quinta-feira, novembro 28, 2013

A FIFA, A CBF, O MUNDO, A DESGRAÇA É ENGRAÇADA NÉ?

É engraçado, eles acham engraçado tirar sarro.

Tiram sarro do Corinthians, da tragédia, do estádio, do guindaste, dos mortos.

Humilhar é fácil porque é o medo do otário que monta a paisagem.

É assim: "é só um operário, que se foda".

Ou: "foram dois, tanto faz, foda-se - quando é que fica pronta a obra, comprei ingresso pra Copa, hein?".

Não, não você não precisa ser nenhuma espécie de humanista, você não precisa ser um humanista  e escolher numa máquina de guloseimas dentro algumas de suas várias ramificações pra ser SENSÍEL e minimamente coerente ao ocorrido.

Não, eu não estou sentindo fome com o estômago dos miseráveis.

Só estou refletindo rapidamente sobre esse egoísmo, esse lado solidário inexistente na geração iogurte - essa maneira stand up brasileira de ver o mundo, que sempre foi assim né? Bacana.

Quem pagou o preço foi o pobre operário, pronto.

Quem correu o risco fora aquele encardido fantasma pra muitos, o escravo que joga maionese no território do consumo, aquele que é humilhado e leva porrada sem sentir dor - sem família, sem história, aquele que é vítima de patrõezinhos escrotos e incapazes, patrões cheios de cinismo, de uma hipocrisia cada vez mais covarde e indiferente, amém.


http://www.lancenet.com.br/minuto/Reporter-LNet-Guindaste-Arena-Corinthians_0_1037296366.html

quinta-feira, novembro 21, 2013

AS CRIANÇADA E SEU LEGADO CAFONÃO

Eles contam o mundo pra gente, a gente acredita - nós custeamos a Luciana Gimenez lendo Artaud, a Ana Maria Brega explicando como curtir os clarões do Cézanne, o Gilberto Barros declamando Rimbaud no originalzão - enquanto o João Kléber verbaliza meandros de Le Corbusier.

E enquanto isso eu vejo AS CRIANÇADA qui na internet só consumindo. Ninguém sai do faceburro.

Você não é que consome, Júnior.

Daqui dois anos, dez anos, três segundos esses caras serão uns grandes merdas.

Não adianta fingir.


Eles são uns peidos. Só apontam escolhas pra se "AUTO-AFIRMAÇÃO" da maneira mais cafona possível. Não contextualizam, reflexo é o do celular no manequim clichê - porque antes de tudo não são eles mesmo - são apenas cliques e respostas prontas.

Léxico de semáforo? Léxico de gírias pirulito.

São cliques, compras de internet, consuminho arroz com feijão. 

Fotos e vídeos, MARCAÇÕES.


Eles acham que são - nem isso eles são. Mas pode ter certeza: eles são uns belos duns merdas. 


Que merda de mundo vão deixar? 


Mundo?

Uns tangas que não respiram, não enxergam, não contemplam, não debatem, revoltam-se e depois batem uma punhetinha mp3. 

Risadas, continha de mais - só espetacularizam a própria burrice, a mediocridade do fácil. 

Se eles criaram o novo vazio, o vazio do vazio, isso é apenas um link cheiroso com gosto de ferramenta pró slave.

terça-feira, novembro 19, 2013

ULTRASAMBARILÓVIPUNKBLUES

Acho bacana que - ainda que muito estupidificada - a rede ainda tenha uns sujeitos bem intencionados, que, empenhados, gostam de ler, estudar e refletir  - procurando passar conhecimento aos mais acomodados, aos mais preguiçosos.


No entanto, se o assunto é política, uma hora uma brisa enfadonha entra de fininho no ambiente do meu humor. 

Por mais que as posições sejam claras ou não, o debate corrosivo em ânimos, às vezes o debate se esgota rápido - uma hora o troço fica cansativo.



Acho que a trama histórico-política na rede cansa na verdade pelo excesso de entulho ruim que atrapalha as coisas boas, mesmo separando o Joey do Trigo - pois seus ingredientes - tais como as ferrenhas oposições juvenis despensantes, e a fresca vaidade do sujeito devorador de livros em reproduzir as falas alheias (numa malice sem tamanho) está mais preocupada em apontar do que em construir.



E isso tudo é desperdício, já que a vida escorre curta.



Bom ser crítico. Bom refletir com argúcia, mas o céu existe também.



Tão mais foda ter sua consciência, ajudar os outros, trocar alucinações verbais, discos e livros. Ouvir um som tranquilão, curtindo o encarte. Compor em parceria com o quarto. 

Ir aos shows, zoar numa boa, ouvir os primeiros do Wander, curtir um buxixo na casa do Caneta, ir ao supermercado no domingão de Birdland, colocar no repeat os refrões do Muzzarelas, relembrar algumas canções do Garotos Podres, do Inocentes, curtir Social Distortion, balançar o esqueleto com Gories, garimpar alguma gravação porca do Johhny Thunders. Rever com meu pai numa noite de sexta Um Príncipe em Nova Iorque, comer um hamburguer de carrinho humilde nas ruas de Rivers, trocar uma ideia mil grau com a sogrinha, ficar abraçadinho, terno enamorado com a namorada - tendo certeza que o mundo não acaba e a vida não se esgota - e lembrar-se das melodias do Joe Strummer, soltar uma piada sem graça sobre o Maluf (quem?) e descobrir que faz tempo que você não escuta MC5 de acordo!

