Pular para o conteúdo principal

O ANO. ACABANDO.


O ano. Acabando. Como uma dança, você e o piano. O piano sofre de asma, por enquanto. A dança está encerrada. Observados com a lupa do adeus, os últimos acordes do dia 31 de dezembro, porque 2014 nunca mais existirá fisicamente.

Balanço do ano? A corrente que empurra o balanço para o céu está tomando Cerezer. Todos os amigos lúcidos do bairro cometeram suicídio com Balinha 7Belo.

O ano morreu, o orgulho venceu. Materialismo com a japona do upgrade todo mundo curte, né? E as crises de posse inveja estelionato virtual, tá todo mundo peido, ou peidou esta bela e patética sinfonia.

Ontem mesmo. O ano perguntou ao psicanalista se dezembro ainda pode ser considerado um pedaço de tempo. Eu não sei. Ele não soube responder. Quem, o doutor?

Enquanto isso, os familiares estão chegando na sua casa, pés aquecidos e meias limpas. Na minha casa não teve abraço inicial (leseira?) mas teve brinde, timtim, boas festas. Depois o abraço veio, vale a pena.

Importante mesmo nessa altura do campeonato, eu falo - o amor e a música grudados, é simples porque é importante.

Fatos. Política. Roubo de samba canção em Itirapina. Bravatas. Bravatas porque certas experiências são tolas e substituíveis, as rodas de conversas tem o seu troféu de endorfina verbal, não é mesmo?

Brasil. Chile. Haiti. Nações, Namíbia. E no banheiro, o Celsinho.

O Celsinho parece que tem a vida feita para isso: gestos fortuitos para limpar o nariz com melequinhas ressequidas, ressecadas.

Cuidado com a ressaca, Celsinho.




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

CONVERSANDO COM LÚCIFER

Só ontem fiquei sabendo da tragédia. A alma grandalhona de Barra-Forte voltava da academia Apolo e BLUM! conheceu a fúria do Passat 87 cinza, cinza como a indiferença dos deuses. Igor Bilu tinha todo o rosto ralado, eram as barbas de sangue e asfalto vencendo sua estupenda força. Estava derrotado. O autor do atropelamento aproximou-se, pálido: - Amigo...quer ajuda? Desculpe, te levo no hospital...Não tive culpa, você que não viu o pare. Curiosos se amontoavam pela esquina da avenida 29 com a rua 4. Luciano do Valle disse-me ter visto o zumzumzum, ambulância, helicópteros, curiosos amontoados pela esquina. No entanto, nem sequer reduziu a marcha da S-10, seguiu para o Bar da Montanha, em Limeira. Desaprovo isso, Luciano. Na hora que precisastes do pobre lutador para montar a série de televisão na Gazeta, a já extinta "Combates Seminais", encheu-o de elogios, incentivos, mimos confessos, potes de creatina. Cretino (não tive como conter essa, leitor). Igor Bilu nem deve ter compl…
E eu perguntei pro Casão:
- Mas você tá a velocidade do raciocínio tá igual a do Peter Tosh pra fazer taboada?

voadores

Por favor, gentileza: mais uma dose dessa languidez. Mais uma dose lânguida e precisa, em camadas de vento tão leves, breves. Esparramado aqui dentro da mente, esparramado e mais uma dose dessa languidez que vizinha da volúpia ataca, passado presente futuro, céu vermelho, céu de sangue, mas não há resquícios de salvação, redenção e essa sintaxe toda.
Os lânguidos estão trêmulos, uma coisa inútil, tão verdadeira e dilacerada. Crescem, tomando entre as esquinas dos esquecidos seus porres melancólicos. Então, o quarto escuro, o corpo deitado.  A mente exige o holofote em off,  o botão mute, mas não haveria porra nenhuma.  Como cegos e inconsequentes gestos malcriados, languidez e perturbação começaram a disputar o bingo da desgraça, instantes desnecessários erguiam-se trágicos. Pensar era difícil.  Dentro de alguma cozinha alguém provocaria uma desastrosa cena de ovo e pele queimada na altura da barriga, mas o fogão é apenas alguém que vai ficar parado quando você morrer.  Estouros entre …