terça-feira, março 26, 2013

AGITO SOCIAL 1

Eles levantaram, e Peterson beijou Célia em ambas as faces. O contato dos lábios do rapaz levou-a a limpar rapidamente as bochechas. Sorte que a Célia tinha um guardanapo ali no jeito! E ela ainda franzia o semblante, num movimento de nojo após a esterilização. Peterson então afastou-se,cabisbaixo, com um pouquinho de chocolate no canto de sua boca tristonha.

quinta-feira, março 21, 2013

SILÊNCIO NA RUA OITO

Pelo celular, ele conferiu o horário: quatro e pouco da manhã. Celsinho andava cabreirão. Voltava a pé pra casa, sozinho. Não havia uma viva alma na Rua Oito naquela altura do campeonato. O Celsinho, que era um cagão por natureza, olhava desconfiado para tudo que não se mexia. Qualquer indício de movimentação ou mesmo ruído imaginário já o deixava apavorado. No meio daquela paura interna, lembrou-se da música Sorrow, do Bad Religion.

"Será possível que não passa nenhum carro por aqui? Nem uma bicicleta? Nenhum nóia neste trecho - como assim?" Não era nem tanto a perspectiva de um assalto ou traumática abordagem que o congelava: era o próprio medo de sentir muito medo. Celsinho respirou muito fundo, o máximo que podia, sentiu-se nadando no riozinho de sangue do inferno, nadando embaixo do sangue, de olhos fechados, com a respiração curta. Apertou o passo. De cabeça baixa, seguia com as mãos no bolso, rangendo os dentes incessantemente. Queria chegar logo em casa, porra. Tomar um banho quente. Mas faltava muito. Teria que andar muito. E andava agora com uma leve náusea, que ganhara status de ânsia de vômito, com a garganta fechando-lhe qualquer vestígio de tranquilidade, de paz. E quando foi acertado bem na cabeça, Celsinho caiu feio no asfalto, quebrando o braço esquerdo. Ficara todo ralado na cara, de imediato, e percebeu que na verdade doía pra cacete seu corpo inteiro, e não sabia porque estava prestes a ser executado. Levou dois tiros bem na cabeça, e um furou-lhe o peito. O silêncio na Rua Oito não demoraria a retornar. Eram quatro e dezoito da manhã na velha Rivers.



quarta-feira, março 13, 2013

CERIMÔNIAS DO SANGUE VESGO


Mania. Mania. Em um blogue da bipolaridade brasileira, o comentário avisava que o Anônimo estava fazendo "regima." Diabetes, fantasma, perder os pés, perna, ter os sonhos decepados numa trapalhada anti-açúcar. A Flock of Seagulls - I Ran. Goles de refrigerante para o firmamento dar de ombros,  na madrugada forrando a pança de refrigerante um humilde rocker da roça avança para o descanso. Impulsividade, o duelo. Boa, ruim? Guarda-chuva. Tempestade de ansiedade na cabeça, enchentes, os dedos sem unhas, os dentes rangendo no inferno que é o labirinto da tensão, sob areia movediça pensamentos incontroláveis que na verdade são digressões de corações ansiosos trazem mais impulsividade, a expecativa é um helicóptero cinza com o combustível renovável num precinho camarada. Vejo o poder de concentração levando bala, metralhadoras em xícaras de café serão cúmplices. Mania. Mania. Ler, escrever, ouvir, ver? Sentir. A Flock of Seagulls - I Ran. Achar o caminho da ruína profissionalmente. Fazer o que se gosta antes que a morte ligue os refletores que cegam o peito. Goles em copos nervosos, cheios de corante. Mais um. Derrubei todo o copo em cima da mesa. Coitado do copo,  que era gordo, derrubei refrigerante no teclado, em cima da Austrália. Fiz merda, é o que diz o Adriano, o ex-jogador.


