quinta-feira, maio 28, 2015

BRUNO LÓQUE NÃO MORREU







Disseram por aí que o Lóque se aposentou.

É mentira.

O malandro do Bruno Lóque ainda é e sempre será o personagem vivo nas aventuras da velha Rivers.

Lóque é o sujeito folgado canastrão: vive de favor, é abusado e sempre descola uma sinfonia sossegada pra se dar bem.

Vira e mexe abraça uma morena no Chope & Cia, fila um rodízio na faixa em alguma churrascaria grã fina, saboreia um subway, e ainda por cima volta maroto pro seu mocó, sempre sem dar muita bandeira. O Lóque é lépido mas é tranquilo, é ligeiro e confia no seu taco, os trouxas tropeçam de inveja.

Negrão que mescla Hendrix com Marley, Bezerra com Miles, santo sangre y maldito na velha terrinha. Linha de frente, o larápio pós-serenata chega junto. Fala no ouvido delas, fala doce, fala manso. Não é um mero conquistador. É traquejado. É romântico. Ensinaria o Álvares de Azevedo a trocar aquele platonismo brocha por uma coisa mais brejeira, as loucas bonitezas do asfalto brilhariam na lírica do tuberculoso.

Aopa, e assim ele gira a alegria: ele tomba sua gelada todo relax, levanta um tostão com os trambiques transformers dos dias: biscatezinho, aquele bico aqui de pedreiro metafísico das cinquentonas, aqui e ali ele dança o verbo em relações públicas de pessoas aleatórias, e ainda passa um fuminho pra playboyzada. Porque o Lóque é estilo, o resto é vida programada, é seguir o cortejo dos vencedores de merda. Bruno Lóque é antes da vanguarda, é o vadio sonhador, que venceu Deus antes do verbo parir suas meias verdades.



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