sexta-feira, dezembro 27, 2013

tosco tonto

depoimento do Dick Djalma: eu não sei dançar. meu quadril é duro demais. esqueceram de me oferecer gingado no bailado do pós parto. eu não tenho o mínimo senso do que seja "molejo", "swing", "balanço". minhas pernas são duras demais. e meus pés? meus pés são lentos e pesadões, compostos de chumbo e cimento megapesadão. eu sou atrapalhadão e desprovido de coordenação motora mínima. e de mais a mais, também não simpatizo com valsa. não sou acostumado com danças. passinhos. coreografias. além disso, sou formado em timidez. sou um completo idiota e me amo, gosto de punk rock podre, mais cadenciado ou rápidão. começo a dançar em círculos, vou formando um ansiosa caminhada em pequenos círculos, esferas de poder, não preciso usar os braços, eles não são alavancas - apenas vou formando minhas bolas invisíveis no chão, meio ovais, meio podres, e gasto energia coloco endorfina no pote da satisfação. eu vou pogando do meu jeito, torto todo tosco tonto.

quinta-feira, dezembro 26, 2013

se você não se alimentar, a inanição solta-lhe um jab no rosto. se você não comer, você não consegue atravessar a rua da diversão, se você não se alimentar numa mastigação sensata, você fica mole e bobóide enquanto a noite aparece vestida para matar - mas você pode se alimentar - comendo umas duas bananas, tomando duas metrópoles de água gelada. enquanto isso, vê a família curtir uma comédia leve na tevê, o horário de verão amplia o bocejo do sol, e você ouve Carnival of Sorts, comecinho do REM. Depois na tela os comerciais aparecem não-agressivos, anunciando os filmes das dez e meia, os filmes de daqui a pouco - e o REM prepara Radio Free Europe pros seus ouvidos baterem palmas e curtirem uns passinhos sincopados na marotagem, é hora de andar de chinelos em alfa na alameda da tranquilidade. não se preocupe com farmácia, contas pra pagar, trânsito, nada disso interfere no presente, hoje a tarde é eterna, clarão triunfante joga sentimental tubaína neste calorzão revigorante, tropical punk repouso parque, caminho sossegadão para os nervos. e mais água gelada, porque tá tudo certo.
e de repente o mundo virou uma gargalhada. as cidades recebem automáticos falantes celestiais, Forever Young do Alphaville invade vilas e praias, esquinas e calçadas com suas formigas de calça jeans. algumas árvores, tão magrinhas, lépidas sassaricam, suas raízes vão de siricotico-ico, sem crise - os automóveis somem da Avenida Urina e os pedestres ganham o século XIX de volta, o mundo é uma gargalhada, mas longe do fácil sarcasmo e sua sacola preguiçosa, a gargalhada é pura alegria no coração dos homens, preconceitos idiotas são trucidados com o martelo da justiça sambarilóvi, o seu humor é um carrinho de rolimã de velocidade imortal, o espírito incendiado vivo arrisca uns mergulhos com asas pela transparência, como se remasse pelo céu a mente ébria, à luz dos meio-dias nós ouvimos a terra roncar para um merecido cochilo, dores se esvaem, ventos em cócegas transmitem mais gargalhadas dentro da Antiga Estação Ferroviária enquanto a noite ouve Stones 68, entornando cachaça ou mordiscando uma torta gelada de limão, humilde, e a terra prossegue de buenas, roncando, fã do Stevie Wonder pré I Just Called to Say I Love You.

segunda-feira, dezembro 23, 2013

DISPARO NO PORTO

O Disparo começou. A postura no palco é totalmente despradonizada. Guilherme Sousa é o único que mantém seu lugar, com dois machados fulminando a bateria. Rafilks no baixo zanza, ora em cima do palco (esculpido sob caixas de cerva), ora em baixo, zanzando chão movediço – Rafilks e seu caótico timbre “o mundo acabou em desgraça na pastelaria do lixo”. Porra, é um baixo agudo e podre, sujo, distorcido e mal lavado, carcomido e feroz, enquanto Xinxa delirante pega a guitarra-serra e pratica a arte inaudível, mas faz umas bases foderosas com dois copos de Paisano neural respingando querosene. Lembro-me claramente incrusive quando Xinxa trocou a palheta pelo microfone, o que renderia uma sonoridade ímpar ao trio noise sãocarrasco. “Todos são falsos” disparou o front, que gorfava microfonias em japonês com linguagem zero e berros neokamikazes em frequências bastardas. Lá atrás a cozinha pegava fogo na lama, era rapidez e sujeira de deixar qualquer oficina da maldade corada de vergonha, tamanha sórdida pancadaria trucidada pelo trio. Vamos dar trabalho mesmo, vamos incomodar mesmo, as letras do Disparo são de deixar Artaud parecendo o Padre Zézinho, provocação é foda-se, queremos banquete destruição, berros sem sentido porrada na orelha, todo mundo dançando na telha zorzo não tem frescura, Disparo é a maldição, Disparo não tem cura.
fotos do Lucas Rosa, baixista, barba-ruiva e Makumbah grind parceiro.

quarta-feira, dezembro 18, 2013

17:51

sem jabá, sem tico-tico de papai-picareta, no pêlo, na raça, gana, fúria, amizade, irmandade, quilômetros rodados, amizade, raros ensaios, suor latente, som alto e cada vez mais alto, madrugadas com o violão sonhando sem palheta, três acordes faça ocê mermo, tocando na rua, na praça, no mato, gato de energia, sangue escorrendo pelos dedos, refrões cantados ao lado dos irmãos, troca de materiais, faixas cravadas na memória, riffs povoando o cerebelo chapadão em narcóticos noise, frases sem sentido, mata ralph e hbelo de cabelo marshmallow, os novos amigos, as caminhadas pela madrugada dos dias, o inconsciente latindo dentro do pudim invisível que é o pós niilismo rejeitado na sequência com estoicismo em 12X sem churros - cheio de folia incoerente na sarjeta, a risada, a camaradagem, a humirdade dos primão, intercâmbios pelas cidades mágicas da fraternidade punk, falando sobre velhos discos, tomando um litro de podreira, arte do bezerrão nóia, o traço tosco no lápis crust, velocidade no batuque, cadência no baixolão do sítio elétrico, granada é uma boa releitura demorada, olha lá, mais um bailão em véspera, microfonia é serenata dozdoido, pedal gan gan, pa's rachados, som queimado, coma árcólico dos parça, loucos dorminhocos ocupam capôs de carangos estacionados aleatórios, fumaça nas esquinas da trutagem, arranhar um som com o gbh, antiga estação ferroviária de rio craro equinócio novas gerações, velhas gerações, os amigos em abraços sinceros, viagens e o companheirismo dela, as leituras no busão, no quintal a janela sem frestas como se assoprasse a lua ninja de tão purona e belda no céu, toda cheia, canções a serem escritas no coração da américa toda fudida, o caos borbulhando explosões pelas veias, lutadores do asfalto em polichenelo na segundona braba, incessantes utopias com cachaça metafísica, risólis voador, conflito de egos, ratos de porão e o rock veloz dos amigos no rock da estação, hippies not dead, irmãos, hippies not dead, irmaõs, hippies not dead recomeçou o pulso dos garrafa , desde 1995 na ativa, o hippies, hippies not dead, na transparência rara e fudida aqui no interiorzão, e pra fechar o 2013 nostálgico o sprit ao lado deles, porra, que honra! - que eterna alegria - "toca uma pra mim", que crássico, e mais é mais. porque agora vai o som meu chapa, aperte o play.









