quarta-feira, setembro 04, 2013

RESENHA: DISPARO - À PORTA O CAOS E A DESORDEM



Segundo trampo dos caras de São Carlos. O Disparo é um trio: Xinxa (vocal/guitarra), Rafael (baixo) Guilherme (bateria).


Impressões sobre o disco "À PORTA O CAOS E A DESORDEM"

(sim, o disco possui duas versões, duas capas distintas, mas com o mesmo material)


***




Você acorda dentro dum vidro de maionese. 


Agachado, encolhido. Você respira ali - enterrado -  amparado em claustrofobia. 


Detalhe: no vidro não há maionese, há clorofórmio. Mas só a sensação dele. 



O clorofórmio toma parte da tua nova essência, soterrada. 


E em seus ouvidos a ruidosa devassidão encontrará abrigo. 

A trilha sonora é inerente a tudo isso. É a composição completa: o desnorteio, vidro, você como feto, a cabeça apertada num capacete de ferro invisível. Você vai morrer encolhido. O clorofórmio avança dentro das suas narinas secas em clausura. Alavancando seu córtex cerebral, a devassidão, como se corroesse cada litro dos sentidos. A ruidosa devassidão interrompeu a vida, qualquer raciocínio, ela não se afasta: agressão.

Atenção funcionários terrestres que perderam todos os dedos, atenção para o desmanche térreo, em meio segundo o pleno funcionamento da medicina extinto, com manchas d-beat nos motores do ódio a humanidade perdeu sua medula.

Uma parede de concreto se desfaz então, torna-se xampú, massageando-lhe os cabelos. 

O vidro é seu lar completo, e o clorofórmio abstrato e concreto contém a benção de um pedal de distorção esculpido em cimento podre, sufocado em terror. 


Noise infinito ao fundo da tua pele, "à porta do caos e a desordem". 

O baixo ajuda a triturar a pupila do mundo, na passeata  do nervosismo  anti-classudo, aquele velho estilingue que Lúcifer perdeu durante o afogamento de Gibão Galiléia.

Dez minutos. Dez minutos. E a composição de batidas é avassaladora. E os vocais graduados no desespero imundo agudo. O conjunto da obra conta com a exibição de uma mortificação sem nenhum sintetizador bacana, semeado em aborrecimento diante dum cotidiano besta e sem sentido o disco sedicioso risca o risco, farinha de mandioca em larvas na tela, um disparo no teu cú, o Disparo.




Ouça o debut dos cabras em:

http://disparodbeat.bandcamp.com/

Nenhum comentário:

Postar um comentário

OUVINDO HARDCORE E LENDO ESCRITORES BRASILEIROS E DO TIO SAM

As pessoas estão sem coragem.  As pessoas brincam verbalmente nas redes sociais perpetuando o lado cômodo da vida.  Já é uma bela bos...