Usar a rede pra trocar uma ideia doida e compor uns sons "de ameio" com o José André, ficar na sardade daquele rolê préza pelas ruas de Rivers com o primão Sebastião Casagrande, trocar umas poeiras cósmicas punks e outros sons com o iluminado Sadao, dar um pulo no tradicional Sebo Outras Histórias, escutar as demolidoras gravações ao vivo do lendário Hippies not Dead, armar uma gig (dor de cabeça!), correr pra fazer os corres que ficaram pra trás por mil e um motivos bestas, reler sossegadão mais um pouco da literatura porrada do Sartre e do Plínio, torcer pro tricolor nesta quarta-feira, voar um pouco no verde natural tecido de Santa Maria da Serra, voar um pouco sem sono, e sonhar com sono, eternamente apaixonado pela lírica Anita Sandroni, amar e ser amado em paz - assim nós elegemos a estrada do tempo - vivendo e revivendo, ultrasambarilóvipunkblues!

terça-feira, novembro 12, 2013

MUITO MASSA


A meninada não paga pra entrar no show - pelo contrário - é remunerada para assistir (literalmente) as bandas locais.

Durante o evento, a meninada terá toda bebida do mundo free, enquanto brincam na internet e a banda se esforça, ao fundo (a meninada pode pedir alguns covers, se preferir!). E na saída, eles recebem discos raros, assinados pelos seus ídolos.

Na semana seguinte, a meninada arma um chat virtual ou real. Assim, eles formarão bandas maduras, que já nascem com uma respeitável discografia em mp3 e cinquentas turnês pela África.


Conforme a moda, a safra de estilo da meninada pode variar - aquele coisa típica :  "hoje sou crossover, amanhã anarco lindo, depois grind de direita" - tudo é válido, desde que você seja rapidamente identificável (com ou sem gúgou)



E é assim.



Você será aceito pelas suas belas escolhas aparentes, pelo seu potencial de consumo, muito massa.

sábado, novembro 09, 2013

O NOVO FANTASMINHA CAMARADA

Quildo fez uma barraquinha de carniça e dormiu dentro do YouTube.

Não acordou tão cedo, nem precisou de remelas.

Em 2023 o Brasil tropeçava, cansado. Sua pele registrava temperatura média de 43 º, uma delícia de câncer gratuitão, todos idosos caindo, soterrados no chão.

"Só os fortes sobreviverão".

Forte, fraco - reajuste moral, dicotomia da babaquice, teorias mal apreendidas, preguiça como sagú na boca besta? 

Afinal voltemos ao Quildo: ele estava apenas pulando o cursor. É, ociosão: até o ponto onde a tão facilitadora barrinha vermelha sorri: olha aqui Quildo, eu recomendo, clica. Clica aqui neste trecho do vídeo Quildo, marca sua marca, sua marca marca, aqui tem uma piada bacana, e você só precisa prestar atenção na hora de rir, isso, assim, como um catatônico picles.


Uma piada bacana. Ou aquela tirada moral que regozija a vendada platéia, não precisa pausar o entretenimento não Quildo, o mundo só está ruindo numa boa.

Boa soneca prolongada na carniça abençoada, hey ho, o Quildo é o novo fantasminha camarada.

quinta-feira, novembro 07, 2013

45.

No baú guardarei Ramones, Social Distortion. 

No baú deixarei uns refrões do Muzzarelas, no baú eu sei - pão com mortadela tubaína e Joe Strummer - ouvirei a eterna voz do punk rocker Voltaire - no baú nós velaremos pela contundência porrada de Sartre, pelo romantismo decaído de Fante, no velho baú.

Numa tarde cinza, cheia de pequenos frios e abraços, eis a cena perfeita: minha amada, nós dois, a gente, e o baú guardará aquelas cicatrizes dos personagens impossíveis de tão devastadores - das almas dostoievskianas - Cinema Paradiso no coração.

No baú nós ouviremos Bon Scott gritar feito um beberrão alucinado de calça mijada e surrada, suando goró num pub sujo e quase vazio, com aplausos sinceros naquela luminosidade baixa, o pub é o baú, encardido e amaldiçoado nas esquinas de Gogol, mas ainda estamos ouvindo AC/DC - nos gorfos trêbados bonfirescos ele mermu ressurgirá - com alguns bourbons a mais, é claro, atravessando todas as esferas da cuca às 03:15 da matina, porque Johnny Thunders fará a guitarra vomitar discórdia em double stops ultrapassando a sacanagem, enquanto GG Allin peida na cara da mainstremice e o Agente Cooper faz aquele jóia pra geral, que está numa pracinha podre perdendo a linha, MC5, a geral na gentileza dum churrascão sem fim, rindo demais, rindo até as tripas fí, rindo e rindo e rindo, todo mundo rindo junto, rindo muito, rindo - e antes de dormir o baú resgata aquelas imortais  palavras - as palavras do chefe Cruz e Sousa ressoarão sagradas, como o velho Muddy Waters chapado de Kerouac.

sexta-feira, novembro 01, 2013

BARÇA 1 X O ESPANYOL

Sexta-feira. Sete e cacetada da noite, horário de verão, a humanidade de bermuda curtindo um sorrisão na alma.

Neymar dá o passe, a bola milimétrica escorre lenta, em diagonal - perpassa o meio das pernas de DOIS defensores - e Alexis Sánchez completa.

A jogada do Neymar pela esquerda provou que o fera é muito mais que um "piscinero".

- Neymar tá ficando maduro né?

- Eu nunca vi um lance desse...no meio da perna de dois jogadores, um tapa preciso...

ROCK NA ROÇA

O que me empolga numa cidade ananias são as pessoas. A trutagem é o céu da roça, que resiste ao peso dos dias. Caminhar, caminhar n...