domingo, dezembro 15, 2013

RESENHA: ABUSIVE !

Era algo impossível aquilo.

Aquele homem estava  febril, mas era uma FEBRE de uns 60º, um negócio muito sério.

A praça, a cidade pirou forte.

Mas ele não dava indícios que iria empacotar. Mantinha-se firme, de pé, ainda que com uma olhar muito louco, morto-bêbado capega mas voraz, expressão latente de quem adotou Marte como lar há decadas. 

Sete pessoas o cercaram ao ar livre, na praça.  Eram sete curiosos pescoços mas na real não paravam de chegar pessoas.

O homem estava calado, mas seu fébrão atingiria países de humanos, países de loucos corações cheios de cólera.

O homem tinha os olhos vermelhos de sangue, pupilas vermelhas, aquele quadro era composto por um esculpido semblante do horror, a boca dura, pegando fogo.

Na praça, aquela febre humana então apenas pronunciou -  a língua lem brasa, as mãos trêmulas: ouçam este cd, agora!

E o pessoal, que também ficara FEBRIL pediu ao chefinho ali do carrinho de cachorro quente: "com licença, será que o senhor pode   reproduzir o cd aqui, no seu sistema de som?"

E entre batatas palhas e salsichas delirantes, o senhorzinho de roupa branca assentiu com a cabeça.


PLAY!  A banda? ABUSIVE, lá de Bastos, cravada em São Paulo.

Agora era compreensível.

O carrinho explodiu na hora!



Abusive: power violence em ebulição corrosiva ou pedras de calçada grind chovendo em curto circuito, noise-balanço do inferno, dança macabra das caveiras noise.

Trilha autorizada dos despachos regurgitados em segundos intensos de náusea compulsiva pelo ar– para alguns, são segundos ultrarápidos, para outros segundos trágicos – de uma tragédia vingadora, a começar pelo seu cenário ensurdecedor, vive a cena: a bateria esmigalha o conformismo-padrão da arte mela cueca, a guitarra tem a voz do além, em frases relâmpago punch ódio nóia de um cadaverismo ultrarápidão, o som é esmagador!

O homem agora tem a temperatura de 102º grauzinhos, outras setes pessoas começam a enxergar uma praça banhada em sangue, estão dançando e se mutilando espiritualmente, libertando-se do óbvio – para além da rotina, dos padrões de convívio, o som do ABUSIVE escancarou em seus rápidos segundos 10 granadas que mudaram para sempre a praça, as pessoas, aquele homem que agora engoliu e mastigou os próprios olhos, babando sangue e reverberando fúria em passos lentos, em contraponto ao disco, tocado mais uma vez, mais duas vezes, três vezes, ABUSIVE é a nova refeição do senhorzinho que abandonou a profissão para ir à Bastos bater cabeça, pogar e chutar em euforia o restante de seus dias no reino invisível do caos.






quinta-feira, dezembro 12, 2013

Não teve jeito: o Éder engoliu o molho de chaves. 

Na terça-feira, em Sorocaba, Éder subira na bicicleta com groselha turbinada na cachola. E começou a andar pela contra-mão, na maior, dedo em riste para os pedestres, desafiou dois Fuscas bêbados, driblou a normalidade e a corrente saiu, da bicicleta se despediu, uma das rodas entrou em greve, a outra também, velocidade em alta mas o Éder vôou mais longe - foi arremessado com tudo pra frente, o Éder jacaré voador parou dentro de uma almofada, sua eterna prisão. 

E agora é a vez da Jaqueline colocar o seu bumbum em cima dele, o sofá é da Fátima Bernardes, a Jaqueline tem cáries na alma e dentro da almofada o Éder lamenta, diminuído.

terça-feira, dezembro 10, 2013

ISTO É ERASURE






Ele curtia os três primeiros do Erasure.



Achava pesadão e agressivo, um synth pop extremo, magnífico.



Os caras perpetram a arte do arranjo sincero, gostava de lembrar, sentando em frente ao espelho do quarto. E ia mais longe, mascando BABALÚ FRUTAS FRESH - o pop é um pacotão perfeito de feelings, um pacotão fácil de retirar o papel de presente, um pacotão funcional e fera, um pacotão pra embalar nossas noites adolescentes, dizia Rich, o rico. Rich o rico era rico desde o topete - mas às vezes o loiro lobeca jogava de ladinho, pra se sentir limpo e feliz. Rich era o rico-lulu mas lia livros do espírito coletivo.



Erasure era um grupo do milagre ao mágico no parquinho da alma, para ele. De meia branca esticada avançando a gênese de suas canelas depiladas, ele ouvia os cassettes com afinco, antes e depois do colégio, durante seus intervalos mentais, durante a vida, antes da morte aparecer no telhado vestida de lilás e rodopiando seu perigoso bambolê.





Agora em modo FM coloque seus sentidos para fabricar brincadeira.

segunda-feira, dezembro 09, 2013

CONHEÇA O ROBÔZINHO XÓPIS!




saiba como identificar um "robôzinho xópis" !

o robôzinho xópis atua em redes sociais, principalmente. 

está sempre conectado. é online pra caramba. é um espécie de maria-de-auditório destes meios de comunicação compartilháveis e curtíveis. 

mas como ele age? 

age como merda.

uma vez criado seu perfil - com uma foto SUPER REAL e muito chamativa - o robôzinho porta-se como puxador de conversa mole. 

quer ser amigo de todos. como não consegue, testa reações: troca de foto a cada dez segundos, buscando poses, maquiagens do espírito e na face. vale tudo, "não estou queimando meu filme, foda-se". 

e o que mais?

bem, o robôzinho xópis é analfabeto e alienado, mas camufla-se de grande defensor da humanidade e de grande causas, causas que irão mudar dentro de algumas cliques.

quer exemplos? 

primeiro ele sonha com um celular de última geração. será que alguém vai se apaixonar por ele porque sua mãe ou seu tio escocês comprou-lhe o lançamento? não se sabe, o robôzinho xópis não sabe o que é afeto de verdade. e na real, depois o que importa é jogar um game de ação nos fones pra não acordar a família - e depois migrar para um discurso igualitário com frases de impacto. 

