quinta-feira, novembro 29, 2012

É preciso renovar?



Você não precisa ser muito esperto pra perceber que dúzias e dúzias de 'bandas' nascem todos os dias para infestar as redes sociais com lixo e lixo mal reciclado. 

É só pescar um nome de merda no gúgol e pronto: arrumamos um motivo pra existir. Forjamos um padrão sonoro batido, nada manjado, e pronto: temos uma banda novinha em folha. 

Agora é correr sem senso nenhum de timbre e intuição, tascar uma gravação digitalóide sem alma e bingo: conseguimos! Vamos tocar por aí e divulgar nosso som. Somos "alternativos', somos "underground", o meio independente é nosso berço, blá blá blá. É só vender qualquer merda e boa, o ouvinte é burro mesmo...

Mas será que é preciso generalizar assim, Bliss James?

É sim. Nos tempos de teenager nanicolina espiritual e cerebral brazilóides indieotas circus, com raras e boas exceções, o que temos é uma ampla diversidade de nada e falsos porques elevados ao óbvio, causando enorme desprazer ao sagrado coração da música  e sua vizinhança chapa quente aqui na terra. 

Faça o exercício. É só rodar um pouco e apreciar: são os mesmos meninos da mamãe de ontem pedindo sua atenção! Sim, e com belos cabelos dentro ou fora do boné pedindo votos pra tocar na FM, ou gravando dvd ao vivo na igreja do irado Tio Tetão!  São os justiceiros do amanhã com seus arrojados trajes encarnados em  contradiOTÁRIAS ideologias de quinta série (bravos guerreiros engajados em frente um monitor, sem ao menos saber nomear um deputado ou discorrer sobre política com o mínimo de sensatez), são os tipos que "pescam raridades", são os fodões de passeatas muito radicais, meus amigos. 

E então: valeu a pena o exercício? É claro que valeu, porra. São muitas bandas originais pra se ouvir, não é mesmo? E a música? Ah, isso aí é mero detalhe. 

Mas espere, como eu poderia me esquecer? O que dizer dos novos analfabetos sarcásticos júnior e dos fabulosos niilistas de araque? Também não podemos nos esquecer dos californianos bons de briga, dos imitadores do bem, e daqueles que vendem-se com aquele discurso engraçadão, a típica playboyzada ociosa sem senso do ridículo - todo mundo felizão no eterno veraneio do patético. 

Por essas e outras, James Brown, Howlin' Wolf, Jimmy Reed. Só esses três por enquanto, que hoje é quinta-feira e daqui a pouco radiante o sol explode na velha Rivers.

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