sexta-feira, março 28, 2014


às vezes no espaço de doze horas o mundo é capaz de girar tão louco, girar velozmente - tantos acontecimentos malucos, que se o dia acabasse agora já aconteceu tanta coisa - e que tudo daqui a pouco passou tão rápido que até faltou um café pra nóis, vive a cena.

quinta-feira, março 27, 2014

NOTAS SOBRE OS CAMPEONATOS ESTADUAIS EM 2014

Sou tricolor do Morumbi. 


Não vou vir com blá blá nem com chororô pela eliminação. 



Também não vou falar que o Paulista atualmente é uma mera caixa registradora pra federação.



Um campeonato que na velha prosa dos experientes era louvado e reverenciado. Fanatismo, tradição e richas, curtição e jogaço não estão sendo respeitados. Grandes atletas e craques do passado recentemente falaram sobre a tristeza e a decadência lá no Rio, por exemplo, onde ganhar uma Taça Guanabara equivale a comprar um cd de banda cover do Van Halen.



Mas voltando: a Federação Paulista de Futebol joga umas moedas da lama, migalhas miséria pros clubes pequenos e cria um regulamento estúpido pra ganhar com cotas de patrocínio e o diabo, em rodadas engana-trouxa que não valem nada e subestimam o torcedor.



Os clássicos viraram jogos pra servir de matinê dublada pra verdadeiras pinturas como o último Real e Barça e os clubes do interior e sua torcida estão sendo engolidos pela farsa do "pogre$$u".



E o valor dos ingressos? Deixa pra lá. 



A taxa de conveniência é o cambismo do rock, e o com 50 reais pra assistir um jogo da série A a Teresinha fez um churrascão lascado de bão, lá no Mãe Preta.



Nem vou falar também novamente do Campeonato Carioca, que apesar dos pesares possuía um sistema de disputa com um regulamento que prometia até que alguma emoção ao torcedor - e que nesse ano tem o incrível critério de desempate (o time de melhor campanha joga por dois empates na fase final, mas não por dois resultados iguais, ou seja perdeu uma e ganhou outra pelo mesmo saldo.



Enfim, são várias considerações - nenhum clube paulista na Libertadores - você sabe quantas vezes por minuto o técnico do Santos, Oswaldo de Oliveira pisca os olhos, enquanto fala de modo sonolento e engraçado?



Mas quanto ao Paulista, isso ia acontecer, uma hora ou outra, assim como a eliminação precoce do Curinthia. 



Ainda que nenhum clube foi rebaixado fazendo boa campanha, tamanha aberração da "fórmula" do paulista.



Mas foda-se: viva a Penapolense, que jogou com o coração - e que coração! do velho Narciso treinador jogando junto. E a Penapolense levou a melhor e assim é a vida.



E viva a Copa Nordeste, a torcida do Santa Cruz, a torcida do Glasgow Rangers que coloca 45 mil loucos mesmo jogando um campeonato que poderia também ser chamado de WO.



E um grande salve aos times hermanos "sem tradição" na Libertadores que lutam com garra, que honram o futebol com a arte do espírito e da disposição física sem falcatruas.



MOMENTOS ANTES DA ELIMINAÇÃO



e hoje, no finalzinho do jogo do tricolor, com o gol que o Ademílson perdeu dentro da área, mandando a bola lá na Polinésia, lembrei-me daquele fatídico jogo em que, última vez que estive no Morumbi, vi o mesmo garoto perder uma série de gols também, para depois o Atlético Mineiro virar o placar e vir a ser campeão da Libertadores posteriormente, pela primeira vez.



Mas naquele dia foi culpa do Lúcio, expulso como um moleque tonto. Foda-se o Lúcio quando jogou no São Paulo.



E a molecada do Santos vai deitar e rolar, com Geuvânio regendo, Gabriel de calcanhares e gols, Cícero no piloto, Arouca na contenção e o Damião (o filho do Bigode, que o fez seguir em frente num momento crucial do início da carreira) fazendo os gols do título.



O Parmera vem que vem, também.