SIM! o robôzinho de xópis esquece que não tem passado (memória histórica é artigo de luxo) e transmuta-se numa espécie de são francisco de assis virtual -  mas isso enjoa rápido. é só uma fase, poxa. vamos ter mais PODER! então, depois, em apenas sete segundos, ele tem todas as discografias do mundo (e as que serão lançadas também!)!

sim, ele torna-se em poucas buscas um ENTENDIDO daquele estilo musical ultrapesado e cheio de revolta e acessórios.

e depois de comprar uns panos irados e tatuar algo bem legal e ir em shows de bandas que acabaram há 30 anos mas continuam excursionando com os roadies da formação original, ele vai falar de tênis e pírci! 

e depois? depois o papo vai girar em mostarda gringa com patinete motorizado ou naquela receita de sushi, o robôzinho xópis é daóra.

sexta-feira, dezembro 06, 2013

DEAD HUMAN - COVARDES NO PODER (resenha)





Como diz meu amigo Kriss Silva, vocalista da Violent Illusion: aqui vai um "cros ovo", dos bão destroçar o tempo-insanidade, dilatar o caos. 



Na primeira faixa - com o refrãozão dando a letra sobre toda viagem errada que é resolver uma fita estando armado - a bateria te deixa doidão dos pés aos telhados tortos do cérebro, e o baixo também, mais marcante que o Bukowski tingindo de sarcasmo um bangalô. 



Palhetas ferozes neste registro são fatais. Guitarrão chapulethrash ! 

São as  ferozes palhetadas, colegão, que cospem mini-furadeiras automáticas, que são capazes de perfurar o crânio do tubarão satânico Teobaldinho, que atacou uma galera logo após o incidente fatal do grã fino Bateau Mouche.



Porra bicho: o Riba tem puta vocal nervoso, é verdade.  



Vocal que é um grave-médio possante que vomita areia com sangue na tua consciência bicudada, PRÁU! - nos arredores da arena urbana da discórdia eis o Dead Human , que nos cros ovo do São Carlos te trucida, arrebentando no verbo sonoro e expulsando em fúria sua arte suja e bandida. 

quarta-feira, dezembro 04, 2013

FOLIA PUNK



É um disco esquisito. É que você ouve sem mexer a boca e parece que você está devorando uma suculenta omelete, com generosos pedaços de cebola no esquema.

Folia punk, suas canelas suando, você sentado ou de pé, sovaco comprometido-derretido.

Parece que você está sem sono, são quatro e consoantes bélicas da manhã, na cama - sem sono mesmo. Aí zapeia a tevê, controleando remotamente a fatia dos segundos surge um filme tontão americanóide legendado, você para pra ver essa porra e quando percebe está rindo sozinho, feito otário. Mas um otário gente boa.

Fecha o filme, é outra noite quente, você vai de Rousseau, um otimismo fera invade seus cotovelos cheios de energia, ou choveu na quarta toda, não sei se são as cebolas, mas eu vou, você vai reparando que as melodias agora são mais chiclete, você está curtindo mais, é como aquele sábado noturno - você reúne os amigos, vai rolar aquela festa fera, de praxe, as pessoas seguram os copos desarmadas, espírito macio, e os convidados são formados na irmandade dos dias, e lá está você falando merda e se divertindo à beça com muito pouco. É bacana.

Refrões ventilando o ânimo, paranóia zero, refrões com backings cuspindo alegria, olha lá, fera-nenêm eu sou, até a cadeira dança sozinha, madeira punk róque faisquinha.

É um disco esquisito. Água gelada, água gelada suando no copo. Mas sem halls preto. Você está pogando com o pé direito, marcando o tempo 4X4, olha o ventilador ali no teto, você não pensa, vai e pula e pléu, sua cabeça é danificada para sempre.

quinta-feira, novembro 28, 2013

A FIFA, A CBF, O MUNDO, A DESGRAÇA É ENGRAÇADA NÉ?

É engraçado, eles acham engraçado tirar sarro.

Tiram sarro do Corinthians, da tragédia, do estádio, do guindaste, dos mortos.

Humilhar é fácil porque é o medo do otário que monta a paisagem.

É assim: "é só um operário, que se foda".

Ou: "foram dois, tanto faz, foda-se - quando é que fica pronta a obra, comprei ingresso pra Copa, hein?".

Não, não você não precisa ser nenhuma espécie de humanista, você não precisa ser um humanista  e escolher numa máquina de guloseimas dentro algumas de suas várias ramificações pra ser SENSÍEL e minimamente coerente ao ocorrido.

Não, eu não estou sentindo fome com o estômago dos miseráveis.

Só estou refletindo rapidamente sobre esse egoísmo, esse lado solidário inexistente na geração iogurte - essa maneira stand up brasileira de ver o mundo, que sempre foi assim né? Bacana.

Quem pagou o preço foi o pobre operário, pronto.

Quem correu o risco fora aquele encardido fantasma pra muitos, o escravo que joga maionese no território do consumo, aquele que é humilhado e leva porrada sem sentir dor - sem família, sem história, aquele que é vítima de patrõezinhos escrotos e incapazes, patrões cheios de cinismo, de uma hipocrisia cada vez mais covarde e indiferente, amém.


http://www.lancenet.com.br/minuto/Reporter-LNet-Guindaste-Arena-Corinthians_0_1037296366.html

quinta-feira, novembro 21, 2013

AS CRIANÇADA E SEU LEGADO CAFONÃO

Eles contam o mundo pra gente, a gente acredita - nós custeamos a Luciana Gimenez lendo Artaud, a Ana Maria Brega explicando como curtir os clarões do Cézanne, o Gilberto Barros declamando Rimbaud no originalzão - enquanto o João Kléber verbaliza meandros de Le Corbusier.

E enquanto isso eu vejo AS CRIANÇADA qui na internet só consumindo. Ninguém sai do faceburro.

Você não é que consome, Júnior.

Daqui dois anos, dez anos, três segundos esses caras serão uns grandes merdas.

Não adianta fingir.


