sábado, fevereiro 23, 2013

LITERATURA É ROCK AND ROLL




Literatura é rock and roll. Rock and roll, um planeta literário sujo, com cacetadas de humor, sexo, violência e diversão garageira. Entre válvulas e páginas, Dostoiévski encontra James Cain, Johnny Thunders cruza com Kafka na Avenida 8. Em devaneios fuzz, Gogol e Freddie Mercury estouram numa gargalhada kubriquiana lá pros lados da Avenida 29. 



Entre parágrafos de sonho, advérbios cirúrgicos  e densidade psicológica desoladora, Simenon e David Goodis cumprimentam Mike Ness, e o eco dos deuses do Sonic Youth invade o Horto, enquanto Kerouac e Tom Waits pedem um café na Veneza, esperando o Mavericão do Neil Young dar as caras pela Rua Cinco.



Agora, as velhas crônicas do Nelsão vão descansando ao lado do guerreiro London Calling, vinilzão que anima o churrascão Stooges dos eternos camaradas, o buxixo sangrento, ou a madrugada solitária balzaquiana. E entre uma lendária ofensa cheia de veneno ggalliânus, entre uma microfonia comendo lanche no Big Bar tendo como background aquela saturação inesquecível, nas cordas de uma Les Paul reluzindo sangue o velho Black Flag encontra o 'escolado' Plínio Marcos, no domingão-calorzão do Lago Azul. E comendo um nervoso pão com mortadela, sábadão na praça, tomando sua Galeguinho gelada, um eterno adolescente boca suja e de tatuagens baratas nos fones escuta Ramones, pela longa madrugada da velha e sonhadora Rivers. 
























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