domingo, junho 30, 2013

RIVERS, NOITE DE SÁBADO

Flanando pelas noturnas ruas de Rivers. 

Os carros passam com som alto estralando, é funk do bão, e dentro de uns dos veículos, cinco ou seis marmanjos, em suas melhores roupas, sem dar uma foda há 240 meses, observam tudo que se mexe. O visual é padronizado. Visual-balada. Camisa pólo bosta, topete retilíneo, panos bem passadinhos, cores amenas, tecido sem manchas, sem vergonha. 

Esse é o recheio da noite: uma cidade fantasma parada no tempo, com um monte de babacas brincando de carrinho vendendo pamonha. Fora isso, não há nada. Há mais carros desiludidos, casas tristes, casas derrubadas, casas fechadas e postes desolados, linchados pelo tédio. Também vejo bares defuntos. Ruas de sono profundo. Rivers está morta faz uma cota.

Com exceção de uns poucos bares, e que fecham cedo, ou um ou outro firmeza, que permanece aberto, não há ninguém na rua, nem mesmo no Pronto Socorro. Que novidade. 

Enquanto isso, perto dum posto de gasolina, um gordinho ajeita o canudo dentro do carro, num gesto habitual. Quanta adrenalina. 

Nessa hora, Miles Davis está dentro da lua, comendo dois churros, enquanto aprecia o som das portas se fechando no Bar do Purê, que oferece uma promoção especial de cerveja bem gelada, Glacial.

sexta-feira, junho 28, 2013

ENTREVISTA COLETIVA?

Neymar em entrevista coletiva é 100% Neymar.

O LARÁPIO ARGENTINO


Simplona, aquela loja de R$1,99.  

Algumas modestas bexigas, saboneteiras, enfeites de natal, uma grande soma de lápis de frágil grafite, jogos como "Resta 1" (crássico!), enfim, uma loja bem humilde, localizada no bairro de Argeys.

Quatro da tarde, e o movimento é mediano. Pessoas mal-educadas entrando e saindo, enquanto a gorda do caixa está de bigode. O segurança saiu pra dar um dois, mas já volta. Os oito, nove clientes disponíveis no recinto não percebem o que acontece por baixo dos panos. É ele: Héctor. O larápio argentino.

É um homem magro, de cabelo negro liso, desgrenhado, com um palito judiado dançando entre os dentes. Héctor desfila tranquilo entre as prateleiras. Observa com cuidado um garfo de madeira.  A cabeça ele mantém baixa, discretíssima. E o seu casaco de moletom, azul e cheiroso?

Bem, o casaco de moletom possui novos amigos. Um apito de cordão logo é adicionado, seguido de uma carteira infantil.  E um carrinho plástico, vejam só, de fricção, ganha nova morada dentro da calça jeans. Mas o casaco de moletom novamente volta a ser o centro das atenções.

Porque é ele que recebe um exclusivo espremedor de laranjas.

Héctor passeia satisfeito naquele curto espaço. Ninguém percebe suas intenções. E assim, sente-se feliz quando consegue colocar dentro da cueca uma tesoura para corte de frango. Adora tungar objetos. Já que era frustrante fazê-lo apenas através do sonho, resolveu precipitar a coragem  pelo coração.

Dentro da loja, clientes formam a famosa fila indiana. Uma folha de sulfite pregada com durex na parede avisava: "Não aceitamos cartões de crédito/débito".  Uma senhora de 57 anos estende sua compra no balcão. Trata-se de uma esponja para banho. Levará pra casa também um pequeno cofre, no formato porquinho. Atrás do caixa, a atendente faz cara de bosta. Olha pra telinha do computador piscando preços, está infeliz. É gorducha e enfia o dedo no nariz. Que nojo. Seu bigode é repudiado por 103% dos clientes. Parece que tudo que acontece em sua vida é desinteressante, uma bela porcaria sem fim. E então o troco aparece e a cliente não se despede.

