sexta-feira, dezembro 07, 2012


Naquela época a diversão era matar um saco de balas de iogurte em poucos minutos. O que importava era ser imbecil na vida e na escola, inventando com alguma demência palavras bestas pra tentar explicar o sentido da natural  elementar idiotice humana. Naquela época o que importava era diversão em proporções destruidoras, mesmo sem ter em campo míseros trocados. Escassos, nulos,  recursos financeiros em coma, além de qualquer  possibilidade de usufruir de veículos automotivos. Naquela época era impensável ser do tipo que se amarrava em colecionar relógios de pulso (?) ou ser um sujeito tenso correndo pra não perder uma aula 'super puxada' de artes marciais. 

Às vezes apareciam algumas revistas Ações Games no rolê. Às vezes também éramos derrubados por notícias que permaneceriam cravadas na triste baía da memória: como às sete e quinze da manhã daquela triste terça-feira, em que o gorducho Milton gaguejara com o tenebroso anúncio de que poucas horas antes assistira um de nossos colegas de classe ser brutalmente esfaqueado- e aos catorze anos, sem qualquer plausível explicação, o esguio Josias fugia do mundo real.

Final dos anos noventa. Lembro-me com certo pesar deste evento. Uma vez um grande amigo emprestou-me um cd duplo do Judas Priest. Acho que era o Live Meltdown. Ripper Owens nos vocais, aquela coisa de novos ares e tal, e muita gente colocava pra rolar Burn in Hell e deixava ela no repeat; até carrinho de hambúrguer na rua catorze sacudia com esse som. Pois bem: infelizmente devolvi o material depois de uns meses e os discos estavam todos riscados, mas não foi por mal. Eu não sei o que aconteceu, mas foi catastrófico, perda total, com leitura zero para qualquer canhão laser da época. Entretanto, os anos tiveram que passar com este detalhe capenga, e aparentemente nenhuma mágoa restou do episódio.

Enfim: essas notas, meus amigos, fictícias ou não, são escritas enquanto a MGM transmite o Poderoso Chefão.

3 comentários:

  1. Depois que o Mariones perdeu os CDs alugados na Laser no nome da minha mãe, nunca mais frequentamos o lugar...

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  2. Dia desses eu fui até lá e acertei com o João a pequena dívida, que durou alguns anos!

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Eu espero acordes que não desistam de cocainar meu dia, mesmo quando já nasceu morto. Espero notas que não apliquem a tortura do t...