terça-feira, março 04, 2014

PHIL COLLINS E A ÚLTIMA CANÇÃO


É. Quando o Phil Collins começou a cheirar a cocaína do Santo Paulinho a coisa ficou brava mesmo. Era puro placebo, Phil. 


Mas que nada. Sentado junto ao piano, ele buscava a última canção.



Dó, ré...aquela melodia selvagem como que se escondesse entre arbustos, era preciso antes de tudo desamarrá-la, antes que escapulisse de vez.



E então mais linhas esticadas. 

Mais cafungadas em notas de dois reais. 

O nariz entope. 

O amargo na garganta, Phil pegara o banquinho, concentrado ele tocara por horas a fio e nada, nada da maldita canção.



Frustração nos quase grisalhos pêlos do antebraço. Constatação de impotência na mandíbula, na virilha, no rêgo. É. A criatividade se fora, de vez. 



Phil estava há quatro dias sem conhecer o valor do sono. Sua careca tinha recheio de profundas olheiras. Pobre Phil. Mais pinos e pinos e nada, até um mísero acorde tomou Doril.



Assim, que tal rever um de seus grandes vídeos? Foi o que ele fez. Sentado ao sofá, com as narinas um pouco sujas, adotou a postura de voltar a apegar-se ao passado, às madeixas, à magia completa que lambuzou de natural efervescência os anos 80. 



Como é amargo, Phil...




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