No maior espírito de mamãe-condescendência, a loja de R$1,99 assiste Héctor abandoná-la. Respirando a plenos pulmões, o andar resoluto, o sorriso crescente, Héctor sabe que o jogo pega varetas com estojo plástico agora é todo seu.

quinta-feira, junho 27, 2013



São muitos passos, paranoicos. Perturbados. Erráticas jornadas através da ansiedade.

São passos fora da terra. 

Passos atormentados, dentro da enorme sala cinza.


Incessante ele, o pesar, sem motivo, em torturantes caminhadas desprovidas de sentido. Até a exaustação. Paranoia acesa, como se disparasse para o alto milhares de sacolas de plástico do receio, que, flutuando no inferno, cegam para a morbidez.


No entanto, a seleção recupera a posse de bola.

E assim, a paranoia torna-se sensata. O tanque da loucura, seu táxi, sai de cena.  

O bem estar começa a dar as caras. E tem mais: água!

Quem disse que beber água é mau negócio?


terça-feira, junho 25, 2013

NA FESTA DO PEÃO DE SALTINHO

O Luquinha tava pegando geral na Festa do Peão de Saltinho. 

Bole-que-bole, abordava askenga e partia pro laço, na marra. Laçava  na força bruta, e dava umas pá de mordida, babada, fazia banheiro público na beiçola das moçoiola.

Até que a Catarina se irritou.

"Que escroto! Quem ele pensa que é?".

E o Luquinha lá no agito, pegando geral, deixando sérias marcas no pescoço das vaqueiras-piriguetes. Uísque rédi bull e energético supervisionando a moringa, e ele todo valentão, de calça branca e perna aberta, bota chique levantando poeira.

- Seu ridículo!

Quando Luquinha virou pra se divertir com a ofensa, sentiu um jorro de cerveja gelada estampar-lhe a cara. Sua cara ficou empapada. A nuca geladinha. Era cerveja ou mijo?

Ficou fudido.

Não encontrou a menina. Mas pôde vê-la fugindo, entre as barracas de espetinhos Leonard.

Não deu outra.

Duas horas depois, ele cruzou com ela no estacionamento. Pronto: o socão de direita que ela levou na fuça era uma tijolada. Catarina sem sentidos perdeu o pivô.

segunda-feira, junho 24, 2013

Glamorizar a bebida. Fumar cigarro pelo sovaco. Flutar em cima dum pequeno mendoratto. Ouvir A Little Respect e lembrar-se das novas gerações, tão esbeltas.
A regra é repetir o que a maioria faz, por isso o mundo é bocó, e tão divertido como o canal da moda no YouTube.

sexta-feira, junho 21, 2013

E o Miami alcançou o paraíso pelas ondas, pelas praias do LeBron.

Provinciano-pilantrinhos, fofoqueiros credenciados, aproveitadores de quermesse, bafos de bode, caipirões em lanchas naufragando na mediocridade. Cenário típico.

O LADO IRÔNICO

A manifestação ontem em Rio Claro teve maior público que a torcida do Rio Claro F.C durante dois anos de disputa na série A-2.

quinta-feira, junho 20, 2013



O apresentador João Canalha leu minha piada da "ola" no Bate-Bola da Espn Brasil agora. Só faltou o crédito (acabei de enviá-la), mas tá certo. hahah

VITÓRIA FÁCIL?


Esse México que o Brasil venceu é uma merda. 

Ganhou um só jogo durante o ano. Empatou muitos outros - e contra adversários mais fracos que a voz da Mallu Merdalhães. 

Esse México é um primo mais velho do Palmeiras na série B. 

Enfim, ganhamos. Mas ganhamos de um time feliz e relaxado, após uma sessão intensiva na casa de massagem, aparentemente desinteressado.

É muito pouco.

Mas o ufanismo já começa invadir alguns podres corações.

