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FOLIA PUNK



É um disco esquisito. É que você ouve sem mexer a boca e parece que você está devorando uma suculenta omelete, com generosos pedaços de cebola no esquema.

Folia punk, suas canelas suando, você sentado ou de pé, sovaco comprometido-derretido.

Parece que você está sem sono, são quatro e consoantes bélicas da manhã, na cama - sem sono mesmo. Aí zapeia a tevê, controleando remotamente a fatia dos segundos surge um filme tontão americanóide legendado, você para pra ver essa porra e quando percebe está rindo sozinho, feito otário. Mas um otário gente boa.

Fecha o filme, é outra noite quente, você vai de Rousseau, um otimismo fera invade seus cotovelos cheios de energia, ou choveu na quarta toda, não sei se são as cebolas, mas eu vou, você vai reparando que as melodias agora são mais chiclete, você está curtindo mais, é como aquele sábado noturno - você reúne os amigos, vai rolar aquela festa fera, de praxe, as pessoas seguram os copos desarmadas, espírito macio, e os convidados são formados na irmandade dos dias, e lá está você falando merda e se divertindo à beça com muito pouco. É bacana.

Refrões ventilando o ânimo, paranóia zero, refrões com backings cuspindo alegria, olha lá, fera-nenêm eu sou, até a cadeira dança sozinha, madeira punk róque faisquinha.

É um disco esquisito. Água gelada, água gelada suando no copo. Mas sem halls preto. Você está pogando com o pé direito, marcando o tempo 4X4, olha o ventilador ali no teto, você não pensa, vai e pula e pléu, sua cabeça é danificada para sempre.

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