Eles são uns peidos. Só apontam escolhas pra se "AUTO-AFIRMAÇÃO" da maneira mais cafona possível. Não contextualizam, reflexo é o do celular no manequim clichê - porque antes de tudo não são eles mesmo - são apenas cliques e respostas prontas.

Léxico de semáforo? Léxico de gírias pirulito.

São cliques, compras de internet, consuminho arroz com feijão. 

Fotos e vídeos, MARCAÇÕES.


Eles acham que são - nem isso eles são. Mas pode ter certeza: eles são uns belos duns merdas. 


Que merda de mundo vão deixar? 


Mundo?

Uns tangas que não respiram, não enxergam, não contemplam, não debatem, revoltam-se e depois batem uma punhetinha mp3. 

Risadas, continha de mais - só espetacularizam a própria burrice, a mediocridade do fácil. 

Se eles criaram o novo vazio, o vazio do vazio, isso é apenas um link cheiroso com gosto de ferramenta pró slave.

terça-feira, novembro 19, 2013

ULTRASAMBARILÓVIPUNKBLUES

Acho bacana que - ainda que muito estupidificada - a rede ainda tenha uns sujeitos bem intencionados, que, empenhados, gostam de ler, estudar e refletir  - procurando passar conhecimento aos mais acomodados, aos mais preguiçosos.


No entanto, se o assunto é política, uma hora uma brisa enfadonha entra de fininho no ambiente do meu humor. 

Por mais que as posições sejam claras ou não, o debate corrosivo em ânimos, às vezes o debate se esgota rápido - uma hora o troço fica cansativo.



Acho que a trama histórico-política na rede cansa na verdade pelo excesso de entulho ruim que atrapalha as coisas boas, mesmo separando o Joey do Trigo - pois seus ingredientes - tais como as ferrenhas oposições juvenis despensantes, e a fresca vaidade do sujeito devorador de livros em reproduzir as falas alheias (numa malice sem tamanho) está mais preocupada em apontar do que em construir.



E isso tudo é desperdício, já que a vida escorre curta.



Bom ser crítico. Bom refletir com argúcia, mas o céu existe também.



Tão mais foda ter sua consciência, ajudar os outros, trocar alucinações verbais, discos e livros. Ouvir um som tranquilão, curtindo o encarte. Compor em parceria com o quarto. 

Ir aos shows, zoar numa boa, ouvir os primeiros do Wander, curtir um buxixo na casa do Caneta, ir ao supermercado no domingão de Birdland, colocar no repeat os refrões do Muzzarelas, relembrar algumas canções do Garotos Podres, do Inocentes, curtir Social Distortion, balançar o esqueleto com Gories, garimpar alguma gravação porca do Johhny Thunders. Rever com meu pai numa noite de sexta Um Príncipe em Nova Iorque, comer um hamburguer de carrinho humilde nas ruas de Rivers, trocar uma ideia mil grau com a sogrinha, ficar abraçadinho, terno enamorado com a namorada - tendo certeza que o mundo não acaba e a vida não se esgota - e lembrar-se das melodias do Joe Strummer, soltar uma piada sem graça sobre o Maluf (quem?) e descobrir que faz tempo que você não escuta MC5 de acordo!

Usar a rede pra trocar uma ideia doida e compor uns sons "de ameio" com o José André, ficar na sardade daquele rolê préza pelas ruas de Rivers com o primão Sebastião Casagrande, trocar umas poeiras cósmicas punks e outros sons com o iluminado Sadao, dar um pulo no tradicional Sebo Outras Histórias, escutar as demolidoras gravações ao vivo do lendário Hippies not Dead, armar uma gig (dor de cabeça!), correr pra fazer os corres que ficaram pra trás por mil e um motivos bestas, reler sossegadão mais um pouco da literatura porrada do Sartre e do Plínio, torcer pro tricolor nesta quarta-feira, voar um pouco no verde natural tecido de Santa Maria da Serra, voar um pouco sem sono, e sonhar com sono, eternamente apaixonado pela lírica Anita Sandroni, amar e ser amado em paz - assim nós elegemos a estrada do tempo - vivendo e revivendo, ultrasambarilóvipunkblues!

terça-feira, novembro 12, 2013

MUITO MASSA


A meninada não paga pra entrar no show - pelo contrário - é remunerada para assistir (literalmente) as bandas locais.

Durante o evento, a meninada terá toda bebida do mundo free, enquanto brincam na internet e a banda se esforça, ao fundo (a meninada pode pedir alguns covers, se preferir!). E na saída, eles recebem discos raros, assinados pelos seus ídolos.

Na semana seguinte, a meninada arma um chat virtual ou real. Assim, eles formarão bandas maduras, que já nascem com uma respeitável discografia em mp3 e cinquentas turnês pela África.


Conforme a moda, a safra de estilo da meninada pode variar - aquele coisa típica :  "hoje sou crossover, amanhã anarco lindo, depois grind de direita" - tudo é válido, desde que você seja rapidamente identificável (com ou sem gúgou)



E é assim.



Você será aceito pelas suas belas escolhas aparentes, pelo seu potencial de consumo, muito massa.

sábado, novembro 09, 2013

O NOVO FANTASMINHA CAMARADA

Quildo fez uma barraquinha de carniça e dormiu dentro do YouTube.

Não acordou tão cedo, nem precisou de remelas.

Em 2023 o Brasil tropeçava, cansado. Sua pele registrava temperatura média de 43 º, uma delícia de câncer gratuitão, todos idosos caindo, soterrados no chão.

"Só os fortes sobreviverão".

Forte, fraco - reajuste moral, dicotomia da babaquice, teorias mal apreendidas, preguiça como sagú na boca besta? 

Afinal voltemos ao Quildo: ele estava apenas pulando o cursor. É, ociosão: até o ponto onde a tão facilitadora barrinha vermelha sorri: olha aqui Quildo, eu recomendo, clica. Clica aqui neste trecho do vídeo Quildo, marca sua marca, sua marca marca, aqui tem uma piada bacana, e você só precisa prestar atenção na hora de rir, isso, assim, como um catatônico picles.


Uma piada bacana. Ou aquela tirada moral que regozija a vendada platéia, não precisa pausar o entretenimento não Quildo, o mundo só está ruindo numa boa.

Boa soneca prolongada na carniça abençoada, hey ho, o Quildo é o novo fantasminha camarada.

quinta-feira, novembro 07, 2013

45.

No baú guardarei Ramones, Social Distortion. 

No baú deixarei uns refrões do Muzzarelas, no baú eu sei - pão com mortadela tubaína e Joe Strummer - ouvirei a eterna voz do punk rocker Voltaire - no baú nós velaremos pela contundência porrada de Sartre, pelo romantismo decaído de Fante, no velho baú.

