segunda-feira, fevereiro 18, 2013

A vovó tinha a teta caída na altura do umbigo. Fumava dois cigarros ao mesmo tempo, quando o domingo chuvoso rasgava pela noite cinza. Olhe para suas canelinhas: finas e peludas. Essa mulher tem noventa cinco anos e há pelo menos três não sabe o que é banho. Contudo, abaixa-se, limpa o ânus com certa leveza.

A vovó acorda cinco da matina. E nada de alongamentos no cardápio - daqui em diante ela fuma os cigarros, ela vomita. E entra na banheira. Quentinha, a banheira? Não. Vazia. Ela toma seu banho invisível durante três horas e alguns pálidos minutos em azulejos beges. O ritual só é encerrado após a revista Cláudia edição de número 167 ser lida de cabo a rabo por três vezes seguidas. Então a vovó não se enxuga. Reumática, rema pela cozinha. Prepara uma refeição qualquer - o dono da venda da esquina é seu amigo e em tempos de amargura ela paga-lhe um boquete. Em seguida, vovó dorme. E no dia seguinte, a mesma coisa.



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