na reconfortante e onírica alcova, limpinha e quentinha, a morte sofre de dor no dente sob o barulhar pluvial. Essa saraivada de water despenca também a cobrança de urgentes dívidas, e então traficantes tornam-se santos pacientes ao passo que o apressado motoqueiro sofre com água entrando-lhe pelas botinas. Chove, chove, vamos dormir com chuva que é esquema, meus amigos.

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