Guardado está feliz

MONTANHAS DE PÍLULAS

Joel estrangulou Serena no escuro. O velho povoado acabaria por linchá-lo. Alisando o cabelo, no chão de cimento, sua filha esperou. Babando algas, os remédios da tia Valda produziram uma nova vida.

para sempre

Risildo, um sujeito grosso que ia direto ao assunto. Arrombara a faxineira por trás, arrumando-lhe um olho roxo. Três meses passados, e o olho roxo. E depois a córnea, petrificada.

quarta-feira, junho 19, 2013

É o pavoroso enche-linguiça chafurdando, desviando o foco crítico do espectador. 

"Magia". "Estereótipo de merda".

Para a Copa das Enganações 2013 no Brasil, o canal Sportv preparou, além de belíssimas imagens, um quadro totalmente novo. 

Com a intenção de apresentar "a cultura" dos países participantes, a emissora contratou uma equipe da pesada para reproduzir seus hinos, danças típicas, tradições. 

São representações caricatas exclusivas pra você.


Fifa proíbe " ola" nos estádios durante a Copa das Enganações 2013



Segundo a instituição, a camisinha não é a patrocinadora oficial do evento.



COPA DAS ENGANAÇÕES 2013






David Luiz cai em campo. Precisa de atendimento. É contusão? Não se sabe. Mas o David Luiz é retirado em campo dentro de uma bacia laranja. Seis pessoas salvam-no, correndo apalermadas, atravessando a linha lateral aos trancos e barrancos.


Mas e o "carrinho elétrico"?

Não tem carrinho elétrico. Não tem carrinho elétrico porque a Fifa não tem patrocinador pro carrinho.

PróximoPróximoPróximo

FELIZ ANIVERSÁRIO, RONALDÃO!

Que Ronaldo o que, rapá. Aliás: esqueça Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Cristiano Ronaldo.

Hoje é aniversário do Ronaldão!

TUDO MISTURADO


Paulo Nunes estava curtindo no Bar do Vinícius. Ali sentadão, displicente, de costas pro balcão. Cana subindo depressa, o Paulo precisa de xana. Precisa de romance de atrito.


Chega perto de Solange. A recepção é ok. Ela o reconhece. 

Vai um drinque, vai outro, a artificialidade é apagada como uma bituca preguiçosa. Vai outro drinque, outro coquetel - uma cantada boleira mais ousada bem ali ao pé do ouvido - e então logo a brincadeira mudou de endereço.

Sim, logo os dois estariam na hidromassagem. Com direto à muita espuma. E espuma da Disney, o Paulo curte. Diz essas bobagens bêbado. Soluça, ic. Como se a folia transbordasse de seu ser - de sua pele esculpida em acne profundo, de seu belo cabelo oxigenado semi molhado em espuma, visual loiro-prata. Aliás, a espuma se espalha pelo cabelo dos dois. Que dupla. Ao fundo, há o som. É a fase áurea do Raça Negra.

Paulo Nunes quer Solange.

Paulo promete passeio de helicóptero.

Ela quer luxúria como nos dez segredos daquela matéria da revista Cláudia. Lera na manicure, com o auxílio de uma amiga. Solange quer se acabar. Promete a si mesma: vou me esbaldar, sensual affair, acha bonita essa gíria. Sim. Ela quer muito mais que um simples xamego-passatempo. Solange é uma mulher assanhada. Nem um pouco baixa. Ela gosta de espuma e cacete famoso.  

E num movimento apatetado, ela puxa o boleiro. Quer o cangote. Mas o Paulo responde meio violento.

Que é isso, Solange? Quer posar nua com esses modos?

Ela sorri. Ele permanece sério. Ela sorri. Paulo parece desconfortável. Ela sorri. Sorri sem esforço. Aquele yellow sorriso camuflado. Então o beija, demoradamente, meio sem jeito. Por azar, um fiapinho de bacon escapa-lhe dos dentes, indo parar na goela do Paulo, que engasga feio. Ele está sem ar. Quando Solange afunda a cabeça inteira na banheira, Paulo enfim engole o bacon. Depois Solange corta-lhe o pipi. 

