terça-feira, julho 02, 2013

ROMÁRIO E BEBETO

Vadeco e Peninha, os dois na função.

O destino? O busão. Não do lado de dentro. Do lado de fora: Vadeco e Peninha escolheram o ponto de Vila Ricarda.

Quase vinte e oito pessoas aguardavam a condução. Estudantes, aposentados, duas senhorinhas com dificuldade motora, algumas crianças, um ex-jogador do Guarani, funcionários kafkanianos - todos esperavam baqueados o bumba, bufando naquele climão pós expediente, até os rapazes mostrarem serviço.

Assalto anunciado num português camoniano, e todo mundo se borrou de medo. Quem estava de fone de ouvido na orelha fez questão de arrancar na hora. Jaqueline, uma gorda como o próprio nome indica, soltou um gás. Ao seu lado, um rapaz de boné da Nicoboco, na cor preta, sentiu o cheirão de repolho. Mas não pode reagir. Os caras ameaçavam, era hora do rapa.

Peninha recolhia os pertences. Vadeco empunhava o cano. Era um homem decidido. Havia roubado duas Hilux. Era capaz de matar. Peninha então o obedecia, distribuindo tapas e socos. A tática era eficaz e logo alianças, bolsas, carteiras e celulares mudariam de endereço. 

As pessoas que esperavam o ônibus estavam amontoadas, com o intestino ruim.

Com medo de que a viatura chegasse logo, Vadeco também resolveu agir. Puxou com força a sandália da doméstica Valdete. Em seguida, desferiu-lhe uma cotovelada na altura das mamas. Peninha cuspiu em seus pés descalços, na sequência. E ainda teve tempo de xingá-la com saliva no cantinho da boca, por duas vezes.

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