Vamos ver no que vai dar.



O Roberto Rosbife vai de Ituano.


quarta-feira, março 26, 2014

infodeformação para você, ferinha, vive a cena, quanta coisa no ar, plélvis



Porque eu não sou homem de perder a viagem. A pauta do programa de hoje do Jô.Fátima Bernardes conhece alguns aplicativos mas se diz analógicas. Índice de gordura no corpo masculino: vaidade ou mito? 

segunda-feira, março 24, 2014

UÉ OU OUIÉ?

E de repente o pum virou sorriso.


A monotonia, se fosse um volume, se fosse um potenciômetro da guitarra zica, bom agora ela estaria no zero absoluto.



Porque ele, o pum, virou é sorriso: pum !

sexta-feira, março 21, 2014

OLD GIGGS, OLD GIGGS !


Ryan Giggs respeita o futebol. 

Arte, técnica, pressupotos básicos do diferenciado, e completamente aliados ao bom gosto.


Como dizem alguns, Giggs "sabe fatiar o melão". 

Passes de trinta e cinco metros, quarenta e tantos, como se estivesse trivelando a própria mágica dentro das quatros linhas. 

Garçom quarentão de responsa, na finesse do bom futebol coletivo.

O Olympiacos que o diga.



sexta-feira, março 14, 2014

REMELAS DE MARÇO


Minha casa está dormindo.

Entro na cozinha. Ih, o fogão cochila.

O silêncio é pesado, embora tranquilo.

Vamos lá, existe o corredor.

Mas antes do corredor, uma pequena varandinha ali, área de serviço - onde o calor impera, reina, e chega pra bater um papo estufado com a máquina de lavar roupa.

E à noitinha, as cachorrinhas sabem que vão dormir por ali. No conforto, nas caminhas.

A Isabel é fox, paulistinha. Anda gordinha demais, possível problema naojoelhinho é caso sério, mas será que tudo isso não é mera especulação veterinária?

Já a Daisy é estressadinha. Mais velhinha. É ferinha. Gosta de rosnar, reclama por tudo. No passado, teve sérios problemas com convulsões. Hoje, porém, está medicada. Nunca mais teve problemas. Apenas curte a vida, sem crise.

Você sabia que vários pinschers tem derrames depois de mais velhos e é possível evitá-los? É sério.

Enquanto isso, a casa está dormindo.

Portas fechadas. Piso intocável em vários pontos do aposento, veja bem.

Logo mais os jornais serão arremessados na entrada.

Mas aí já é outro papo.

Não quero falar sobre mídia, jornais.

Prefiro falar de Gógol, de bandas de punk rock aqui das redondezas, e algumas da América do Sul.


Ou mesmo ouvir Queen. Queen sempre foi escola. Eu ouvia Queen com minha vózinha. Eram bons tempos. Eu tinha uns 14 anos, eu tenho saudade.

Mas enquanto isso a casa dorme.

Se você der uma volta pelo centro da cidade, não encontrará nada. Rio Claro é pacata, parada, no centro.

O centro morreu. O centro corresponde, responde por um terço da cidade.

Veja a Rua 4. Porra, tanta coisa boa por lá e agora nada.

Os cinemas viraram cadeias para retardados. 'Filmes' dublados em um país onde a educação é prioridade (por favor, vamos rir, vale a pena), a educação no Brasil é show. 

Todo mundo aqui desde cedo já brinca de bater bola com Graciliano Ramos. Os intelectuais não são pequenos-burgueses, não existem reaças e os socialistas do passado não são lobinhos em pele de cordeiro com o pé de meia ajeitadão.

Não.

As coisas acontecendo lá na Ucrânia, na Criméia e o coleguinha pensando em Big Brother.

13 mil apartamentos antes reservados cancelados pela Fifa para a Copa do Mundo.

Somos antifas e antififas.

Acontece que a Olguinha, dentro da sala, ah, a minha gatinha branca que às vezes tem olhos de omolete, a Olguinha dormiu, em pleno sofá.