Numa tarde cinza, cheia de pequenos frios e abraços, eis a cena perfeita: minha amada, nós dois, a gente, e o baú guardará aquelas cicatrizes dos personagens impossíveis de tão devastadores - das almas dostoievskianas - Cinema Paradiso no coração.

No baú nós ouviremos Bon Scott gritar feito um beberrão alucinado de calça mijada e surrada, suando goró num pub sujo e quase vazio, com aplausos sinceros naquela luminosidade baixa, o pub é o baú, encardido e amaldiçoado nas esquinas de Gogol, mas ainda estamos ouvindo AC/DC - nos gorfos trêbados bonfirescos ele mermu ressurgirá - com alguns bourbons a mais, é claro, atravessando todas as esferas da cuca às 03:15 da matina, porque Johnny Thunders fará a guitarra vomitar discórdia em double stops ultrapassando a sacanagem, enquanto GG Allin peida na cara da mainstremice e o Agente Cooper faz aquele jóia pra geral, que está numa pracinha podre perdendo a linha, MC5, a geral na gentileza dum churrascão sem fim, rindo demais, rindo até as tripas fí, rindo e rindo e rindo, todo mundo rindo junto, rindo muito, rindo - e antes de dormir o baú resgata aquelas imortais  palavras - as palavras do chefe Cruz e Sousa ressoarão sagradas, como o velho Muddy Waters chapado de Kerouac.

sexta-feira, novembro 01, 2013

BARÇA 1 X O ESPANYOL

Sexta-feira. Sete e cacetada da noite, horário de verão, a humanidade de bermuda curtindo um sorrisão na alma.

Neymar dá o passe, a bola milimétrica escorre lenta, em diagonal - perpassa o meio das pernas de DOIS defensores - e Alexis Sánchez completa.

A jogada do Neymar pela esquerda provou que o fera é muito mais que um "piscinero".

- Neymar tá ficando maduro né?

- Eu nunca vi um lance desse...no meio da perna de dois jogadores, um tapa preciso...

quarta-feira, outubro 30, 2013

quarta-feira quase coerente

quarta-feira quase coerente. 

a vida transcorrendo em ritmo de suor lá fora, e o meu pescoço tá podre. pescoço duro é osso. 

mas uma quarta-feira humilde, o chão do quintal continua  amarelo, é amigo dos pobres - e quase quente demais.

temos que atravessar o fogo, "o labirinto de insegurança" - em Rivers muitos carros pra pouco espaço - os motores em excesso congestionam as orelhas da paz, mas você está de pé, ouvindo outros sons amarelos, enquanto novas descaminhadas luzem a cada esquina, e já que você vai dialogando com qualquer dimensão, aproveite.



Foto de Lou Reed

domingo, outubro 27, 2013

O POBREMA É O SIGUINTI

o problema do patrulhamento ideológico é que muitas vezes o caboclo não consegue nem levantar uma folha de alface neural e já abre o ralo pra cima, distribuindo abobrinhas à rodo. 

e claro, como em toda cômica controvérsia rola sempre aquele apego piegas à verdades fixas, cômodas. 

verdades absolutas que vão sendo distribuídas só pra ganhar uma espécie de terreno vazio, verdades inabaláveis correndo sozinhas dentro de um verdadeiro par ou ímpar aleatório.

o legal é o debate respeitoso e longe da praga trivial, bate-bola dinâmico mil grau, com as diferenças postas e repostas no horizonte, sem os rótulos como meros porta-vozes ventríloquos do fajuto - artifícios cansativos que vão  esmerdeando logo de cara o rumo da prosa.

a arte do diálogo precisa ser respeitada, vamos acender uma cambalhota no meio desse egoísmo purpurinado em preguiçosa arrogância e curtir uma alegre discussão de responsa, chefia.

eu acredito na vida

eu acredito na vida. é claro que a morte precisa de um sentido.

eu curto uns objetos falantes, também aqueles largados pelo louco asfalto dea cidade, como uma imensa rocha localizada na manhã de hoje por um amigo, uma rocha monstra e pesadona logo ali, perto da Avenida 29.

eu acredito na vida com o calor da amizade, justa, leal.

porra, e tá calor pra caralho. 

pafúncio tomou quinze chuveiradas na sequência, aidete cinquenta e oito e não serviu de nada, o calor ri, o calor é sacana.

duas noites atrás o tapete no céu parecia água suja, alternado em clarões cinza-rápido, repentinos cruzados nos olhos do sossego, mas eu não temo a chuva, se ela quiser tomar um café comigo vai ter que ser sem açúcar.

***

quinta-feira, outubro 24, 2013

Antoine Roquentin, o pequeno-burguês:

"Interroga-me com os olhos: aprovo, abaixando a cabeça, mas sinto que está um pouco decepcionado, que desejaria mais entusiasmo. Que posso fazer? É culpa minha se em tudo o que ele diz reconheço incidentalmente citações, ideias alheias? Se vejo reaparecerem, enquanto fala, todos os humanistas que conheci? E conheci tantos! O humanista radical é particularmente amigo dos funcionários. O humanista dito "de esquerda" tem como principal preocupação conservar os valores humanos; não adere a nenhum partido, pois não quer trair o humano, mas suas simpatias se voltam para os humildes; é aos humildes que dedica sua maravilhosa cultura clássica. Geralmente é um viúvo de belos olhos sempre úmidos de lágrimas; chora nos aniversários. Gosta também dos gatos, dos cachorros, de todos os mamíferos superiores. O escritor comunista gosta dos homens, desde o segundo plano quinquenal: castiga porque ama. Pudico, como todos fortes, sabe ocultar seus sentimentos, mas sabe também, através de um olhar, de uma inflexão de voz, fazer pressentir, por trás das palavras rudes de justiceiro, sua paixão agridoce por seus irmãos. O humanista católico, o retardatário, o benjamim, fala dos homens com ar  embevecido. Que belo conto de fadas, diz ele, é a mais humilde das vidas, como a de um estivador londrino ou a de uma operária que pesponta botas! Escolheu o humanismo dos anjos; escreve, para edificação dos anjos, longos romances tristes e belos, que frequentemente recebem o prêmio Fémina.