Por breves instantes, pensei que o Brasil estava em Los Angeles, eu sonhava que iria tocar com os Stones, então me lembrei do jogo de hoje. Que atuação do Barça! O Messi,que não é amnésico, é melhor do que o Pelé, foi o que me disseram, quem teve o prazer de ver os dois brilharem nos gramados da vida. 

Muito gente de fama morre, provocando problemas nos burricos que digitam antes de cagar com a cabeça, com o Pedro Lúcifer a assistir a tudo isso, como se fosse  o relógio parado do mundo, o homem respirando. Religião pra dividir as pessoas, ao invés de religar. E o Pedro Lúcifer lá do inferno com um simples toque no controle remoto pode levar tudo pelos ares. O Percy, que é vendendor em lojas de instrumentos musicais prefere puxar o saco de quem é fera na música sertaneja universitária. O que? Rios de lama no microfone. Comunicação atolado, chove mijo nos seus olhos, Deus está mijando desgraça no seu retrovisor. Nhônho porém, optou por guardar o seu brinquedo na garagem. Tinha os dentes como placas escudos barricadas brancas - e não sustentava arrogância - e tendo começado a percorrer o corredor num passo pesado, pensou em comprar uns pirulitos. Não me recordo de qual era o palpite da Lurdinha para o campeão deste ano da Champions League. Estava muito caro aquele dvd do Van Halen pra tão poucas músicas e pruma performance tão lenga-lenga com o Sammy.





- Tira esse sorriso estúpido da tua cara de merda. 


E então ele fez como lhe dissera. Tinha violado a razão. Bebeu a maça que nada mais era que uma mordida numa fruta que você sentia gosto de café velho e com chulé, frio o chulé impregnando-lhe na alma além do gosto de café, e a pizza de brocólis, o cara veio entregar a pé, morto dentro de uma caixa de fosfóro está você, caindo, caindo, o sono venceu mais uma.

terça-feira, março 12, 2013




Você liga o rádio e desliga, porque FM não presta. 

Você abre o Facebook e pedindo ibope lá está o Pinico Santa Cruz. Lá está mais um banana, alguém cujo "sucesso" lembra a palavra "sofá". Reunindo o melhor de seu pífio vocabulário cafona, ele apela para aquele discurso "somos parte da mesma coisa". Com muita originalidade e astúcia, o brother aplica sua retórica de quinta categoria, e no meio daquele mar de decadência coletiva, você parece ouvir seu sotaque hilário e exageradamente adolescente. Você admira sua bagagem filosófico-cultural monstruosa e polivalente. 

Então você liga a tevê. Emocionados, os jornalistas brasileiros preparam um especial sobre a morte do Chorão, que sensibiliza o ânus de todo o Brasil. 

E por um momento você ri. 

Você sai de casa e confronta o céu azul. Você não tem pressa e caminha tranquilo pelas ruas planas do centro da cidade. Você tem fones de ouvido, e com um leve aceno você cumprimenta aquele senhorzinho simpático, aquele guerreiro que aos setenta e sete anos respira alegria pelo semblante jovem e satisfeito. 

E então você aumenta o som, é claro.

segunda-feira, março 11, 2013

PERÊNIO ESQUISITÃO



Quando Perênio saiu, estava na maldade. O nevoeiro dentro  de sua cabeça imediatamente engolira sua boa fé  - e ele já não conseguia separar bons sentimentos de matança e destruição. Distinguir era para os fracos, o Perênio ligou o F e entrou numas de ser o último farrapo honesto na face da terra.

E de repente uma bad trip pintou na área. Perênio se sentiu esquisitão. Parou no meio da Rua Teflon Seven, era puro desconforto. Seu estômago borbulhava, a testa babando suor frio. 

Sentia-se como que despencando em queda-livre, talvez do vigésimo oitavo andar. Perênio cairia de peito aberto, a barriga nua e a rua, para tingir de vermelho um pedaço de chão imundo na velha Rivers, os ossos espalhados sob o céu azul.
     

