sexta-feira, julho 06, 2012

Boca x Time do povo


Amigos, na noite de ontem aconteceu a finalíssima da Copa Libertadores 2012. Disputando a segunda partida da decisão, estavam em campo o time do povo e o Boca Juniors. Como o primeiro jogo terminara empatado, quem ganhasse levava o caneco. Em caso de empate, teríamos  prorrogação e, se o empate persistisse, disputa de pênaltis.


A partida teve como palco o glorioso Pacaembu, um estádio que em termos de relevância para o futebol é como o Bon Jovi para o rock and roll.

Bastante ridicularizados por nunca terem ganho uma mísera Libertadores, dentro de campo o time dos populares se esforçava muito para reverter este importante tabu. Penaram, correram pra chuchu. Foram acima de tudo guerreiros, diante do temido rival argentino. 

E a torcida também fazia sua parte: os fanáticos bonecos de arquibancada até o final deixaram seu lado emocional vir à tona, distribuindo originais gritos de guerra  e brincando muito com sinalizadores e enfeites artesanais. Quando a televisão focalizava de perto alguns destes seres, era possível ver com exclusividade expressões comoventes e humanas, digamos que ali a tensão e as flores do nervosismo exibiam com requinte seus melhores trajes de gala. Porque a marca registrada desta incrível torcida, letrada e elegante, é a sutileza. 


E sob os eloquentes brados desta empolgante massa shakesperiana, de modo impressionante os jogadores respondiam em campo: era correr ou correr feito um filha da puta, pra evitar que suas mães fossem sequestradas, os pais tivessem as orelhas decepadas, e os sobrinhos  por escolados meliantes em trajes alvinegros gentilmente estuprados. Os jogadores que haviam treinado exaustivamente a semana toda para jogar defendendo (com o bumbum pra dentro do gol) até hoje temem servir de alvo destes simpáticos torcedores. Não é raro chegar ao estacionamento e encontrar seu veículo totalmente apedrejado. Isso não é bacana. Também não é saudável ter de emprestar quinhentos reais a força para aquele primo ou irmãozinho ir comprar leite pras crianças. Mas voltemos ao "jogo". O primeiro tempo foi mais chato que os filmes do KINO-OLHO. Até craqueiro velhaco exibiu uma série de cochilos.  O jogo ia morno, a família do juiz não corria perigo, enfim, este resultado levaria a peleja para a prorrogação.

No entanto, ao invés de Riquelme e da equipe do Boca voltarem os mesmos do vestiário, houve uma pequena alteração para a segunda etapa. Quando o juiz apitou, eram bolinhos de arroz que rolavam por ali. Na condição de bolinhos sônambulos, deram um show de trapalhadas. Pelos buracos do Pacaembu, esbarravam entre si, eram trombadas de arroz  aos borbotões, os bolinhos estavam perdidos, como se apertados para urinar, não soubessem ao certo para qual toalete adentrar. E então depois de uma das tantas cochiladas dos bolinhos, eis o fato: um a zero para o time do povo. Haveria reação? Difícil. Minutos depois foi a vez do zagueiro Schiavi, de um metro e noventa e um, e duzentos e sete anos produzir o melhor passe de todos os tempos.  Entregou de presente o gol para o jogador Emerson, velho conhecido da Polícia Federal. Assim, chegou ao fim este fantástico Desafio ao Galo: não foi desta vez que o Boca levou pra casa sua sétima Libertadores.



Schiavi, o garçom da noite.

4 comentários:

  1. belo texto, sobretudo pelas menções ao kino olho e ao bon jovi. senti falta de algumas linhas sobre o goleiro do time do povo, o greg, grande amigo do chris, do seriado everybody hates chris.

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  2. haha, valeu Barquin! grande abraço!

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  3. vocabulário muito pertinente. vou ver os replays do duelo, pois isso me cheirou a cartolagem do mais alto calibre, meu caro. O time portenho foi vítima do dindim que corre nas veias do futebol esmerdeado que existe atualmente.

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