Remelas de março.


quinta-feira, março 13, 2014

RESENHA - SE FOSSE EU



Se Fosse Eu é de Bauru.

O disco de estréia é do caralho.

Sabe aquele som pra arrebentar a sala, destroncar o abajur, correr sem freio em círculos - como se o próprio pogo lhe convidasse- sabe aquele som pra agitar as escadarias da euforia, pular e curtir sem frescura?

Pois é.

Se Fosse Eu é assim.

Pitadas fuzz, camadas de tinta garage post black flag com incêndio nas veias e um groove amaldiçoado de criativo e encorpado - com o vocal jogando revolta na alma.

São 4 faixas, gravadas nos dias 22 e 23 de agosto de 2013.

A arte gráfica é coisa fina.

E ao vivo os caras botam pra fuder.

Tocando ao lado do Periferia SA no dia 8 de março, em São Carlos, além de executarem temas inéditos, foi erguido no GIG um arrastão Nervous Breakdown, e nós vimos muitos bends voadores pogando na pilha do punch  energia from hell - esse dia foi muito foda, inclusive.

Eu recomendo, Se Fosse Eu.

terça-feira, março 11, 2014

É QUASE O MESMO GOSTO DA PEPSI

Que o uso prolongado da FAROFA deixa o caboclo meio tonto, bom, isso não é novidade.


O sujeito está sujeito a tornar-se algo bem merda.



Introspecção (?)artificialóide e uma vontade de não parar quieto, parece que o tipo vai fazer cocô na calça à qualquer instante. Fora isso, quer olhar tudo ao mesmo tempo agora e não se manca, fora os corajosos de meia hora que depois pagam de desentendidos, "puta deprê, cara".



É engraçado, se não fosse deprimente.

sábado, março 08, 2014

SEXTA-FEIRA




O som ambiente era you shook me all night long - aquele velho refrão confortável voando pela alma, que por mais que os idiotas da objetividade rotulem de batido, repisado, muito louvado ou banalizado - é o bão AC/DC chefia, aquela velha sintonia da madrugada infalível.

Nós estamos vivos.

Nós estamos curtindo, lá onde tacos de bilhar disparam automáticos sorrisos, tacadas pancadas kamikaze são de bom grado, a bola branca retardada em júbilo expansivão rasga no gramado da doidera, e as conversas mil grau estão inclusas no cardápio também.

São os amigos beldos em bravatas supimpas, que erguem canecas, o teto é relax, e do lado de fora bitucas alçam vôos com destino sarjeta, e o instante ali, cravadão, no puro sossego, sem sopapo nem veneno, noite de sexta tranquila no horizonte, o tempo na manha fera, disponíveis elas, as horas agradáveis para aproveitar a existência sem crise.

Ao invés de reclamar, não reclame. A dádiva do respirômetro avançado é um pequeno verso de piada mal contado, uma observação despretensiosa em entrelinhas sonhadoras, a bola 8 é caçapa, os amigos se reencontram, apertos de mão como riffs sensatos, e os velhos sorrisos indicando camaradagem na estrada do sossego. Vamos vivendo.

terça-feira, março 04, 2014

PHIL COLLINS E A ÚLTIMA CANÇÃO


É. Quando o Phil Collins começou a cheirar a cocaína do Santo Paulinho a coisa ficou brava mesmo. Era puro placebo, Phil. 


Mas que nada. Sentado junto ao piano, ele buscava a última canção.



Dó, ré...aquela melodia selvagem como que se escondesse entre arbustos, era preciso antes de tudo desamarrá-la, antes que escapulisse de vez.



E então mais linhas esticadas. 

Mais cafungadas em notas de dois reais. 

O nariz entope. 

O amargo na garganta, Phil pegara o banquinho, concentrado ele tocara por horas a fio e nada, nada da maldita canção.



Frustração nos quase grisalhos pêlos do antebraço. Constatação de impotência na mandíbula, na virilha, no rêgo. É. A criatividade se fora, de vez. 



Phil estava há quatro dias sem conhecer o valor do sono. Sua careca tinha recheio de profundas olheiras. Pobre Phil. Mais pinos e pinos e nada, até um mísero acorde tomou Doril.