Esses são os grandes papéis principais. Mas há outros, enorme quantidade de outros: o filósofo humanista que vela por seus irmãos como um irmão mais velho e que tem o senso de suas responsabilidades; o humanista que ama os homens tais como são; o que os ama tais como deveriam ser; o que quer salvá-los com sua concordância e o que os salvará, quer queiram quer não, o que deseja criar novos mitos e o que se satisfaz com os antigos; o que ama no homem sua morte; o que ama no homem sua vida; o humanista alegre, que tem sempre uma coisa engraçada para dizer, o humanista sombrio que encontramos sobretudo nos velórios. Todos eles se odeiam entre si: como indivíduos naturalmente - não como homens" 

quarta-feira, outubro 23, 2013

É OU NÃO É, AMAURY?

Não é falando um trem de palavrões a cada frase chavão que você vai ser respeitado.

Isso aí parece coisa de criança montada, que decora a televisão inteira, ou daquele estilingado papagaio com defeito, afinal espontâneo nem quando morrer o sujeito será. 


E outra, ficar com muito xingamento nesse tom falseta, meu jovem, principalmente no trato com nobres conhecidos, isso aí é viver num escudinho sem vergonha, é ou não é, Amaury?

terça-feira, outubro 22, 2013

Três acontecimentos tão dolorosos, tudo tão recente.

Viver é perigoso, viver é angustiante.

Pessoas queridas sofrendo demais. Horas interminavelmente trágicas. Amigos perdidos cada um à sua maneira, a dor tão lancinante, cruel. 

E outros amigos vendo de fora, alguns inconsoláveis, outros mudos, mas eles vão unidos, comovidos na descida, tristes corações.

Perto do fim, nós vamos com o tempo consumido em dor, tempo sôfrego inundando o espaço, paredes de quartos derretidas em lástimas, você vai pra cama, pro colchão, veja aqueles gritos silenciosos, almas perturbadas em olhares nublados andando insones. Interno e externo o movimento da perda responde pela dor, tão complexa, cruel.

Entre esquinas da desilusão, tragos desesperados vão amanhecer solitários. O silêncio nunca é o bastante. Pelas casas, a perplexidade contaminada de niilismo, brutais porradas dos dias.

E esses últimos dias trouxeram-me  três acontecimentos terrivelmente dolorosos, pessoas queridas em perigo, confrontando a dureza da vida, o absurdo explode qualquer réstia de alegria: em diferentes graus, em profundos cortes na alma.

quinta-feira, outubro 17, 2013

SAPATO PODRE E A SEDE

Eu tenho um sapato que está com sede.

Pensa nos meios de obter a redenção. É fácil, não é?


Para diminuir a sede, é um gole de suco Ades, gelado, agora.


Porém tal obsessão está neste exato momento no tablado, com a preguiça. A luta é boa, mas a preguiça deu uma chave de braço de arrepiar.


Eu quero água da torneira, já pensei assim, não é sapato?


Mas atualmente o Ades vai servir de marmita. Afinal, tenho me alimentado pouco, analisa no fundo o sapato, um pouco apreensivo por combustível.



Meu sapato está com sede de Ades sabor simpatia. 


Antes de dormir o sapato precisa molhar o bico, é inegável.


Precisa refrescar a alma, a sola, senão o sono é sacrifício. Sem líquido a dormência é como se fora a existência solene de um podre eterno esgoto sem refresco, sem tranquilidade, crescido em odores desagradáveis.


Mas o sapato é preguiçoso, porque sua vontade de iniciativa toma uma lavada da falta de vontade, o langor aqui é uma música suave na calmaria do Havaí, três famílias, três gerações tomando aperitivo numa tarde ensolarada sem fim.


Calma aí, levante o sapato. 


Sapato entrou com uma voadora pelas costas da preguiça.


Sapato irrompe no espaço livre, são passadas semelhantes a quem quer microondas, o sapato é o passageiro guerreiro que busca aplacar a sede sem medo, e independente do que o Epicuro pensa sobre o assunto - que assunto? Saciar apetites no planeta dúvida.


Tá certo, e a geladeira recebe o sapato e o Shefa, Choco Shefa, a caixinha gelada coloca em dúvida o sapato, mas o Ades é escolhido. Amanhã de manhã tem Choco Shefa. Golão gelado o Sapato delira. Sapato precisa acordar cedo. Vai pra roça. E agora. Antes de sapatear imóvel em lençóis, uma meia mini pizza é saboreada amigavelmente.


E depois o sal é recebido com água da torneira, eis o fim de uma ronda, o sapato é feliz.

quarta-feira, outubro 16, 2013

POSSO FALAR?

É engraçado, é engraçado quando o entrevistado não consegue falar.

Ele permanece com a boca travada, igual catraca de bicicreta 18 marcha falida - não, o entrevistado não consegue falar, porque o entrevistador é um trouxa que quer demonstrar conhecimento a todo instante. 

Imagino esses sujeitos que apresentam programas de televisão, como o Abujamra e o Jô Soares comprando frases de efeito na avenida Paçoca. 


É maçante, chefe, maçante como perceber aquele livreco-parido-em-arquitetura-chinfrim brochando a estante da vida. De novo? E então a conversa se desfaz como polvilho derretido antes do nascimento, sangue de minhoquinha grudado no tédio, sem PORRADA, sem imaginação o bastante.




terça-feira, outubro 15, 2013

RESENHA: AÇÃO TÓXICA - AÇÃO E REAÇÃO (2005)




Bumbo que vai é bumbando sua mente.


Riffs nas cordas cortantes, a rua agora vive contra-mão, veloz-alucinante.

Baixo e guitarra e batera unidos em rapidez constante – que vão rasgando com fúria o coração do ouvinte - eis aqui o lendário Ação Tóxica, de Porto Ferreira-SP.

O disco “Ação e Reação” nasceu em 2005.

São nove cacetadas de arrepiar o esqueletão.

A primeira música é um singular ritual hardcore,verdadeira iniciação ao coro.

Orquestração da vingança - no recheio solo frenético, gritos de paura com mosh, pacotão doido que relembra “The Garden of Earthly Delights” de um Bosch absintado em  Diógenes, chimbalanceira desgracenta no seu aparelho sensorial cheião de drive e satisfação.

É:  e a bateria assinada por Vareta é assassina, ruge o vândalo do hardcore, no piloto da percussão avassaladora que não se cala por nada, que destrói o próprio caos.  Vareta toca com alma, como poucos.  


Bem, antes de prosseguir, devo dizer-lhes o seguinte: esse disco é um dos meus favoritos da atualidade.


A admiração pelo som dessa rapaziada é crescente. 


Você fecha os olhos e ouve o disco no céu do inferno, será que vocês me entendem?


Você assiste ao vivo, e sabe será cada vez melhor, já vejo o Thiagão Magnani no bass berrando feito um louco em palhetadas que preocupam Einstein.

