segunda-feira, dezembro 23, 2013

DISPARO NO PORTO

O Disparo começou. A postura no palco é totalmente despradonizada. Guilherme Sousa é o único que mantém seu lugar, com dois machados fulminando a bateria. Rafilks no baixo zanza, ora em cima do palco (esculpido sob caixas de cerva), ora em baixo, zanzando chão movediço – Rafilks e seu caótico timbre “o mundo acabou em desgraça na pastelaria do lixo”. Porra, é um baixo agudo e podre, sujo, distorcido e mal lavado, carcomido e feroz, enquanto Xinxa delirante pega a guitarra-serra e pratica a arte inaudível, mas faz umas bases foderosas com dois copos de Paisano neural respingando querosene. Lembro-me claramente incrusive quando Xinxa trocou a palheta pelo microfone, o que renderia uma sonoridade ímpar ao trio noise sãocarrasco. “Todos são falsos” disparou o front, que gorfava microfonias em japonês com linguagem zero e berros neokamikazes em frequências bastardas. Lá atrás a cozinha pegava fogo na lama, era rapidez e sujeira de deixar qualquer oficina da maldade corada de vergonha, tamanha sórdida pancadaria trucidada pelo trio. Vamos dar trabalho mesmo, vamos incomodar mesmo, as letras do Disparo são de deixar Artaud parecendo o Padre Zézinho, provocação é foda-se, queremos banquete destruição, berros sem sentido porrada na orelha, todo mundo dançando na telha zorzo não tem frescura, Disparo é a maldição, Disparo não tem cura.
fotos do Lucas Rosa, baixista, barba-ruiva e Makumbah grind parceiro.

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