Pular para o conteúdo principal

RIVERS, NOITE DE SÁBADO

Flanando pelas noturnas ruas de Rivers. 

Os carros passam com som alto estralando, é funk do bão, e dentro de uns dos veículos, cinco ou seis marmanjos, em suas melhores roupas, sem dar uma foda há 240 meses, observam tudo que se mexe. O visual é padronizado. Visual-balada. Camisa pólo bosta, topete retilíneo, panos bem passadinhos, cores amenas, tecido sem manchas, sem vergonha. 

Esse é o recheio da noite: uma cidade fantasma parada no tempo, com um monte de babacas brincando de carrinho vendendo pamonha. Fora isso, não há nada. Há mais carros desiludidos, casas tristes, casas derrubadas, casas fechadas e postes desolados, linchados pelo tédio. Também vejo bares defuntos. Ruas de sono profundo. Rivers está morta faz uma cota.

Com exceção de uns poucos bares, e que fecham cedo, ou um ou outro firmeza, que permanece aberto, não há ninguém na rua, nem mesmo no Pronto Socorro. Que novidade. 

Enquanto isso, perto dum posto de gasolina, um gordinho ajeita o canudo dentro do carro, num gesto habitual. Quanta adrenalina. 

Nessa hora, Miles Davis está dentro da lua, comendo dois churros, enquanto aprecia o som das portas se fechando no Bar do Purê, que oferece uma promoção especial de cerveja bem gelada, Glacial.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

CONVERSANDO COM LÚCIFER

Só ontem fiquei sabendo da tragédia. A alma grandalhona de Barra-Forte voltava da academia Apolo e BLUM! conheceu a fúria do Passat 87 cinza, cinza como a indiferença dos deuses. Igor Bilu tinha todo o rosto ralado, eram as barbas de sangue e asfalto vencendo sua estupenda força. Estava derrotado. O autor do atropelamento aproximou-se, pálido: - Amigo...quer ajuda? Desculpe, te levo no hospital...Não tive culpa, você que não viu o pare. Curiosos se amontoavam pela esquina da avenida 29 com a rua 4. Luciano do Valle disse-me ter visto o zumzumzum, ambulância, helicópteros, curiosos amontoados pela esquina. No entanto, nem sequer reduziu a marcha da S-10, seguiu para o Bar da Montanha, em Limeira. Desaprovo isso, Luciano. Na hora que precisastes do pobre lutador para montar a série de televisão na Gazeta, a já extinta "Combates Seminais", encheu-o de elogios, incentivos, mimos confessos, potes de creatina. Cretino (não tive como conter essa, leitor). Igor Bilu nem deve ter compl…
E eu perguntei pro Casão:
- Mas você tá a velocidade do raciocínio tá igual a do Peter Tosh pra fazer taboada?

voadores

Por favor, gentileza: mais uma dose dessa languidez. Mais uma dose lânguida e precisa, em camadas de vento tão leves, breves. Esparramado aqui dentro da mente, esparramado e mais uma dose dessa languidez que vizinha da volúpia ataca, passado presente futuro, céu vermelho, céu de sangue, mas não há resquícios de salvação, redenção e essa sintaxe toda.
Os lânguidos estão trêmulos, uma coisa inútil, tão verdadeira e dilacerada. Crescem, tomando entre as esquinas dos esquecidos seus porres melancólicos. Então, o quarto escuro, o corpo deitado.  A mente exige o holofote em off,  o botão mute, mas não haveria porra nenhuma.  Como cegos e inconsequentes gestos malcriados, languidez e perturbação começaram a disputar o bingo da desgraça, instantes desnecessários erguiam-se trágicos. Pensar era difícil.  Dentro de alguma cozinha alguém provocaria uma desastrosa cena de ovo e pele queimada na altura da barriga, mas o fogão é apenas alguém que vai ficar parado quando você morrer.  Estouros entre …