Paulo aparece eunuco nos programas esportivos.

Sob forte medicação misturada com cocaína, sorri diante das câmeras. 

Será que essa nova aparição será menos desastrosa? 

Paulo não sabe. Só sabe sorrir. É um riso forçado. Como sua fala. Padrão Globo. Fala do bem. Palavras que apenas concordam com as óbvias perguntas, que de brinde, já trazem as respostas. 

O apresentador é o Cleber Machado. Ele passa o vetê. Paulo então revê os gols da última rodada do Brasileirão. Leva a mão ao queixo enquanto revê dois polêmicos lances de impedimento no jogo do Grêmio. Está ao vivo no programa Arena Sportv. O outro convidado é o ex-craque Bebeto. Solange agora jura que está grávida dele. No entanto, Bebeto não retorna suas ligações. Não seria capaz de trair novamente a confiança de Renato Gaúcho.

Cleber elogia Bebeto

terça-feira, junho 18, 2013

O ANTÔNIMO DA VIRILIDADE

Antônimo de virilidade: Rodrigo Faro.

O SUBSTITUTO INEFICAZ

Tem idiota pra tudo. 

Tem garota de trezentos quilos delirando em fofocas no facebrocólis. 

E assim, boatos são plantados como um substituto cada vez mais inadequado para ausência de sexo.

FORMAS FECAIS - SISTEMA JULIUS DE ENSINO

Voltando da padaria, eu peidei. Eu peidava sete vezes no decorrer do trajeto. Durante anos e anos eu peidara, voltando da padaria. E peidaria muito mais - até que, num dia de merda, meu cu parou de peidar.

domingo, junho 16, 2013


Domingão de manhã, e você ouve Five Long Years.

Eric Clapton empunha a strat, e você vai parar em outro planeta, fácil.

A banda é demolidora. Bends vão engolindo a platéia, que está tomada. Tá todo mundo louco. Dentro, fora do palco. O fraseado reverbera em punch. O fraseado é hipnótico. Clapton consegue.

E a strat lunar, prossegue, estrelada. Five long years. Quero ouvir essa música até o fim dos dias. Que jornada, meu chapa. É uma influência quente, assim como vestir calça jeans e solicitar o café na padaria mais próxima. E os bends ainda ecoando, são as velhas esquinas da cabeça.


Buddy Guy que me perdoe.

TONY SACOU O REVÓLVER

Tony sacou o revólver. Lucileide ficou apavorada.


- Não atira nele Tony, não... - PLÁ!



Pronto. O Alcides caiu letalmente borocochô.



E o Tony saiu correndo pela madrugada no mute, de calça jeans cinza. Pulou três muros, duas muretas. Pisou num pacote de Baconzitos, vazio.

Nós conversamos. 

O tráfego de ideias prossegue. Não percebemos os passos do relógio, a noite tranquilona tocar seu sax-tenor beldão. 

O tráfego de ideias muito além da alameda mera constância. 


Os assuntos aqui e ali, se desprendem pelas digressões. Digressões, taí um negócio que eu curto também.  

Nós estamos nos entendendo. Nós conversamos.

Almas como nuvens ciclistas, no quarto temos simpatia.

Daqui a pouco poderemos morrer longe do trenó, e sem a necessidade de tomar chimarrão. Daqui a pouco poderemos chutar a morte, e a morte poderá proceder longe da aldeia Toledo Alvos. 

Nossa conversa é inspirada. Leve, piano transparente, prosa fecunda, prosa vibrante.

Bate-me no peito alegre a satisfação.  O tráfego de ideias, vivo. Perpetuados no mais puro sossego, os nossos pensamentos.

Dentre os boogie-woogies dos dias, a gênese do sonho estrala - nos entreolhamos e está tudo certo. 

Vício sagrado, carinho, flutuante em límpidos abraços, nosso caminho. 


