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FÔNEI



Tinha a cara frouxa e fofa, o Fônei. Andava pela Rua Quatro com a Avenida Sete, receoso. Eram oito e meia da noite, ou talvez oito e trinta e dois agora. É que verificara o horário lá no relógio da Praça da Matriz.  

Depois de dar duas voltas no quarteirão, estacou. Levou a mão até o queixo papudo, caídão. Queria entrar no Devitto, Sports Bar e Chopperia. Queria gordura também. Mas não tinha grana. Não tinha aparência. Não tinha roupas, não tinha trajes e penteado. Nem amigos. Não possuía experiência social suficiente. Não conseguia soltar algo da boca sem gaguejar. Não conseguia parar de suar na altura do umbigo. Não conseguia parar de detonar uns Rafitus depois de um big dum almoço triplo. E outra vez estava suando, quando de repente sentiu que precisava cagar. Atravessou a rua depressa. Surgiram algumas vozes, meio embaralhadas, vindas da esquina. Fônei se assustou, seu tornozelo não era de borracha e a insuportável dor tinha uma trilha sonora:


- Sai da rua seu nerd tetudo!


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