segunda-feira, julho 23, 2012

POTES DE IOGURTE


Que estranho: potes de iogurte! Alguns sonham com café, eu sonho com iogurte. Todas as noites vou a uma espécie de loja de conveniência. Não estou de pijama. Tampouco nu. Entro extremamente avante. Errante confundo-me, porque é difícil descobrir o lado correto de abrir a geladeira. Toda vez que erro, tenho de esperar. E lá vai o pote de iogurte: amolecido, com as mãos o aprecio. Há luzes amarelas acima da minha cabeça. Eu não quero ser assim, tão noiado em iogurte. E o pior é que não descobri se é sorvete, tudo isso, como sempre. Terça-feira o Velho Marinheiro dissera que sonhara com os Jogos Olímpicos de Barcelona. Em 1992 eu tinha onze anos. Época da quinta-série. Agora vivo a época dos potes de iogurte. A palavra pote é mesmo engraçada: para alguns é o lugar da face, ocupa o reino das idéias, centro absurdo de vontades. Quantos iogurtes estourados, eu sonho com potes de iogurte todas as noites.

Chegará o dia das pipas? O firmamento agradece: aos domingos pipas rasgam o celeste Santa Elisa, dos subúrbios de Rivers crianças nascem como feras voadoras.E ultimamente os potes de iogurte, mas por sorte meus sonhos são muito fodas mesmo.


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