E os raios ultrasambarilóvipunklues derramados, muito além da alameda mera constância.

sábado, junho 15, 2013


Irrestrita, pelo semblante. De alma otimista. Bondade, num simples movimento do coração. Não, não abandonastes a terra. Ainda que por raros minutos, para envolver em serenidade as velhas calçadas da minha rua.

sexta-feira, junho 14, 2013

SINTONIA E DIVERSÃO NA VELHA RIVERS

Após o almoço.

Nós dois assistindo Futurama. O episódio estava engraçado, e disparamos pequenas risadas, juntinhos. Apenas o acorde inicial,sexta-feira promissora é rock and roll.

Tecnologia e lugar comum. Falta de conteúdo. Raciocínios medíocres. Expressões banalizadas. Analfabetismo funcional contagioso. 

Linguagem infantilizada. Ortografia de retardado. Aspirações imbecis. Egos de bexiga de quermesse. 

O corre-corre pela busca da afirmação social. Turmas de babacas desfilando 100% padronizadas. Um mundo feliz, na mais pura publicidade barata. Com as deprimentes luzes da autopromoção estéril, dançando lambada com a imagem falsificada. E dois cliques de tédio cancerígeno. 

Em outras palavras, o Facebook.

quinta-feira, junho 13, 2013

CHOCOLATE AMERICANA'S

Na época ele não estava empresariando os Bee Gees. 

Quando chegou em casa, tratou de subir as escadas. Colocou o suéter prata. Em seus aposentos, no aconchego da alcova, era muito mais garboso. 


Encarando-se no espelho, disse: "EU MEREÇO". 

Da cintura pra baixo, estava nu. E então, aconteceu.

Num esforço extravagante, começou a desfilar cagando em pé. Esquerda-direita, os pés, a merda em cachoeira constante, da sala até a cozinha. Corria aceleradinho agora.  Por trás dele, o riacho fecal denunciava fartura, e da cozinha até o quarto de hóspedes agora. 

Os rastros de bosta eram como chocolate Americana's, só que estragado. 





E então ele colocou os dois pés dentro do aquário, glub glub, de lá de dentro ele via as pessoas disputarem hashtags.


quarta-feira, junho 12, 2013

Todo mundo ralando e o Pedro Jaílson contemplando a cortina no céu.

A FIFA E O ACARAJÉ


O acarajé está pronto. Pronto em casa mesmo.

As baianas requentam-no no micro-ondas. 

Só assim poderão vendê-lo nas arenas, paras muitas feras.

É sério.



Num raio de 2km ao redor dos estádios no Brasil, durante a Copa das Enganações e da Fifa World Cup 2014, é proibido existir integridade brazuca no quesito tira-gostos.

Pois é. Com muita luta, o acarajé venceu. Rara exceção.


E o acarajé terá de ser preparado em casa. Num desagradável fogão elétrico, a
o invés do clássico fogareiro a querosene. Porque a FI-FA mandou. E o Brasil se curvou.

Agora conheça o comissário Jordan, um dos protegidos da entidade, que fará o teste.

Ele espera o micro-ondas terminar sua missão. Pronto.

O comissário é um homem pequeno. Calvo, usa um óculos de aro grosso. Terno limpinho e sapatos sóbrios dão conta do resto da fachada.



Ele come o prato típico.

Dentro do seu estômago, então, tem início a revolução.

Seu polido aparelho digestivo está em apuros. Seu reto depois afirmou que ele tentava traduzir Jorge Amado, mas só conhecia o idioma completo do McDonald's.

Resultado: o cocô saiu todo batizado. 

Lava, bolão vermelho, filhão do inferno nadando louco na privada. Vermelho-fogo, a nova decoração da latrina. Derretendo.

Logo chamaram os bombeiros, chamaram uma rede de ambulâncias, todos autorizados pela FIFA.

E o comissário Jordan transformou-se em múmia, papel higiênico orelhas adentro.

ESTREPOLIAS EM RINCÃO


Quem nunca se meteu em confusão lá em Rincão?

