quinta-feira, dezembro 04, 2014

punk 77


Eu escutava o espírito do Punk 77 todos os dias.

Por todos os cantos, a caminho do trabalho. 


Antes de atravessar a Praça Central, ao meio dia, trânsito morno, atravessando a rua desligadão do concreto, apenas dentro de um dia de semana comum.

E lá reverberava o som: ele era o trajeto.

Distraído, o som no estéreo da memória revolvia naquelas bandas inglesas, puro rock and roll, bandas crássicas munidas na simplicidade, honestidade e crueza - que terreno fértil.

O tempo disparando rumo ao silêncio final enquanto riffs pra lá de empolgantes e tão primitivos, a esfera visceral da arte, tão viciante, natural e transparente como o blues, entre bares e hospitais repousa a estrutura básica dos três acordes que impulsioram o mundo.

O cotidiano sem o Punk 77 pode ser uma verdadeira lástima.
Eu vivo o Punk 77. É claro que às vezes dou um tempo no processo da audição, vou pra outras e muitas outras paisagens. Embora, é inevitável - como se fosse infalível o regresso, para escutar a alma daquelas batidas comoventes, uma cozinha eficiente,, guitarrona cuspindo punch  - e ah, os refrões! Coros, refrões mágicos, estribilhos doentios, fundamentais.

Sem o Punk 77 o mundo seria babaca como a Revista Veja.

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