sexta-feira, outubro 19, 2012



Maldita tortura. A injustiça vestindo as asas do mais non sense dos desperdícios. A angústia não pisa no espaço dessa manhã de sexta-feira, ela ergue é seu imenso distúrbio, tão voluntário, tão inconsequente. 


Quase seis  horas da matina e a dor baterá em sua porta hoje, novamente, eu sei. Alguns idiotas reducionistas proliferam suas bostas em leigo palavrório: são as ondas cerebrais oscilantes. 



Sou a dor corroer cada nova fibra daquele estrangulado cadáver espalhado na alma em seus restos desconcertados. Sinto que estou sonhando com nada, somente a podridão na carne me acelera: estou espancando o ringue sem lutadores, ecos transpirantes da própria raiva ao redor. E da raiva vermelha, cerrados pulsos, e dessa raiva vão ladrar em cada corner outros tormentos suicidades. Rios de nóias do outro lado. Rios de nóia na minha outra metade. 



Eu quero derrubar qualquer muro de concreto que ouse torrar meu saco nos próximos instantes. Porque quero aquele céu: o meu céu. Atiro-me pra debaixo do inferno, ainda que com a saudade envolta em raiva,vermelha. Eu me derrubo em direção ao seu encontro, mas você saiu para o desdém. 



Maldita tortura, insaciável. Ainda acordado, esperando a chuva dos nosso abraços inenarráveis, mas é como se tudo dependesse do prosseguimento dessas imbecis chuvas de desencontros desnecessários, inesgotáveis, olheiras gigantes. Em gotas erráticas, eu sinto os dedos perderem qualquer quartel dos movimentos: irracional, racional, pouco importa. 



O ringue está com a iluminação vermelha, como se escurecesse mais, o sangue em poças desiguais, eu avanço, é de cegar e cegar qualquer alma que nunca amou alguém assim, não há saída  hoje, meu amigo, valente parceiro do coma induzido.



Somos todos herdeiros da EUTHANASIA. Que porra, contemplativa amargura, espremo as veias dos braços, você foge, você foge, e ninguém vai notar que esse desencontros de frases são frases. 





Existe algo aí na geladeira, bem fácil? Tem uma banana, fora dela. Os falantes contam com Hendrix, mas nada de vocais. Desligo o som. A angústia num silêncio interno sem piedade martelando todos os meus pensamentos.  E o ringue vermelho: o piso raiva sangue. 



Ódio aos desencontros totalmente evitáveis da existência. Capotes. Ligações desastrosas. Não há culpa. Há saudade. O verbo sensível acabou em  Ruído. Transmissão explosiva, negligência. 



A harmonia agora é uma tensa e arisca lata de crack repousando no brusco corte do me ouça, não desisto.



O homem previsível é o homem morto. Aos olhos dos outros sua poesia será sempre invisível. Ele é o golpe calculado, gesto premeditado, galeria arquetípica banal. É o funcionário dos correios remetendo o óbvio, com frieiras nos olhos, sofrendo desolado como um bancário farto da ulcerada artrite, - sombra banal, rasa melodia de Pense Bem, é fácil decorar-lhe as falas, os sonhos de um homem sem reação em versos brancos, singulares - é assim que lhe evitam,  aquele é um homem morto, incapaz de surpreender até o mais lento dos seres. 



O âmago subjetivo, a garagem toda, fora-lhe retirada, às pressas, uma mudança estilhaçada, móveis desprezados no processo, parafusos são ignorados. Esquina do desespero contínuo, à berlinda, à mercê, os fatos que inexistem, catalogados friamente. O processo histórico, o "vilão", até sua aparente incoerência é bocejante, as probabilidades são vulgares as repetições hercúleas, uma múmia terá mais sabor de novidade. 



O homem previsível, e o pesadelo a sugerir-lhe o simples descompasso, atravessado, afinal coma induzido não é tão forçado assim como as previsões lhe abraçam.

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