quinta-feira, julho 24, 2014

CAGOU E FOI EMBORA



O Xandão quis vender leite em pó pra tirar uma grana.


Era leite de primeira, falsificado.

A polícia grilou e o Xandão acordou vendendo mijo geladinho na face, terrível.



Quis sair no soco com o guarda, perdeu dentes, dignidade. Foi envelhecendo feito maria mole cansada no xilindró, de alma enguiçada.


Só que aí o Duda Plumati descolou um habeas corpus com gostinho de Danone moranga. Estava tudo certo. O Xandão agora podia queimar duzentos finos que ninguém ia roubar sua brisa.

E ele foi lá pro Big Bar.


- Me vê um Coração de Frango no pão francês.

Nessa hora ele se ajeitou junto ao balcão, sentado no bancão alto de madeira. "Pô, cadê o Normal Tranquilo? Gosto desse cara. Ele manda uns hadoukens."

Quinze minutos passados e nada do lanche.


Quinze minutos e dez segundos: o lanche chega na bandeja, armado de vigorosos sachês, é munição maionese e o catchup ilustrado ao lado da mostarda Jersey's.


Umas mordidas bem sacadas. Era devoração atrás de devoração. Muita, muita fome. Dez mil foliões dentro do ESTÂMAGU brincando de farra com comida. É combustível.



E pra beber?


Não tinha Pepsi. Bebeu água da torneira com hepatite.



Pagou com moedas.


Chegou na casa do amigo, morava de favor. Cagou e deixou o papel higiênico tingido de batom marrom. Na sequência, sem descarga, Xandão se esticou no seu mocózinho, pra puxar aquele ronco firmeza. Puxou o cobertor como um craque, geração Gérson, Copa de 70, o México viu.



- Acabei de bolar mais um. Simbora Xandão?


Levantando tranquilão, Xandão apareceu ali na manha, na sala, pra fumar mais um com o guerreiro Charles. 

O Charles de bermuda e meia mais chinelo Rider. Sem camisa e sem receio. Assistindo aquele jogão da série B do Brasileirão.


Palitos de fósforo em cena. Cheirão pra deixar a vizinha crente com medo. Barulhos de peidos camuflados entre tragos, na cozinha a geladeira azul-bebê roncando, na sala berlôs dentro do fino trampando legal.


- A campainha tocou?

- Não, não tocou não Xandão. Que nóia.


- Tocou dentro da minha cabeça então.

Não teve riso. Não teve porra nenhuma. Só um coturno arrebentando a porta, polícia madeira estraçalhada, sopapo, beque entrando dentro da cueca, aiii, queimou caraio, B.O, algema, bad trip, sopapo, os dois sem enxergar nada, viatura cantando pneu, não tinha ambiente.

E o Charles ainda tentou algo, no banco de trás:

- O senhor tem a mãe na zona?

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