Elegantes edifícios não iam dar a mínima. As pessoas saltariam o defunto, e depois voltariam para ver um tiquinho da Globo depois do rango. E depois a concentração visaria a digitação correta dos botões no caixa eletrônico, talvez no dia seguinte. 

Perênio desmaiara cheio de vertigens perto de uma loja de frios, a mais famosa casa dentro do estilo a bordo da Rua Teflon Seven. O assalto planejado minutos antes minguara de vez, e sua testa babando suor frio causava nojo na população.

      Assim, um perigoso polícia amputou-lhe o pênis duas horas depois, em circustâncias misteriosas - pelo menos foi o que disse um comerciante aos jornalistas.
O corpo do Perênio até hoje está desaparecido, mas o policial que confessou o crime ontem viajou pra Búzios.

domingo, março 10, 2013

RAFINHA TALES E O MONSTRO


Foi então que ele ouviu um barulho: BLUM! Um BLUM claro, nítido. Uma bofetada no ouvido da galera. Uma sonora bofetada pra aguçar os sentidos de várias cidades invisíveis. E como ele estava do lado de cá de uma porta trancada e o monstro estava do lado de lá, não era preciso ser muito esperto para descobrir que a coisa estava preta para o lado do Rafinha Tales. E pelo barulho, a bofetada era uma bicuda: BLUM. Em sua cabeça, BLUM, surgiu a imagem do monstro enterrando as unhas compridas e sujas de ranho seco em sua pele sensível e cor-de-rosa, ele sentiu sua gengiva agora estuprada e bastante infeliz.

Subitamente, Rafinha Tales se lembrou de uma canção do Lulu Santos. Como podia gostar disso, dessas coisas, usar essas roupas limpas, engomadas, andar com gente merda com cérebro de gengibre? BLUM. BLUM. A porta não aguentaria o tranco. BLUM.Quando um monstro começa a entrar para valer na fase 'destruição eu amo você', um dos sintomas apresentados pela vítima é o cagaço seguido da punição por parte do monstro, que inclui uma série de bofetadas, murros,  moquetas frontais, cotoveladas de responsa, beliscões nas partes íntimas, queimaduras com ponta de cigarro nos olhos, etc...

E Rafinha Tales subitamente fez cocô na calça.

quarta-feira, março 06, 2013

'MIL VOLT'


Havia uma pá no porta-mala do carro do Trindade. Tonho precisou de meia hora para abrir passagem no estômago e cagar de acordo e, a essa altura, era quase meia-noite e cacetada. Trindade esperou impaciente, pra variar.

Do outro lado da cidade, Janota ligou o rádio. Janota desliga o rádio. O corpo do roqueiro da igreja de surfista fedia já, ela pensou. E eles suspeitariam dos adoradores do crack. 

Tonho assumiu o volante. Trindade ia de co-piloto, fumando um baseadão cabuloso, puro rabo de crocodilo. Dobraram uma curva bem fechada e lá estava vindo de encontro o caminhão da Elektro, com a pancada a estrada explodiu e todo mundo virou pirulito queimado. 

Eu desliguei minha moringa. Escrevi um recado para mim mesmo dizendo coisas bastante grunhíveis.  Eu não sabia para onde estava indo. Pedia uma xícara responsa de café para lucidez, senhora responsável, a mais responsável das almas errantes, vagantes almas aqui no espaço cegueira, e quando tentei retomar o pedido pela segunda vez, vi tudo embaçado.  Desisti de dormir. Mas continuei deitado na semana seguinte, embora eu estivesse sem sono. De rosto inchadão, eu levantei capengando, parecendo um fantasma beldo chutando copos de vidro e copos de gelo.