Vários amigos contam relatos 'mágicos'.

E sempre envolvendo birita,suor, samba e sacanagem.

Como o Celsinho, que, com uns guaranás a mais na cabeça, quase se deu mal.


Mexeu com o bicharoca mais emblemático da city.

Com aquele gesto de soco, prometeu bimbada. Prometeu que ia pegar ele. Que o Lalá não ia escapar.

E o Lalá, por sua vez, disse que iria cobrá-lo.

Conversa vai, conversa vem, a turma animada, o Celsinho encheu o pote de mais guaraná.

Na volta pra casa, viu que seria inevitável o encontro.

E o pessoal do Lalá andava armado até os dentes.

E agora, Celsinho?

No desbaratino, conseguiu engambelar os bibas, que, putos da cara com o duplo disparate da enganação, resolveram ir buscá-lo.

Sabiam onde o Celsinho estava hospedado.

Acordaram sua pobre vózinha.

A vózinha abriu a janela ainda dormindo em pé. Não, não sabia o paradeiro do neto. Fechou as janelas com dificuldade, os olhos dorminhocos.

Lalá ficou enfezadíssimo. Batia o salto alto na calçada com raiva, raiva, fumava a bituquinha toda raivosa, enloquecida, raivosa.

E o Celsinho escondido em algum canto da cidade, esperando aquela onda errada sumir, de mansinho, sem compromisso, assim.

ASSADURAS MENTAIS


Eliminado na primeira fase. Em casa. Tristeza.

O Brasil escorregou feio na Copa 2014.

Humilhado, perdeu até mesmo a condição de pentacampeão.

E o título de 70 agora esquecido, como o PO BOX.

A lendária seleção de 82, embora não-vitoriosa (mas especial na alma de cada garrincha) será vista como um erro. Como um link quebrado na memória dos seres humanos.

Neymar culpará o pai. Muita pressão. "Neymar Júnior". Porra, só conheço o Júnior do Flamengo.

E o Ronaldo? O fenômeno da barriga não vai ter moleza. Não vai dar sopa pras bonecas de rua e a cocaína mista. 

A frustração pela eliminação precoce será travestida num motelzinho boleiro, bem mocozado, logo ali, no Rio de Xaneiro.

A TRILHA SONORA DO DESASTRE 

O automóvel capotou.

É que não colocaram a Alcione pra cantar na Copa.

Nem a Elza Soares, o Jair Rodrigues. E também o Falcão (o verdadeiro, arquiteto).

O Brasil é uma merda nisso mesmo, eu acredito.

Na Inglaterra, antes de alguns jogos pela Premiere League, o sistema de som do estádio traz Stones.

No Morumbi, não raro, AC/DC.

Bem, o São Paulo é foda mesmo. Tá explicado.

Mas e no fone do ídolo da garotada?

E no fone do Neymar? 

No fone do Neymar, tudo é Belo. 

Belo? É. Aquele bunda que nunca ouvir falar em Marvin Gaye. 

O Belo consola o menino-camarim, poxa. 

Com frases bonitas, melodias bonitas. Eu sou muito mais o Belo que o Caetano Veloso.


Neymar: "quantos pães?"

terça-feira, junho 11, 2013

APRENDA A SER PUNK , PRIMEIRA PARTE

Muito punk: pinte o cabelo de azul e use um lencinho de terrorista. Pronto: punk pra caralho.

Agora só falta o lencinho, não se esqueça.

segunda-feira, junho 10, 2013

ASPECTOS


A editora Abril acaba de anunciar. É verdade. Demitiram o Cláuzio. Andava dando despesas demais, o funcionário.

Enquanto voltava pra casa, após o horário de expediente, pegaram-no pensando em atividades prazerosas. Diversão não combina com responsabilidade. Levou então um pito. Um pito anal. Coitado, do Cláuzio. A editora Abril deu-lhe uma linda bicuda no ass.

