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ULTRASAMBARILÓVIPUNKBLUES

Acho bacana que - ainda que muito estupidificada - a rede ainda tenha uns sujeitos bem intencionados, que, empenhados, gostam de ler, estudar e refletir  - procurando passar conhecimento aos mais acomodados, aos mais preguiçosos.


No entanto, se o assunto é política, uma hora uma brisa enfadonha entra de fininho no ambiente do meu humor. 

Por mais que as posições sejam claras ou não, o debate corrosivo em ânimos, às vezes o debate se esgota rápido - uma hora o troço fica cansativo.



Acho que a trama histórico-política na rede cansa na verdade pelo excesso de entulho ruim que atrapalha as coisas boas, mesmo separando o Joey do Trigo - pois seus ingredientes - tais como as ferrenhas oposições juvenis despensantes, e a fresca vaidade do sujeito devorador de livros em reproduzir as falas alheias (numa malice sem tamanho) está mais preocupada em apontar do que em construir.



E isso tudo é desperdício, já que a vida escorre curta.



Bom ser crítico. Bom refletir com argúcia, mas o céu existe também.



Tão mais foda ter sua consciência, ajudar os outros, trocar alucinações verbais, discos e livros. Ouvir um som tranquilão, curtindo o encarte. Compor em parceria com o quarto. 

Ir aos shows, zoar numa boa, ouvir os primeiros do Wander, curtir um buxixo na casa do Caneta, ir ao supermercado no domingão de Birdland, colocar no repeat os refrões do Muzzarelas, relembrar algumas canções do Garotos Podres, do Inocentes, curtir Social Distortion, balançar o esqueleto com Gories, garimpar alguma gravação porca do Johhny Thunders. Rever com meu pai numa noite de sexta Um Príncipe em Nova Iorque, comer um hamburguer de carrinho humilde nas ruas de Rivers, trocar uma ideia mil grau com a sogrinha, ficar abraçadinho, terno enamorado com a namorada - tendo certeza que o mundo não acaba e a vida não se esgota - e lembrar-se das melodias do Joe Strummer, soltar uma piada sem graça sobre o Maluf (quem?) e descobrir que faz tempo que você não escuta MC5 de acordo!

Usar a rede pra trocar uma ideia doida e compor uns sons "de ameio" com o José André, ficar na sardade daquele rolê préza pelas ruas de Rivers com o primão Sebastião Casagrande, trocar umas poeiras cósmicas punks e outros sons com o iluminado Sadao, dar um pulo no tradicional Sebo Outras Histórias, escutar as demolidoras gravações ao vivo do lendário Hippies not Dead, armar uma gig (dor de cabeça!), correr pra fazer os corres que ficaram pra trás por mil e um motivos bestas, reler sossegadão mais um pouco da literatura porrada do Sartre e do Plínio, torcer pro tricolor nesta quarta-feira, voar um pouco no verde natural tecido de Santa Maria da Serra, voar um pouco sem sono, e sonhar com sono, eternamente apaixonado pela lírica Anita Sandroni, amar e ser amado em paz - assim nós elegemos a estrada do tempo - vivendo e revivendo, ultrasambarilóvipunkblues!

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