Assim, que tal rever um de seus grandes vídeos? Foi o que ele fez. Sentado ao sofá, com as narinas um pouco sujas, adotou a postura de voltar a apegar-se ao passado, às madeixas, à magia completa que lambuzou de natural efervescência os anos 80. 



Como é amargo, Phil...




segunda-feira, março 03, 2014

resenha: II Carnametal









Domingão de Carnaval. Rio Claro está palitando os dentes, com gostão de cachaça na alma e frangão assado no bucho.

No Pepper é dia do II Carnametal. 

Borbo e Elias no piloto, festivalzão de responsa. 

O do ano passado que o diga, o bar completamente lotado, com várias caravanas estacionando na terrinha.

E lá pelas 18:30 o Garrafa Vazia iniciou suas atividades sonoras, com Hamburgueiro de Atitude. O trio da roça em três acordes baila com Carol Caraia, vem com Show de Horrores, Risólis Voador, e fecha com Punk do Mato, Piriguetes on Fire e Cirrose. Punk rock diretão, podrão dance - e depois a festa continua, pessoal fumando seu cigarrão quando surge a segunda atração do fest.

Falo do Carniceiro, quarteto pesadão desgraça sound from Rio Claro. Atmosfera de cimento em chuva doente,metal vira lata com Coco no vocal, Fabé no baixo, Elias dando a letra nas 7 cordas de afinação baixa e nervosa - além duns backing vocals do capeta - e a cozinha demoníaca em ação - caveiras pós genocídio em Acapulco no ar, batidão pra lá de denso e violento, com o Borbo na batera oferecendo suas grandes "borboadas" de praxe. O Carniceiro fez a galera bater cabeça numa nice, um puta chute de chumbo no ass do carnaval chicleteiro, eis o violento Carniceiro.

Na sequência, o SIOD. Metal, hardcore, linhas de groove seventies aqui e ali, metranca na batera lá e cá, protesto contra a Igreja e uma guitarra Jackson gritando muito alto em riffs bem sacados. Chapação master, empolgantes linhas, do rápido ao cadenciado, vocalzão em português mandando bala, na raça, coisa fina. A presença de palco é vibrante no sonzão simpatia heavy full of nervo, baixão esquema, punch drunkera, SIOD pra trincar o bailão - o power trio destruiu!


Depois veio o crossover do D.I.E, que fez todo guerreiro esquecer dos problemas e insultos da vida, com vocalzão monstro do Charles Guerreiro incendiando o balcão do bar. Presentes no recinto declararam que sérias pedras de calçada começaram a explodir pela Rua 14. Coeso e cruel, com visual porradeiro no total riff demolition, o quarteto trouxe o inferno pra Rio Claro, muito bão, o D.I.E.

O brutal Degolate veio depois pra fazer todo mundo derrubar goró no piso e banguear alcalinicamente, o pescoço de aço riu de possíveis torcicolos subsequentes em triviais quarta-feiras de cinza. A animação luciferiana entrou na dança e a técnica do trio impressionou até os fãs enrustidos de Dire Straits. Sonzera, brutal death parlada, telepático entrosamento, rapidona trilha sonora do quebra-quebra, ainda podemos ver o pessoal pogando, delirante.

Pra fechar o bailão, o Sinaya. As meninas mandaram brasa, com seu death metal nervo no pote, de responsa, com destaque para Legion of Demons. Nessa altura do campeonato, o bar estava todo cheio e o sonzão de primeira chapando a lata da geral, com o carisma da Tamy no bass mandando um salve pros parceiros, e a pancadaria deixando o Pepper torto com direito a final bruto com cover do Cannibal Corpse. Fudido!

Parabéns para os organizadores e pra quem colou, valeu muito a pena. Rio Craro merece! Que venham os próximos!

ROCK NA ROÇA

O que me empolga numa cidade ananias são as pessoas. A trutagem é o céu da roça, que resiste ao peso dos dias. Caminhar, caminhar n...