E a maneira como eu enxergava o mundo mudou nessa última noite, não foi? Sempre muda. E mudou e muito, mudou o mundo, eu pisei outro em cima da manhã e o sol e a sombra trincando as calçadas do centro, o céu felizão, eu meu mundo ela o mundo dela o nosso, eu ela nós, pra melhor, a gente a gente. Eu amava ainda mais a minha mulher.

Eu comecei a pirar, a trip intensa e nítida: ah,  o quão o amor é um incendiário foguete dentro do coração sem break pra gasosa, dançando e cantando nós vamos, eis a era da nossa eterna explosão, Ní, a alegria vem depois da alegria.

domingo, março 03, 2013

COISAS DE CARRINHOS




Ao passar pela sala, o pedaço de salsicha largado embaixo da mesa chamou sua atenção. Ele era tão apetitoso quanto um dógão feito no carrinho do Gilbertinho da 14.

Inquieto, Cristiano Belina o apanhou e o engoliu.

Na primeira resposta do estômago, havia uma ânsia de pôr tudo pra fora : apenas um jorro marrom ou amarelo e tudo estaria liquidado. E então a dor realmente começou a perturbar-lhe. Agora se mostrava um homem lívido de rosto fino e suando na sola dos pés. Cristiano Belina estava intenso nisto, começou a suar tão forte que perdeu o equilíbrio, e perderia a virilidade em questão de segundos. Agora era uma mulher de olhos sombrios e lábios grossos dizimada por uma salsicha. 

sábado, março 02, 2013

gás pra todos

Jogando palitinho na câmara de gás. Luz de neon, laser bacana no convívio, câmara de gás de jogo de luzes em olhos cheios de felicidade. Câmara de gás no comando baby, o Bono Vox chapéu de cowboy,calça de veludo verde almoçando ervilhas, você vomita uma série de puns. (Silêncio, o Bono voa embora). Os palitinhos se espalham, o fiscal olha do monitorzinho em preto e branco: garfos são garfadas, dentes de garfo imagens de dentro pra fora, são os seus pulmões agora, e aquelas luzes vermelhas piscando, piscando, piscando, respire ervilhas são bolinhas, ervilhas entupindo seu nariz agora verde por dentro até você respirar sem sair nada, respirar não existe mais.

ELE ERA A CARA DO NUNO LEAL MAIA


Ele era a cara do Nuno Leal Maia.


Só que ele queria ser rico e ter muitas garotas. Gostaria de um carro novo,e não de um cancro. A cidade de mil almas não se abateu. Meia dúzia de roupas pretas guinchando lágrimas de crocodilo, e naquele velório cheirão de clorofórmio, levaram o Guto sem pressa pra Belzebu currar.

A BOLOTA DO PEIXITO

Não!  Conserve meu pote aí, porra! Eu quero minha bolota no lugar original. Converse minha lata aqui, onde ela onde está. Deixe ele assim. Isso. Os ombros curtem ele aí, este é o Peixito falando direto da Terra. 


Pena que então veio a equipe de mudanças do Sérgio. Códigos e códigos de indução, foram abrindo a porta na bicuda, meteram um safanão na napa do cidadão, eles deram um BRAILE ali, no Peixito's house. E pronto. E o Sérgio nem tchuns: só contratara os rapazes e bola pra frente. Peixito agora gritando como Tom Araya: não, deixa meu pote aí filho da puta! Peixito sem camisa, com seu corpo magro e ossudo, de abdômen amarelo todo amarrado no sofá. Sentado e com um cinto de segurança na altura do saco, os pés chutando o ar, porque era levado pela equipe de mudanças do Sérgio pela Avenida Suja Park. 


E respirando pelo cu, Peixito desejou ser um peixe, e nadar sem rumo num aquário de groselha, loucamente a locomoção até a morte, na groselha, natural.


ROCK NA ROÇA

O que me empolga numa cidade ananias são as pessoas. A trutagem é o céu da roça, que resiste ao peso dos dias. Caminhar, caminhar n...