A intensidade do som é algo semelhante ao Cristiano Ronaldo meter 3 gols num dia e aí o Messi só de birra marcar 6 no dia seguinte - só que melhor, sacumé?  Mas não, vamos ver de outra forma, calma...


Vou usar outra expressão, longe do futebol: o Ação Tóxica criou a NBA do hardcore de rua, batismo de navalha que ilumina nossas veias.


E assim o disco segue com “Políticos”.

Puta letra. “Filhos da puta”, o coro anuncia , o baixão comendo solto e selvagem atropelando todos os prédios de lama do pesadelo urbano. 

Tóxico no poderio avante, com poder de desvendar o crime coagido com inteligência no trato, o Ação Tóxica vem voando baixo, perfurando Marte!


Vejo o Vareta cantando junto cada verso, baquetando em fúria, e em meio às suas pausas sereno, segurando o prato de ataque com a inclinação de caboclo matadô, sem piedade marretando tudo e com algumas beers na bolota, se pá. 


Veja bem: você está no seu quarto, e olha pra cima: uma fumaça invisível vai tomando conta do recinto, você ouviu o Ação Tóxica hoje, tá certo?

E essa atmosfera “peculiar” vai criando um terreno de graves terríveis no éter com a camisa do Cólera, e as paredes recebem graves bandidos, médios trêbados, agudos mortíferos: freqüências que vão abençoando em correria e empolgação nossa bomba-relógio, que avisa que suas poucas horas de vida na terra estão bem entregues à cachaça metafísica do “faça-você-mesmo”.

Sim, e a guitarra vai cortando firme, é o Ação Tóxica hardcore-navalha no globo!

Então surge o solo de “Ataque Suicida”, que explode ainda mais os destroços de um funesto amanhã, deixando os vestígios nos seus dedos: você quer o repeat, sacumé.

Impossível manter-se parado durante a audição desse disco.

É de arrepiar, esse café.

Ouça “Ação e Reação” pelo menos uma vez por semana. Note que as pessoas na rua ganharão semblantes diferenciados, pode apostar.

E “Lixo cultural” é uma das parladas que aparecem na seqüência. 



Baita canção agradável, que arrasta você pra Praia do Pogo.

A areia sob seus pés é parceira e a curtição sem fim.

Tá todo mundo renascido no pogo, na vigília dos dias o pogo cumpre sua humirde função, em belda lucidez nós vamos pogar até morrer.

"Parasita" vem na seqüência, com uma levada de responsa na proposta.

Tem uma parte cadenciadona que enche o peito de fúria, porque as letras do Ação urgem protestando com punch, são reais, concretas pedradas na janela do mole conformismo.

Depois, é a hora e a vez do HINO tomar conta da cidade, os ouvidos refeitos em pura alegria: "RAMONES É ROCK AND ROLL!" Animação, alegria, anarquia e chapação dos sentidos: hey ho, let’s go!

E pra fechar com chave de dinamite vem “Estamos no começo”, com gostinho de i wanna more, hijosdeputa!

 Que registro! Que disco! Ao final da audição, este trabalho faz o mundo dos adjetivos ficar desprevenido!

Ação Tóxica derruba você, é a trilha perfeita pra você almoçar euforia enquanto janta respiração hardcore - sentindo-se mais vivo do que morto-vivo você está mais-do-que-vivo - mais pilhadão e obstinado que alheio e normalzão, eis você aqui mermão-  viva o hardcore-navalha do Ação!


E porra, vai tomar no cu. É a quarta vez seguida que escuto esse discão nessa agradável madrugada.

sexta-feira, outubro 11, 2013

CRIANÇA E PERPLEXO AO ALÉM DO FIRMAMENTO

Criança era um cara focado no desinteresse, embora seu afeto amparasse a loucura com muito afinco.

Era o inverso dele o Perplexo, porque era sério.

Os dois reuniram-se para vomitarem juntos, urravam, e a alma gutural lhes invadia o peito, dois primatas, Perplexo mais agudo era uma alma vadia, cuspindo sangue na face da Calma, enquanto Criança andou nu pelas nuvens e expeliu pus pelo ânus.

terça-feira, outubro 08, 2013

FERA E MUITO FERA

Fera: você viu que fera as manifestações de ontem em SP e no RJ?


Muito fera: vi, Fera! Muito fera!



Fera: a mídia mais reaça comenta só o foco do desvio. pra variar né? gasta linhas de clichê com os vândalos, com as depredações. eu quero que se foda, já tá uma bosta esse país, vamos acabar de enterrar não fazendo dever porra nenhuma, como tudo mundo faz ou finge ser, afinal ninguém tem caráter, nem o meu pai, a corrupção vem dentro do pastel de feira, tem mais é que arregaçar tudo e esporrear no freezer...


Muito fera: foda.

segunda-feira, outubro 07, 2013

RESENHA: VURMO - A LUTA É VOCÊ QUEM FAZ





Quinze pedradas, sem piedade!

Tudo no melhor esquema "faça você mesmo". 

Disco de venda proibida. Disco em memória de Marcos Aurélio Dantas Flabes.

A capa é truezona, em preto e branco, com um belo desenhão aludindo ao terror urbano em profusão - em meio ao caos vigente de eras e eras de safadeza e miséria humanóide na terra. 

Esse é o Vurmo, de Minas Gerais, e seu disco "A luta é você quem faz!".

O registro é empolgante e coeso do começo ao fim, discão podre que eu pirei forte. 

Saca só chefia: em março de 2013, Podrão, Kiko e Heduardo entrariam no Cerrado Estúdio, para registrar épicas pauladas como "Até quando estupidez?", "Merda", "Miséria no lixo" e "Pelo menos vomitei".

Triozão do capeta, o Vurmo. Com Kiko no baixo, alternando os vocais com o chefia Podrão, que ataca na guitarra. E no tupaco-paco vem o Heduardo, descendo a lenha na madeira, infernizando a geral num punkão hardcórre dos bão!

Atenção: gostei pra caralho da harmonia lírico-escatológica do discão!

O recheio é todo simpático e podrão, sujão e sincero: bom pra pogar o cerebelo de segunda a segunda!


É impossível ficar parado com a crássica "Merda", que abre sua essência com estas belas palavras: "te dou a minha merda pra você comer".

"Destruição, caos, medo e dor. Desrespeito com o povo pobre. Destruição, caos medo e dor". A primeira faixa já se fora e de antemão você já desconfiara que o climão seria esse, protesto com jabs na alma do ouvinte.

