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CASÃO E O CAREQUINHA

E o Carequinha achou graça duma piada reaça.

Aí chegou o Casão e não achou o menor motivo pra rir.

O Carequinha abaixou a bola. Foi pedindo licença, mas levou um bico no calcanhar, caiu de cara na Rua 9 e se entupiu de bicuda pro meio do pote, o público começou a se desesperar:

- Manda ele parar!

Que nada. O Casão metralhou no quichute. Era uma saraivada de pontapés querendo encrenca, se bem que quando terminasse a brincadeira o mundo voltaria ao normal.


- Ele tá matando ele!

O Casão se virou pra dama e disse:

- Eu sei.



Na verdade, bem que ele podia parar, mas assim como bom cachaceiro, estava longe de ser dar por satisfeito com pouca munição. Mas o pior ainda estava por vir.

- Me dá o vidrinho de pimenta!

O pessoal do Big Bar, entre angustiado e descrente, ficou travadão. Só que um figura passou o vidrinho.


Aí o Casão esparramou todo o condimento por sobre o Carequinha. Cumpriu a tarefa ao pé de letra. Em seguida, voltou ao velho hábito. Agora havia pisado no nariz, lenha pura.

- Ele matou ele!

E o Casão:

- Eu sei!

Aí os olhos do Casão se encheram de lágrimas, foram ficando pequenos. Pequenos e chorões de tanto riso: uma enorme gargalhada atravessou a Avenida 7 com a Rua 9. 


O Big Bar virou um bafo dos grandes. Chegou a hora do Casão ir embora.

- Ele vai sair sem pagar.

Aí o Casão se emputeceu.

- Ele pagou certinho - logo responderam, sem crise, bem atrás do White Horse.

No Big Bar era assim. O Casão sempre pagava pelo consumo. E o Big Bar sabia, ô se sabia. E como.

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