quinta-feira, fevereiro 07, 2013

O OPALÃO BRANCO

A especialidade de Sérgio Clitóris sem dúvida é o rosbife. Ele voltou-se para Catarina e disse:

- Cat, eu quero rosbife!

Catarina tirou o Opalão da garagem e os dois foram ao Fofelinos Algas, o restaurante mais grã-fino da cidade.

- Boa noite - disse o garçom.

Sérgiou encarou-o fixamente. E assinalou, apontando-lhe o dedo indicador:

- Aí garçom, sem querer ser indelicado mas...os seus dentes estão sujos. Bem sujos.

E estavam mesmo. O garçom esquecera de escovar os dentes. Maldito amendoim verde de casquinha, amendoim grudante.

- E eu quero rosbife! exigiu num alto volume o Sérgio, dando a maior pala no recinto.

Catarina interveio, tentando preservar a calma.

- Não ligue pra ele. Queremos o rodízio de carnes, o tradicio...

- O CARALHO - espancou forte a mesa o Sérgio Clitóris. - QUERO ROSBIFE NESSA PORRA!!!

Nesse momento, o violinista parou de executar seu número. Era seu tema predileto. A vice-prefeita torcia o nariz na mesa quinze, para desespero de seu assessor de imprensa. Envergonhada, Catarina vazou.  Entrou no Opalão e fugiu dali. Mas antes do poderoso motor rugir pela noite,  Bed of Roses soava ao fundo - apenas uma trilha sonora do acaso, naquele velho Opalão branco, perdido, rodando sem rumo pela cidade.

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