"Capitalismo a nos fuder" continua com o ritmo punkão alucinante, relembrando em fúria o duro viver dos humildes e excluídos, dos garis, do trabalhador oprimido, dos sufocados sem um puto no bolso e fodidos até a medula. E porra: a música soa urgente, visceralzona.

"Paz verde", "Desemprego gera violência”, “Overdose de cachaça”, “Pelo menos eu vomitei”. O play termina pedindo repeat, cheio de distorção revigorante pros nervos, como um bom pão com mortadela cheio de noise embriaguez para alma!

Pois é, e assim é encerrado o discão: trilha sonora real dos dias, obstinada em insubmissão, obstinada em alcançar dignidade para as pobres crianças do cinzento e fúnebre amanhã.

Valeu Podrão pelo presente, tamo junto chefia! Satisfação!!

DOWNLOAD: http://www.sendspace.com/file/9dg3i0

sábado, setembro 28, 2013

FELIZÃO DEMAIS, EU SEI

Pensamentos esparsos.

Em sequência errática.

As coisas boas dos dias: a minha paixão, minha companheira, minha parceira. Meus pais. O amor pelos animais-ziquinhas do convívio, espaço feliz frequência frequente. 

O som, a podreira. Som cru, gravações podres.

E os amigos?

Os amigos! Valiosos.

Nesse ano fiz amizades que porra, é difícil contar a você como se concretizaram! Do nada você conhece umas pessoas de Plutão Declóvis e plum, o acaso vira rock and roll permanente: parece que há miliano vocês já eram aqueles velhos trutas de coração!

Coisas inexplicáveis.

Do lado ruim, tento sempre ser um sujeito tranquilo, não sou filha da puta com ninguém, mesmo com aqueles que não sabem brincar sem deixar que seu ego proporcionado em cuzionismo e injustificável falta de educação ataque em busca de placas de pare e mancadas dispensáveis. 

Roubadas de brisa nos últimos tempos, porcentagem alta ou baixa, foda-se, haverá essa contingência até 3014, porque babaca age de graça. 

Mas também, seria muita prepotência da minha parte julgar esses detalhes, essas fraquezas, essas prezepadas, que escondem um fundo muito mais complexo do que um mero ping pong da moral, do certo ou errado, escondem uma perda de tempo nessa tentativa de análise boqueta.

Ah, foda-se: sou otimista. A utopia existe, minimamente, eu sei, mas existe. O mundo não tem salvação, mas a gente curte um bocado respirar isso aqui. Alegria e força andam juntas. E a podreiragem, a sintonia, a diversão, estar vivo em 2013, isso é muito doido.

Atenção: minha paixão pela Nízinha é eterna.

E o contato direto em altas prosas sons e ideias com os broders, ah isso tem me rejuvenescido a cada dia!

Muito obrigado pessoal.

Valeu mundo, tô felizão. Aopa: "xóia".


VIDEOTECA DO LEMÃO: HIPPIES NOT DEAD - Geração Café Cancum






A inocência vai embora com a infância 
Está chegando na fase adolescente... 
Quer provar que não é mais criança... 
Mas pros seus pais ainda mente! 

Geração café cancun! 


Os pais deixam o jovem reprimido 

Isso só aumenta a sua libido 
É levado a tomar uma atitude 
Que o deixará amargo e rude!!! 

Geração Café Cancun!

terça-feira, setembro 24, 2013

KxTxH – Hardcorefobia: Caos no Capão (resenha + download!)







Lá do Capão. Bela capa, desenhão agradável, gravado no pêlo, na pegada Chulapa na lata, bola dominada perto da pequena área.

A intro traz pra nóis um macumbão dos bão. Fumaça do mal preparando o crima!  São duas-riff-seqüência de deixar o capeta de zóio gordo revirado no sofá de zorba.

Depois entra em cena o cancioneiro cuspindo na cara da ordem vigente. Pô, o vocal expressa realismo sem tico-tico e todo descontentamento questiona na bicuda o mundo de merda que nós vivemos – este é o KxTxH, formando bases sólidas de sua ira por vezes debochada, mas sempre com aquela guitarra serrando o marasmo, é uma serra cujo motor baixo-batera cede alvará para o curto circuito mente adentro do orvinte.

E o trampo permanece tropé contínuo e instigante – até vovó Durvalex poga na maior, dispensando o Odair José da vitrolinha por alguns instantes.

No enredo musical contido em   “Garota do Bosque” sobram sátiras aos amantes do rpg e do power metal, arquétipos e tipos da rua são esculhambos sem cerimônias no trampo dos cabras, aliás. 

E assim o disco vai tupá tupá, cotovelos como bronca cortando o ar em rodas de pogo e fogo, tupá tupá, parlada atrás de parlada, eta gravação jóia!

É assim mesmo o registro: azeitonas hardcore agindo nas barbas do famoso Moisés, enlouquecido, matando uma barata invisível em sapatadas doidas no purgatório! Aquela velha história: dura realidade, hardcore sujão na alma guerreira: guitarrão médio-agudo do capiroto (ora cuns solinhos malucóides-firmeza), feroz baixolão mil volt e o batuque na brasa, sacumé? Tá em casa.

“Ladrocacia” e “O Planaltista” esquentam mais o processo: “eu tô com fome, quero comer/ me dá comida, senão eu vou morrer”, e assim o play vai comandando a  brisa: uma marretada na maior velô massageando tua cuca, meu chapa - confira.

Baixe o disco. Aperte o play: é hardcore dus bão, é o Caos no Capão, ouça o KxTxH!


ps: o finalzinho com eco de “Se mate hipócrita” é chapação das boa!


E aqui os dizeres dos cabras, contido no disco:

"Recadinho maroto pra garotada

KxTxH lança ai seu primeiro CD , gravado totalmente nos esquemas podreiristicos DIY , sem produtor mandão ou modista . Sem abraçar partidos & partidarios de ambos lados , musica feita para cabeças raxarem e pensarem ao mesmo tempo . Somos na zona sul de São Paulo onde atualmente a cena Punk / Hard Core anda com pouco espaço para se expressar graças a esta nova juventude acomodada que prefere classicos do "rock" a serem entoados como covers repetitivamente todos os amaldiçoados dias e panelinhas do underground que não se unem e separam as bandas .

Mesmo assim mantemos o orgulho e cara a tapa a meter um som próprio a quem não gostar e nos poucos buracos que arrumamos a tocar e neste singelo CD , que está uma merda , mas uma merda sincera , da favela para SP inteira : para a cena underground inteira , pois a musica não tem fronteiras !


ROCK NA ROÇA

O que me empolga numa cidade ananias são as pessoas. A trutagem é o céu da roça, que resiste ao peso dos dias. Caminhar, caminhar n...