quarta-feira, março 11, 2015

por uma paranga

por uma paranga, uma pá de perfurações.

balas. porra, odeio a palavra gatilho.

parece que fulano saiu de casa e um pouco antes a mãe elogiou: "gatilho, hein?".

e por uma paranga, ali na esquina agora, total extermínio.

confusão era quando época era época mesmo: soco chute murro moqueta bifa pontapé.

só porque a metranca apareceu antes da máquina de escrever na história não precisamos fuzilar duas mil pessoas dentro da igreja de Slurps do Sul.

por uma paranga, crianças decepadas na creche.

por uma paranga, um pisão no crânio bêbado de Elídio Moisés.

nada mais tonto que troca de tiros. você me vê dois e respondo com uma dupla, ok? troca na redação, isso sim. troca de estiletes seminovos. troca de dadinhos.

são balas que cegam, o órgão vital deixou de ser vital e enterrado ninguém mais respira, os restos carregam histórias que outros mortos-vivos deixarão de conhecer, por uma paranga.

e então você retorna para casa.

 tudo pegando fogo. socorro, uma senhora grita e logo em seguida inflação nas chamas e a velha virou churrasco. Antônio ainda conseguiu salvar sua coleção de selos. o fogo se alastrou na peruca do ex-prefeito, enquanto no pátio a Kombi saiu no pinote sozinha, o fogo ria e comia vivo os habitantes carcomidos isqueiros números, os ossos não prestam, por uma paranga uma paulada, pófiti, a pá no pescoço do Josias, que fora violentado por 17 rapazes no seminário.

por uma paranga, uma paranga.

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