terça-feira, setembro 18, 2012

#1



Mó tempão sem escrever por aqui. Não escrevo por aqui mas escrevo no meu livrão de borso, capa preta, indústria nacional, caneta desvario, chão quente derretido de loucura em quartzolit tube - enquanto a insônia amadurece, as linhas fervem, derretem o solo todo vermelho, e entre curtas notas e contos rápidos, eu permaneço. Lobisomens de Rivers, garfo e facas vivos em São Francisco de Berma, alamedas de Salubre Dreams, a roça está com um calorzão dos infernos explodindo cento e oitenta mil almas.




Época de eleição, mesma história. Todo mundo pidão pra caralho. Todo mundo peidando promessa, soltando fagulhas de companheirismo bacanóide. Massa. Foda-se. Vou pro estúdio com a banda. Gravo "Pedrerage Sessions". Esse é o volume 1. São oito pauladas. Estamos entrosados. Na chapação do take do domingão maluco, erros e improvisos - tudo menos pedidos de desculpas e soluços.



Voltando de Pira, Feira Alternativa na Estação. Som do Anguere. Boa banda. Rapaziada firmeza, som fodido, crunchão, metronômico, bons riffs, o minimalismo destrói, eu digo. Feira do Vinil, Confronto Discos - salve Sadao! consertar amplificador, corre de cubo, show, ensaio, disco, pedais e pedais, válvulas, Keith Richards picotando Ronettes em 63,  a nova geração nem ao menos vai de ódio nem que for descafeinado. Tudo pronto. Toda informação brocha plus ali no talo, fita k7 is dead, my chapa.


Desempregado, no seguro desemprego blues, inspirado em café e Rivers, na patroa e no rock ingrêis, mudando tudo em casa de lugar, mudando de vida, dando porrada em todo mundo, chutando o sofá de Deus, fliperamas novos, paciência com eco negrão e suspenso no sorriso de Lúcifer, sangrentamente cultuando os sons com real punch, real soul , james gang ovo cozido, humbuckers e sanduíche de gasolina, sangrentamente atravessando a avenida Visconde do Rio Claro loucão, de berma e assassino, sem um puto no bolso, chinelão dilacerado uma ova rapá, convulsões desfeitas em sorrisos, travadão respiras tu maxilar, macabrão bond do blues eterno da discórdia, tijolada na boca do palhação, tumultuando mais que falta de ópio na vida vegetal dos mortos, enquanto límpidos ranhos abrigam o tempo seco, elegem o catarro como muso do tempo zuado e estação sem fundo de realidade, sovacos peludos tingidos de ruivo, mulatas que nunca ouviram John Lee Hooker, e eu descubro quanto mais formidável é a porra de estar vivo de prima bicudando o estragadão zóio do infinito, eu e meus camaradas, eu e my soul, que meu negócio é trintão de Whitman e exagero do Nélsão, Bon Scott segura o mic e delira, o caos prolongado num acorde chucrão, nóia, lento e sabbathico, hordas de insetos picando o ânus da mediocridade nas igrejas cheias de cabelos lotados de pus, torturante é ter paciência com flanelinhas liars do dissabor, como o bafo de rolha de qualquer sapatão metida a sapatão, e os orgulhosos são tão orgulhosos! Puxa, que coisa legal comprovar algo, retificar, ajeitar o corpo, desajeitar o cabelo, peidar dentro do carro, comprar uma moto e mostrar pro posto de gasolina, deserto. Adeus, nada: nuvens de cachaça sem árco pra mim, Imensidade Blues, amanhã é terça e vou explodir sempre a ansiedade, tão recorrente, água?



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