Agora ele trabalha no Supermercado Dia.

Não sabe mais o valor da noite, não é um trocadilho, porque ele empacota fezes, e lambe agradáveis detergentes depois do "plique", o registro do caixa.

Em seu diário emocional, ele admite a si mesmo, suando frio embaixo do nariz: o Cláuzio morre de medo de ser preso. Porque lá dentro ele vai viver outra dimensão existencial. E depois não será mais o velho Cláuzio da editora Abril, escrevendo sobre empadinhas para senhoras desocupadas na sacada do 37.

No entanto, quando o Cláuzio voltava para casa, resolveram cobrar-lhe o oxigênio.

Estava respirando de graça. Que safado. Foi preso. Revistado. E multado - porque não sorrira durante o procedimento de praxe. 

Capa da revista Veja, virou celebridade. Comemorou comendo Sequilhinhos,  em fotos especiais, por conta de seus trezentos mil novos seguidores no Twitter.

Cláuzio foto com o pessoal do PT, que espera a próxima eleição com o cu soltando faísca. Depois, pura agenda de celebridade, concedeu dois workshops e duas palestras na UNIP. Ganhou uma grana e gastou no xópin.

Enquanto voltava pra casa, após uma apresentação no Power Point sobre bodes expiatórios, pensou em alguma coisa pra comer. Que tal um rodízio de ervilhas?

Mas então o pessoal da igreja César, que o monitorava, tossiu alto . Ele percebeu. E o Cláuzio engoliu um remédio e acordou no pátio do colégio Quércia.


domingo, junho 09, 2013


Felicidade. A noite de sábado derramada, tão depressa, tão parceira. Tudo tão perfeito - e o domingão ainda nem deu as caras pra valer.

Amo você, amor.


terça-feira, junho 04, 2013

DERRUBADO CLÉRSON


E o facebook tomara-lhe toda energia emocional. 

Após um trago violentíssimo,  ele abaixou a cabeça. Depois, levantou o cigarro.


Notava-se o estrago. Profundas olheiras riscando-lhe o rosto a todo instante, você não percebeu? Profundo pesar, um saco de chumbo atirado do décimo andar, gritando solidão. 



Redes sociais, fora ou dentro do facebook, não combinam com boas leituras.

Por onde andaria a reflexão? Certamente não estaria de calça moletom laranja, ávida em seus polichinelos por algum pátio do Colorado. A reflexão não mais fecundara  como rio profundo. O facebook tomou-lhe o cérebro emprestado, pra sempre. 

E ele começou a raciocinar como uma bela égua.

E agora?

Agora?

Bem...quando vê alguém na rua, puxa logo o polegar. Jóia pra você.

HORAS RUIDOSAS I


Enrugada e trêmula, aquela figura era um tomate humano. Um tomate ali, vivo. E deflorado pelo Pipi Maluco. Ela girava amargamente, o tomate. Sai, Pipi. Sai, Pipi Maluco. Um tomate em dolorosa impaciência. Era inútil desvencilhar-se do Pipi Maluco. E com aquele idade, aquilo era muito mais que um mero estupro.

O Pipi Maluco trepava com o tomate.


Já vovó, o tomate repensa, "ah, os velhos tem corações delirantes de angústia" e plófe plófe. Mais curra. Enrugada e trêmula, aquela figura era um tomate podre. Um tomate ali, vivo. 

E então Pipi Maluco cansou-se  da farra e gozou. 

No que o líquido escapuliu-lhe, o tomate caiu morto. Virou uma bolota murcha. Uma bolota podre, esparramada pelo negro asfalto. Era sete horas da noite pelo quente bairro das risadas bizarras. Estávamos em Pepino Hills.

OUVINDO HARDCORE E LENDO ESCRITORES BRASILEIROS E DO TIO SAM

As pessoas estão sem coragem.  As pessoas brincam verbalmente nas redes sociais perpetuando o lado cômodo da vida.  Já é uma bela bos...