domingo, junho 30, 2013

RIVERS, NOITE DE SÁBADO

Flanando pelas noturnas ruas de Rivers. 

Os carros passam com som alto estralando, é funk do bão, e dentro de uns dos veículos, cinco ou seis marmanjos, em suas melhores roupas, sem dar uma foda há 240 meses, observam tudo que se mexe. O visual é padronizado. Visual-balada. Camisa pólo bosta, topete retilíneo, panos bem passadinhos, cores amenas, tecido sem manchas, sem vergonha. 

Esse é o recheio da noite: uma cidade fantasma parada no tempo, com um monte de babacas brincando de carrinho vendendo pamonha. Fora isso, não há nada. Há mais carros desiludidos, casas tristes, casas derrubadas, casas fechadas e postes desolados, linchados pelo tédio. Também vejo bares defuntos. Ruas de sono profundo. Rivers está morta faz uma cota.

Com exceção de uns poucos bares, e que fecham cedo, ou um ou outro firmeza, que permanece aberto, não há ninguém na rua, nem mesmo no Pronto Socorro. Que novidade. 

Enquanto isso, perto dum posto de gasolina, um gordinho ajeita o canudo dentro do carro, num gesto habitual. Quanta adrenalina. 

Nessa hora, Miles Davis está dentro da lua, comendo dois churros, enquanto aprecia o som das portas se fechando no Bar do Purê, que oferece uma promoção especial de cerveja bem gelada, Glacial.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

OUVINDO HARDCORE E LENDO ESCRITORES BRASILEIROS E DO TIO SAM

As pessoas estão sem coragem.  As pessoas brincam verbalmente nas redes sociais perpetuando o lado cômodo da vida.  Já é uma bela bos...